Discurso da vitória de Nunes em São Paulo traz promessa de lealdade a Tarcísio de Freitas e só uma menção a Bolsonaro
“Tarcísio, seu nome é presente, mas seu sobrenome é futuro”, disse Nunes depois de abraçar o governador de São Paulo durante o discurso da vitória
Ao som de “Gangnam Style”, Ricardo Nunes subiu ao palco do comitê do MDB de mãos dadas com o governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas (Republicanos) — uma cena que precederia uma série de recados do prefeito reeleito com vistas a 2026.
Rodeado das principais figuras que ajudaram a derrotar Guilherme Boulos (PSOL) por 59,35% a 40,65% — Gilberto Kassab (PSD), Rodrigo Garcia (sem partido) e Baleia Rossi (MDB) —, Nunes começou agradecendo a população de São Paulo e a família, em especial a esposa, Regina.
Mas foram as palavras do prefeito reeleito da capital mais importante do país para Tarcísio de Freitas que chamaram atenção no discurso da vitória.
“A lealdade, meu querido amigo Tarcísio, faz parte da minha história de vida; não é só uma palavra do dicionário. Você vai poder contar comigo sempre, 24 horas por dia”, afirmou Nunes, que logo em seguida abraçou Tomás, o filho de Bruno Covas.
Nunes foi vice de Covas e assumiu a prefeitura de São Paulo em 2021, depois que o então prefeito faleceu, vítima de um câncer. A vitória direta de hoje, portanto, é a primeira de Nunes nas urnas em uma eleição municipal.
Confira o resultado das eleições em São Paulo:
Leia Também
Simone Tebet quer diminuir benefícios tributários de empresas — e recorreu ao mercado financeiro em busca de aliados contra o Congresso
Revisão da vida toda: Como o STF desarmou uma bomba orçamentária deixada no colo do governo
O que Nunes não disse também chamou atenção
Não foi só o que Nunes disse no discurso deste domingo (27) que chamou atenção — o que não foi dito também falou bem alto.
Se ele agradeceu inúmeras vezes o governador de São Paulo pela vitória de hoje, por outro lado, o prefeito reeleito falou apenas uma vez o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ao chamar seu vice ao palco, o coronel aposentado da Polícia Militar Ricardo de Mello Araújo, Nunes afirmou: “Essa é uma indicação do presidente Bolsonaro. Tenho certeza de que o coronel Mello vai trabalhar pela cidade de São Paulo”.
A menção única tem sentido. O aval de Bolsonaro à candidatura de Nunes veio tarde e acompanhada de uma declaração indicando que o prefeito de São Paulo não era seu “candidato dos sonhos” — vale lembrar que o ex-presidente pouco participou da campanha à reeleição do emedebista.
Já com Tarcísio o que se deu foi o contrário. O governador pretendia se envolver o mínimo possível da campanha de Nunes, mas acabou usando seus 55% de aprovação da capital paulista para pedir votos, ir atrás do eleitorado, preparar Nunes para debates e garantir um aliado em 2026.
De olho nas eleições de 2026?
O tiro de Tarcísio parece ter atingido o alvo neste domingo (27).
“Tarcísio, seu nome é presente, mas seu sobrenome é futuro”, disse Nunes depois de ter abraçado mais de uma vez o governador de São Paulo durante o discurso da vitória.
Embalado pela presença de Tarcísio ao seu lado, o prefeito reeleito da capital paulista disse que a campanha estava encerrada e que o momento agora era de olhar para frente, esquecer as diferenças e comandar um governo para todos.
“Aos que acompanharam essa eleição histórica, a democracia deixou uma lição: o equilíbrio venceu todos os extremismos. São falou e a voz de São Paulo precisa ser ouvida”, disse Nunes.
“O nosso povo enviou um recado para o Brasil inteiro: política sim, mais com resultado. Quem não tiver um acervo de realizações, terá dificuldade de ter como único argumento a rejeição do adversário”, acrescentou.
“O trabalho venceu a retórica das ideologias. As transformações profundas venceram a fala rasa dos radicais de todo o Brasil”, completou
Perto do fim do discurso, Nunes lembrou ainda que o arco de sua campanha reuniu o centro e a direita. “Deixei claras as minhas posições políticas, que nunca foram neutras”, disse.
Derrotado por Nunes, Boulos faz balanço das eleições
Com bem menos holofotes do que o vencedor, Guilherme Boulos (PSOL) também se pronunciou após a vitória de Nunes nas urnas.
Cercado por centenas de pessoas, muitas das quais integrantes de movimentos de base, na Casa de Portugal, bairro da Liberdade, o psolista disse que não sai como vencido e que encara o resultado das urnas como um sinal de recuperação da esquerda.
"Não vou falar aqui das mentiras e dos ataques que definiram essa eleição. Eu não vou falar do crime eleitoral cometido pelo governador de São Paulo. Disso a Justiça cuide. Não vou fazer aqui um discurso de perdedor porque a gente perdeu uma eleição, porque a gente recuperou a dignidade da esquerda brasileira", afirmou.
Segundo Boulos, a chapa mostrou a possibilidade de se fazer política de uma outra maneira, em que predomina o diálogo respeitoso.
"Olho no olho, debatendo no campo de peito aberto, nas praças, nas ruas, com dignidade", disse.
Recebido com palavras de ordem como "Boulos guerreiro do povo brasileiro", ele discursou ao lado de Marta Suplicy, vice na chapa, e do ministro das Relações Exteriores, Alexandre Padilha.
