Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Inocentes ou culpados? Governo gasta e Banco Central corre atrás enquanto o mercado olha para o (fim da alta dos juros e trade eleitoral no) horizonte

Iminência do fim do ciclo de alta dos juros e fluxo global favorecem, posicionamento técnico ajuda, mas ruídos fiscais e políticos impõem teto a qualquer eventual rali

Fernando Haddad, Ministro da Fazenda, e Gabriel Galípolo, diretor de Política Monetária e futuro presidente do Banco Central
Taxa de juros está em 14,25% ao ano, mas ainda deve subir mais um pouco antes de começar a cair. Imagem: Montagem Seu Dinheiro

Após uma das semanas mais congestionadas por decisões de política monetária no trimestre, os mercados agora tentam reorganizar suas expectativas para o rumo das taxas de juros.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Lá fora, Jerome Powell reconheceu que a guerra tarifária deve sim pressionar a inflação, mas suavizou o possível impacto.

Adicionalmente, o Federal Reserve anunciou a redução no ritmo do Quantitative Tightening — ou seja, o balanço do banco central será enxugado mais lentamente. Menos aperto no curto prazo, mais fôlego para os ativos.

No Brasil, Gabriel Galípolo entregou o que já estava mais do que precificado: a alta contratada da Selic, com uma sinalização discreta de que virá mais um ajuste em maio, menor na dosagem.

Em resumo, caminhamos vagarosamente para o fim do ciclo de aperto por aqui, enquanto os EUA já ensaiam — com cautela e muitas entrelinhas — discussões sobre eventuais cortes de juros. Ou pelo menos permitem que o mercado alimente essa ideia.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mas vale o velho lembrete: política monetária não opera milagres.

E, no caso brasileiro, os milagres são ainda mais improváveis quando o fiscal continua sendo tratado como um detalhe inconveniente.

Leia Também

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Mudança na CVM afeta agenda ESG, a verdade sobre IA e o que mais afeta o mercado hoje

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os contrastes nas eleições colombianas, o doce bar secreto em SP e as novas tarifas de Trump

A aprovação do Orçamento de 2025 é, claro, positiva — mas não porque resolve algo.

Serve apenas para formalizar o que o mercado já vinha assumindo por conta própria há meses.

Infelizmente, porém, o texto aprovado insiste em vender a ilusão de um superávit improvável, e todos sabem que, mais cedo ou mais tarde, ajustes serão inevitáveis.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A dúvida é se este governo, que tropeça em qualquer tentativa de coerência fiscal, será capaz de conduzi-los.

Alta dos juros já provoca desaceleração da economia

Nota-se um reconhecimento mais explícito por parte do BC da desaceleração econômica, já denunciada por uma série de indicadores desde o início do ano.

Isso não significa que o ciclo de alta chegou ao fim, mas sim que o final da linha está perigosamente próximo — e só isso já basta para começar a animar os ativos, que andam famintos por qualquer sinal de que a agonia pode estar com os dias contados.

Mas sejamos francos: a política monetária segue tentando conter um incêndio que tem origem, claramente, na irresponsabilidade fiscal. E pior: o fogo não dá sinais de recuo. A conta segue subindo, até porque há um receio de que o governo volte à cartilha populista para tentar reconquistar a classe média.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Lula já flerta com novos pacotes de crédito, uma espécie de pedalada disfarçada de bondade social, mas que na prática equivale a pisar fundo no acelerador com o freio de mão puxado. É fiscalmente desastroso, economicamente contraproducente e politicamente conveniente.

Que fique claro: o problema estrutural continua sendo o apetite insaciável por gastar mal e gastar demais. E pior, o governo não dá o menor sinal de que pretende encarar esse problema de frente.

Ao mesmo tempo, na semana passada, o ministro Fernando Haddad deu duas entrevistas tentando explicar a proposta de isenção do Imposto de Renda.

