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Em evento em SP, Malan revelou bastidores da formação da equipe econômica responsável pela criação do Plano Real
O brasileiro é frequentemente acusado de ser um povo sem memória. No que depender do economista Pedro Malan, essa premissa está longe de ser verdadeira. Aos 81 anos, o ex-ministro da Fazenda esbanja uma memória invejável ao falar sobre o Plano Real.
Um dos protagonistas na concepção e execução do plano, Malan fez uma minuciosa retrospectiva dos meses que antecederam a introdução da nova moeda e das medidas sem as quais o Brasil dificilmente deixaria para trás a hiperinflação.
Foi por pouco, inclusive, que o Plano Real não foi pelo ralo na véspera de seu lançamento — conforme relato feito pelo ex-banqueiro central Gustavo Franco no mesmo evento.
A reportagem do Seu Dinheiro acompanhou a participação de ambos no MKBR24, realizado no início de junho, bem como o lançamento do livro “30 Anos do Real — Crônicas no Calor do Momento”, com artigos escritos por Malan, Franco e pelo também economista Edmar Bacha.
Pedro Malan não esconde o gosto por falar da história e resgatar as memórias dos tempos de ministro.
“A história é um infindável diálogo entre o passado e o futuro”, afirma ele.
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E isso serve para contar a história de uma pessoa, de um país ou até mesmo do mundo como o conhecemos.
Aos presentes no MKBR24, muitos dos quais jovens sem memória do período, Malan falou sobre a “marcha da insensatez”.
Era o modo como economistas e a mídia muitas vezes se referiam ao período entre o fim dos anos 1960 e o início dos anos 1990, durante o qual o Brasil ostentou inconteste o infame título de campeão mundial de inflação.
O programa de ação imediata, que continha as diretrizes sobre os primeiros passos do Plano Real, destacava o fato de que, naquele início de 1994, somente outros três países no mundo registravam inflação anualizada acima dos 1.000%.
Eram eles Congo, Rússia e Ucrânia — todos em situação social mais crítica que o Brasil naquele momento.
Enquanto a Rússia e a Ucrânia reerguiam-se dos escombros da dissolução da União Soviética, o Congo estava imerso em uma sangrenta guerra civil.
Por aqui, porém, a “marcha da insensatez” fez a alta dos preços partir de taxas moderadas no fim dos anos 1960 para se transformar em inflação galopante em meados da década de 1980 e, em sua fase mais crítica, em uma hiperinflação aparentemente incontornável.
“As pessoas tinham até medo de pronunciar a palavra hiperinflação”, disse Gustavo Franco em um momento do painel.
Nem ele nem Malan fizeram o paralelo com o vilão de Harry Potter, mas havia quem preferisse não chamar o monstro pelo nome. Talvez para não invocá-lo.
De qualquer modo, essas superstições pareciam não integrar o repertório dos economistas do Plano Real.
Não fosse assim, Malan talvez tivesse recusado o convite do então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso para assumir o Banco Central, feito em uma sexta-feira, 13 de agosto (de 1993).
Ao longo das últimas três décadas, muito se discutiu sobre a paternidade do Plano Real.
Politicamente, quem colheu a maior parte dos louros foi Fernando Henrique Cardoso, eleito e reeleito presidente na esteira do sucesso no combate à inflação.
Ao mesmo tempo, partidários do ex-presidente Itamar Franco ressentiram-se por anos do pouco crédito atribuído a ele.
Embora fosse pouco conhecido nacionalmente antes do processo de impeachment que levou à renúncia de Fernando Collor de Mello, em 1992, era Itamar quem tinha a caneta e tomou a decisão de tirar FHC da chefia do Itamaraty para colocá-lo à frente do Ministério da Fazenda com a missão de estabelecer novos rumos econômicos para o Brasil.
Ainda como ministro das Relações Exteriores, FHC fazia uma escala em Nova York na volta de uma viagem a Tóquio.
Foi quando ele recebeu um telefonema de Itamar dizendo que estava pensando colocá-lo no lugar de Eliseu Resende na posição de ministro da Fazenda.
Confortável na condição de chanceler, FHC pediu a Itamar que esperasse ele chegar ao Brasil para conversarem melhor, o que ocorreria dali a dois dias, e foi dormir.
“No dia seguinte ele acorda com a notícia da nomeação dele como ministro da Fazenda no Diário Oficial”, disse Malan.
Um tanto contrariado com a indicação, Fernando Henrique ainda tentou conversar com Itamar.
“Olhe, fique tranquilo. Está sendo muito bem recebida a indicação de seu nome”, respondeu Itamar, segundo o relato de Malan.
“Naquele mesmo dia ele me ligou, pediu o telefone de alguns economistas e pediu que eu fosse a Brasília”, disse Malan.
Desses economistas, Gustavo Franco e Winston Fritsch imediatamente aceitaram o convite. Depois deles vieram André Lara Resende, Pérsio Arida e Edmar Bacha para postos-chave.
Com FHC na posição de fiador político, estava formado o núcleo duro habilitado a reivindicar a paternidade do Plano Real.
Malan também puxou o fio da memória por uma série de aniversários que acompanham os 30 anos do real:
Talvez tenha omitido os dias para não parecer detalhista demais.
Ainda assim, outros números mencionados por Malan chamam a atenção.
Lembrou que 400 dias separaram a posse de Fernando Henrique Cardoso como ministro da Fazenda, em 19 de maio de 1993, do lançamento do Real, em 1º de julho de 1994.
Quando Gustavo Franco comentou que o salário mínimo foi definido à época em US$ 64, Malan acrescentou sem cerimônia: “vírgula 79.”
Números que não teriam relevância sem as memórias que suscitam.
Depois da palestra, Malan e Franco sentaram-se a uma mesa para autografar os livros, distribuídos gratuitamente aos presentes no evento.
Entre um e outro comentário elogioso à memória de ambos, a dupla respondia com um bom humor raro segundo o próprio Malan.
“A gente não passa no antidoping”, disse Gustavo Franco.
Malan, por sua vez, preferiu brincar com a idade: “Velhinho perde a memória recente. A memória mais antiga segue intacta.”
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