Padilha disse acreditar que houve uma "onda de reeleições" beneficiada pelas ações do governo federal. "Os prefeitos que estavam nos governos se aproveitaram do momento de recuperação econômica do país, do aumento recorde da transferências de recursos do governo federal para os municípios", afirmou.
O ministro também ressaltou que para ele não há dúvida sobre a configuração de crime eleitoral na associação feita pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, entre Boulos e a facção PCC. Padilha ressaltou que o contexto em que ocorreu a fala, na presença de Ricardo Nunes, demonstra intenções eleitorais.
“Valores conservadores são o tema das eleições. Não é economia. Não são valores liberais. Conservadores tomaram tudo”, diz Paulo Guedes
Ex-ministro da Economia acredita que o mundo vive um novo momento de desordem em que os conservadores estão à frente das mudanças
Lula confirma que irá disputar as eleições em 2026: “vou completar 80 anos, mas tenho a mesma energia de quando tinha 30”
Em visita à Indonésia, Lula confirmou que pretende disputar um quarto mandato; pesquisas mostram o petista na liderança das intenções de voto
Brasileiros não apoiam exploração de petróleo na Foz do Amazonas, diz pesquisa — e afirmam que Lula deve proibir perfuração
Levantamento feito pelo Datafolha pressiona governo por definição clara antes da COP30, enquanto Petrobras aguarda liberação do Ibama
Barroso anuncia aposentadoria e vai deixar cargo de ministro do STF
Com a decisão, Barroso encerrará um ciclo de 12 anos no STF
Eleições 2026: Lula mantém liderança em todos os cenários de 2º turno, e 76% querem que Bolsonaro apoie outro candidato, diz pesquisa
Levantamento Genial/Quaest indica resistência à nova candidatura do presidente, enquanto eleitorado bolsonarista se divide sobre o futuro político do ex-presidente
Derrota para o governo: Câmara arquiva MP 1.303 e livra investimentos de aumento de imposto de renda — bets também saem ilesas
Deputados retiraram a votação do texto da pauta e, com isso, a medida provisória perde a validade nesta quarta-feira (8)
Pesquisa Genial/Quaest mostra popularidade de Lula no maior patamar do ano após crise com EUA
Aprovação sobe a 48%, impulsionada por percepção positiva da postura do governo diante de tarifas impostas por Trump
Imposto de renda sobre CDB, Tesouro Direto, JCP e fundos ficará em 18% após avaliação por comissão do Congresso Nacional
Medida provisória 1.303/25 é aprovada por comissão mista do Congresso e agora segue para ser votada nos plenários da Câmara e do Senado
Lula e Trump finalmente se falam: troca de afagos, pedidos e a promessa de um encontro; entenda o que está em jogo
Telefonema de 30 minutos nesta segunda-feira (6) é o primeiro contato direto entre os líderes depois do tarifaço e aumenta expectativa sobre negociações
Lula e Trump: a “química excelente” que pode mudar a relação entre o Brasil e os EUA
Alexandre Pires, professor de relações internacionais e economia do Ibmec, analisa os efeitos políticos e econômicos de um possível encontro entre os dois presidentes
Com Tarcísio de Freitas cotado para a corrida presidencial, uma outra figura surge na disputa pelo governo de SP
Cenário nacional dificulta a nomeação de candidatos para as eleições de 2026, com impasse de Bolsonaro ainda no radar
Comissão do Senado se antecipa e aprova projeto de isenção de IR até R$ 5 mil; texto agora depende dos deputados
Proposta de isenção de IR aprovada não é a do governo Lula, mas também cria imposto mínimo para altas rendas, programa de renegociação de dívidas e prevê compensação a estados e municípios
Senado vota regulamentação dos novos impostos sobre consumo, IBS e CBS, nesta quarta-feira (24)
Proposta define regras para o novo comitê gestor do IBS e da CBS, tributos que vão substituir impostos atuais a partir de 2027
O que Lula vai dizer na ONU? Soberania e um recado sutil a Trump estão no radar
A expectativa é que o discurso seja calibrado para o público global, evitando foco excessivo em disputas políticas internas
Câncer de Bolsonaro: o que é o carcinoma de pele encontrado em duas lesões removidas
Ex-presidente recebeu alta após internação por queda de pressão, vômitos e tontura; quadro exige acompanhamento médico periódico
LCI e LCA correm o risco de terem rendimentos tributados, mas debêntures incentivadas sairão ilesas após negociações no Congresso
Relator da MP que muda a tributação dos investimentos diz que ainda está em fase de negociação com líderes partidários
“Careca do INSS”: quem é o empresário preso pela PF por esquema que desviou bilhões
Empresário é apontado como “epicentro” de fraudes que desviaram bilhões de aposentadorias
STF condena Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão; saiba quais opções restam ao ex-presidente
Placar final foi 4 a 1 para condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão em regime fechado
Aprovação de Lula sobe para 33% e chega ao maior nível desde dezembro de 2024, diz Datafolha
O índice de reprovação do petista ainda é um dos maiores entre presidentes desde a redemocratização a esta altura do mandato, mas, na comparação direta, Bolsonaro sai perdendo
Debêntures incentivadas devem continuar isentas de IR, mas LCI e LCA seguem na mira da MP que muda a tributação dos investimentos, diz jornal
Texto deve manter mudanças na alíquota única de IR para ativos tributáveis e na compensação de créditos tributários, pontos que despertam preocupação no mercado