Ninguém é contra a ideia de uma reforma na tributação da renda no Brasil.

O problema não é o "quê", mas sim o "como".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O governo conduziu todo o processo de forma desajeitada, com comunicação confusa e timing questionável — e o produto final mais parece um improviso eleitoreiro do que uma política pública robusta.

O esboço da proposta prevê isenção total para quem ganha até R$ 5 mil por mês, um crédito tributário parcial para a faixa de R$ 5 mil a R$ 7 mil, e manutenção das regras atuais para quem recebe acima disso.

Considerando a defasagem absurda da tabela do IR, há um consenso sobre a necessidade de correção. Até a Receita Federal apoia a medida e a aprovação no Congresso deve ser relativamente tranquila.

O problema — que ninguém no governo parece querer admitir — está na conta. E ela não fecha.

Para compensar a renúncia de arrecadação com a nova faixa de isenção do Imposto de Renda, o governo propõe a criação de um IR mínimo para quem recebe mais de R$ 50 mil por mês (R$ 600 mil por ano), com alíquotas progressivas que chegam a 10% para rendimentos mensais acima de R$ 100 mil (R$ 1,2 milhão ao ano).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

À primeira vista, parece uma solução elegante, mas há armadilhas embutidas:

  • Primeiro: não há garantia nenhuma de que essa compensação vá, de fato, fechar a conta. Pelo contrário, é praticamente certo que o Congresso vai diluir o texto; 
  • Segundo: o risco de evasão cresce. Não só porque o sistema tributário brasileiro já é ruim, mas porque a sinalização incentiva mais gente a buscar atalhos fora do país; e 
  • Terceiro: mesmo que essa compensação passe, é improvável que cubra a renúncia.

Some-se a isso o efeito da elevação da renda disponível para quem ganha até R$ 5 mil, que tende a incrementar a inflação de alimentos — justo em ano eleitoral.

Eis o paradoxo: no fim, apenas 10% da população continuará contribuindo com o IR.

Isso escancara a distorção estrutural do sistema tributário brasileiro, onde a arrecadação se apoia majoritariamente no consumo, e não na renda.

Ou seja, tributa-se pesadamente os mais pobres, enquanto a base contributiva de renda permanece restrita e ineficaz — razão pela qual a alíquota do IVA na reforma do consumo tende a ser tão elevada.

O resultado provável?

Mais déficit. Mais inflação. E uma equipe econômica que, mesmo quando tenta manter um verniz técnico, como era o caso de Fernando Haddad, começa a deslizar ladeira abaixo rumo à retórica politizada.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Talvez porque o ministro saiba que, se Lula não for candidato em 2026, ele será o nome natural — apesar de seu histórico pouco animador nas urnas.

Mas não se engane: a Fazenda tem culpa direta no caminho que os juros a 14,25% ao ano (e além).

O descontrole fiscal foi um dos principais motores da escalada inflacionária — e tudo indica que a desorganização vai se intensificar.

É evidente que a maior parcela de responsabilidade recai sobre Lula e sua ala política, que encara a ciência econômica como um incômodo técnico que atrapalha o discurso. Mas isentar a equipe da Fazenda seria um erro: a omissão, neste caso, já virou conivência.

Coloque o Brasil lado a lado com seus pares emergentes e o retrato é alarmante.

As contas públicas estão deterioradas, as contas externas idem.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O déficit nominal deve ultrapassar 7% do PIB em 2025, enquanto o déficit em conta corrente se aproxima de 4%.

Um clássico caso de déficits gêmeos — cenário simplesmente insustentável para qualquer economia emergente que ainda queira parecer séria.

A triste verdade é que o atual governo nem tem apetite para reverter esse quadro — e muito menos competência. Se houver alguma chance de ajuste, ela ficará para 2027. 

