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Além disso, o candidato psolista adotou uma estratégia, no mínimo, inusitada nesta reta final da campanha para garantir estar na “boca do povo” no dia da votação
A reta final da corrida pela prefeitura de São Paulo ganhou novos atores ativos no campo político. De um lado, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) apareceu junto a Guilherme Boulos (PSOL) em um evento de campanha. Do outro, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que já foi figurinha carimbada no primeiro turno, reforçou o apoio a Ricardo Nunes (MDB).
Um ponto em comum entre ambos — além de Alckmin ser ex-governador de São Paulo e Tarcísio, o atual — é que os dois também estão fazendo as vezes de figuras políticas que protagonizaram uma disputa nacional.
Alckmin substituiu o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que se recupera de um acidente doméstico, na campanha de Boulos. Ainda que não seja um “herdeiro político” de Lula, é ele quem distribui as bênçãos do governo federal na ausência do chefe do Planalto.
Já Tarcísio ganhou corpo político ao atuar como ministro de Jair Bolsonaro (PL) e se eleger para o governo do Estado.
Com a inelegibilidade do ex-presidente, o governador virou o nome forte do campo político à direita na eleição municipal deste ano — com sinais de que chegará com forte apoio para a disputa presidencial de 2026.
Mas quem é o padrinho político mais forte para a eleição que acontece no próximo domingo (27)?
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Na semana que antecede a votação em segundo turno, Nunes fez questão de evidenciar a aliança com o governador paulista.
Na noite da última segunda (21), o prefeito disse que o governador foi "a grande figura dessas eleições" e demonstrou ser um "grande líder" por ter mostrado que tem lado nos momentos mais adversos.
"Numa guerra é o capitão que põe o peito na frente e não deixa ninguém para trás, soldado para trás", declarou.
A frase abre margem para duas interpretações: Tarcísio tem a patente de capitão do Exército, assim como Bolsonaro, mas o ex-presidente foi reticente na campanha.
Nesta terça (22) em entrevista para a GloboNews, Nunes reafirmou o prestígio de seu maior aliado: disse que, se houvesse apenas uma vaga no seu evento de posse — caso seja reeleito —, chamaria o governador.
Por fim, Nunes também agradeceu a Bolsonaro pela negociação que extinguiu a dívida de São Paulo em troca da cessão do Campo de Marte à Aeronáutica e apelou aos eleitores para que não deixem de votar no domingo.
As falas foram feitas após um almoço com o ex-presidente e o governador paulista na última terça-feira.
O momento de desconforto com Bolsonaro aconteceu após uma pergunta sobre os reiterados questionamentos do ex-presidente ao resultado das eleições em 2022. Nunes afirmou não ter uma opinião formada sobre o tema, e desconversou na sequência.
A candidatura do deputado Guilherme Boulos enfrenta um problema neste segundo turno: uma rejeição que supera os 50% nas pesquisas eleitorais.
Uma das explicações seria a fama de radical que o psolista tem, adquirida por sua atuação à frente do movimento dos trabalhadores sem teto (MTST).
Assim como Lula em 2022, a figura de Alckmin é associada à política mais moderada, o que tende a agradar um eleitorado mais indeciso.
Vale lembrar que o ex-governador de São Paulo foi do PMDB e do PSDB antes do PSB — todos partidos do chamado “centro” político.
Simultaneamente, Boulos adotou uma estratégia, no mínimo, inusitada nesta reta final de campanha.
Ao longo desta semana, Boulos virou a pauta dos colunistas de política. Aproveitando a pecha de invasor, o deputado anunciou que passaria os dias dormindo na casa de eleitores.
Do ponto de vista político, esse pode ser o “ponto de virada” que faltava para Boulos ter uma chance mais substancial de vencer a prefeitura.
Isso porque as pesquisas de intenção de voto mais recentes, Boulos registrou um crescimento nas respostas espontâneas — e estar na “boca do povo” pode dar vantagem ao deputado.
Segundo uma pesquisa da Quaest Consultoria, quatro de cada dez eleitores só vão decidir o voto para prefeito no dia da eleição.
Além disso, mostram que há uma parcela significativa — que pode chegar a quase 30%, somando os brancos, nulos e indecisos, de acordo com o Datafolha mais recente — de eleitores que ainda não se decidiram, que podem migrar para um ou outro candidato.
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