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Dani Alvarenga

Dani Alvarenga

Repórter do Seu Dinheiro, estudante de Jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP) com certificação em curso de Mercado Financeiro pela Ibmec. Possui experiência na cobertura de economia, política e internacional. Atualmente, cobre o mercado imobiliário e de FIIs.

EM DIA DE SANGRIA

Brava (BRAV3) despenca 10% em meio à guerra comercial de Trump e Goldman Sachs rebaixa as ações — mas não é a única a perder o brilho na visão do bancão

Ações das petroleiras caem em bloco nesta quinta-feira (3) com impacto do tarifaço de Donald Trump. Goldman Sachs também muda recomendação de outra empresa do segmento e indica que é hora de proteção

Dani Alvarenga
Dani Alvarenga
3 de abril de 2025
14:46

Os mercados financeiros ao redor do mundo estão pegando fogo com a guerra comercial traçada por Donald Trump, que anunciou uma série de tarifas aos parceiros comerciais dos EUA. Entre os ativos jogados na fogueira e que enfrentam dia de sangria na bolsa, o petróleo não escapou.

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Os futuros do Brent registravam baixa de 6,87%, a US$ 69,80 por barril, às 14h15 (horário de Brasília). Os futuros do petróleo bruto dos EUA (WTI) também caíam 7,15%, a US$ 66,58.

Porém, não são apenas as medidas de Trump que derrubam a cotação da commodity hoje. O segmento ainda lida com a aceleração dos cortes na produção em maio determinada pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+).

A pressão no petróleo vem arrastando as petroleiras junto, que caem em bloco na bolsa de valores brasileira nesta quinta-feira (3). No destaque da ponta negativa do Ibovespa hoje, a Brava (BRAV3) lidera a queda, com uma desvalorização de 10%, a R$ 20,41.

Na visão dos analistas do Goldman Sachs realmente chegou a hora de tirar os papéis da carteira. Em meio às preocupações com a perspectiva para os preços do petróleo, o banco rebaixou as ações da Brava (BRAV3) para venda.

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Adeus, Brava (BRAV3)... Olá, Petrobras!

De acordo com o relatório do Goldman Sachs, o cenário macroeconômico não favorece as ações da Brava Energia — e o momento pede proteção.

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Entre os principais pontos levantados sobre a empresa está a sensibilidade ao preço do petróleo, já que a empresa é particularmente sensível a flutuações. Isso significa que, se os preços do petróleo caírem, a empresa provavelmente será mais afetada do que seus pares.

O banco também considerou o perfil de fluxo de caixa livre da Brava menos atraente em comparação com outras empresas do setor, tanto para 2025 quanto para 2026. 

Além disso, os analistas observaram que a Brava tem um espaço limitado para crescimento em 2026. As estimativas do Goldman Sachs para o Ebitda da Brava em 2026 estão significativamente abaixo do consenso do LSEG. 

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Parte dessa diferença pode ser atribuída às diferentes projeções dos preços do petróleo, mas o banco também aponta para divergências nas estimativas de produção.

Neste cenário de baixa dos preços da commodity, eles avaliam que os investidores devem ser mais seletivos e dão preferência por ações que possam trazer um rendimento de dividendos atrativos com risco de execução limitada, como é o caso da Petrobras (PETR4).

Brava (BRAV3) não está sozinha: Prio (PRIO3) está perdendo o brilho

Não é só a Brava (BRAV3) que está sofrendo na bolsa — e na avaliação do Goldman Sachs. A Prio (PRIO3) também está entre as maiores quedas do Ibovespa hoje e, por volta das 14h15, caía cerca de 6,65%, a R$ 36,95. 

Além disso, o banco também rebaixou a avaliação dos papéis, passando de compra para neutra. Segundo relatório, três pontos acenderam um alerta para o futuro da petroleira. 

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O primeiro é o cronograma do projeto na Bacia de Campos, que segue incerto. Mesmo com o aval do Ibama para perfuração, a Prio ainda precisa de mais licenças e da execução das perfurações. Isso aumenta os riscos de atraso e prejudica a visibilidade do crescimento da produção no curto prazo.

Já o segundo sinal de alerta veio dos campos de produção mais antigos da Prio, que começam a sentir o peso do tempo. Na avaliação do Goldman Sachs, o declínio natural da produção desses ativos levanta dúvidas sobre a duração do fluxo de caixa da empresa.

O terceiro problema para a Prio (PRIO3) é um inimigo de todas as petroleiras no pregão de hoje: o preço do petróleo. O Goldman Sachs destaca a alta incerteza sobre o preço no futuro, o que pode impactar os resultados da companhia.

Porém, apesar dos desafios, o banco reconhece que a Prio tem um potencial de longo prazo, especialmente se o projeto na Bacia de Campos der certo. 

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O banco destacou que a empresa continua com uma sólida capacidade de geração de caixa e seu potencial de valorização é de 19%, considerando o último fechamento. O preço-alvo é de R$ 47,60.

Uma mãozinha da Opep+ na derrocada do petróleo

A Opep+ decidiu, nesta quinta-feira (3), avançar com o plano de eliminar gradualmente os cortes na produção de petróleo a partir de maio. A decisão vem adicionando pressão no segmento, que também sofre com as tarifas anunciadas por Donald Trump.

Isso porque, com o anúncio, a organização deve aumentar a produção do óleo bruto em 411.000 barris por dia (bpd) durante o próximo mês. O efeito nos preços é explicado pela relação entre oferta e demanda: quanto maior a oferta, os preços tendem a cair.

Anteriormente, oito membros da Opep+ (Rússia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque, Argélia, Cazaquistão e Omã) já haviam se programado para aumentar a produção em 135 mil barris por dia em maio.

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No comunicado, o grupo disse que a decisão foi tomada com base em “fundamentos de mercado saudáveis ​​contínuos e a perspectiva positiva do mercado”. 

“Isso inclui o aumento originalmente planejado para maio, além de dois incrementos mensais”, disse a Opep. “Os aumentos graduais podem ser pausados ​​ou revertidos, sujeitos à evolução das condições de mercado.”

A organização também tem 3,65 milhões de bpd de outros cortes de produção em vigor até o final do ano.

Para a Ativa Investimentos, “a antecipação do reestabelecimento das quotas por parte da Opep contribui para aumentar o sentimento negativo em um mercado onde os prognósticos para a oferta já se mostravam mais fortes que para a demanda”.

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*Com informações do Money Times

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