Pelo menos o mercado encontrou algum alento no fato de que o ciclo de aperto monetário parece menos severo do que se temia no final de 2024.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A Selic segue alta, claro, mas o fim da escalada já está no horizonte, e isso naturalmente impulsiona os ativos de risco.

Não por acaso, a percepção de que o Brasil pode ter desempenho superior ao de outros emergentes latino-americanos, como o México, começa a ganhar força entre os gestores.

Naturalmente, nem tudo se explica por mérito doméstico.

O fluxo global, com investidores fugindo do excesso de risco e valuation inflado nos EUA, ajuda a empurrar recursos para mercados vistos como mais baratos e tecnicamente mais saudáveis.

Mas há, sim, variáveis internas relevantes: o iminente fim do ciclo de aperto e, cada vez mais, o chamado trade eleitoral.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Tarcísio e o trade eleitoral

Paralelamente, o principal nome da oposição, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tenta equilibrar-se num campo minado.

Sua postura recente tem gerado ruído, e qualquer passo em falso pode custar caro.

Ele precisa evitar, ao mesmo tempo, parecer um traidor para a base bolsonarista e um adesista oportunista para o centro político. Um equilíbrio tão sutil quanto instável.

Por ora, ainda não cometeu um erro fatal — mas a linha entre um tropeço tolerável e um desastre irreversível é finíssima.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Apesar disso, os ativos locais seguem surfando o momento.

Estamos próximos das máximas nominais no Ibovespa, mas ainda com múltiplos de valuation bastante descontados — uma combinação rara.

O fluxo global favorece, o posicionamento técnico ajuda, mas sejamos realistas: essa onda tem prazo de validade.

Os ruídos fiscais e políticos continuam funcionando como um teto para o rali.

Para que o movimento ganhe tração real, será preciso mais do que capital especulativo ou alívio momentâneo de juros.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O que falta é uma sinalização clara de que, em 2026, o pêndulo político poderá finalmente oscilar para o lado certo: uma agenda reformista, pró-mercado, com responsabilidade fiscal e compromisso com previsibilidade institucional.

Até lá, seguimos onde estamos: no modo cautela.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Ferrari Luce: faltou conselho? 30 de maio de 2026 - 9:01
Imagem gerada por inteligência artificial mostra cavalos de corrida saindo da bolsa de valores brasileira 29 de maio de 2026 - 8:46
Imagem mostra um avião passando por nuvens de tempestades e relâmpagos 28 de maio de 2026 - 8:34
Imagem gerada por IA traz o mapa mundi e a bandeira do Irã ao centro 27 de maio de 2026 - 20:00
Imagem gerada por inteligência artificial mostra um investidor apressado, correndo. Ao redor dele estão relógios, gráficos de ações, dinheiro, um cofrinho e outros investimentos 27 de maio de 2026 - 8:43
águia careca representando os estados unidos e globo em fragmentos - fim pax americana 26 de maio de 2026 - 8:55
guerra oriente médio investimento 26 de maio de 2026 - 7:26
Gráfico de ações, volatilidade 22 de maio de 2026 - 7:15
Imagem gerada por inteligência artificial com o desenho de um homem segurando um guarda chuva enquanto setas vermelhas apontam para ele, simbolizando o hedge dos investimentos 20 de maio de 2026 - 19:58

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Um hedge bom, barato e que está funcionando 

20 de maio de 2026 - 19:58
Imagem gerada por inteligência artificial mostra um homem de camisa azul misturando ouro e commodities em uma tigela. Há outros investimentos ao redor dele, e ele está em uma cozinha 20 de maio de 2026 - 8:45
Uma mesa de escritório antigo. Em cima há um computador de barriga e uma gelatinha com um grampeador dentro. 19 de maio de 2026 - 8:50
Fundo eleitoral eleições eleições municipais 19 de maio de 2026 - 7:22

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Ruído político, curva de juros aberta e um mercado mais cauteloso

19 de maio de 2026 - 7:22
18 de maio de 2026 - 8:18
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar