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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

REVISANDO O PORTFÓLIO

Warren Buffett continua a despejar ações em Wall Street e agora corta aposta na Apple pela metade

Apesar de ser conhecido por seus investimentos de longo prazo, o Oráculo de Omaha vendeu mais de 49% da participação da Berkshire Hathaway na Apple (AAPL34)

Camille Lima
Camille Lima
3 de agosto de 2024
15:03 - atualizado às 14:01
O bilionário Warren Buffett, da Berkshire Hathaway
O bilionário Warren Buffett - Imagem: Shutterstock/Adobe Stock - Montagem: Giovanna Figueredo

Um dos balanços mais esperados de Wall Street foi publicado na manhã deste sábado (3) e sinalizou mais uma nuvem tempestuosa no futuro das big techs. Em meio a uma verdadeira liquidação no segundo trimestre de 2024, Warren Buffett continuou a despejar ações no mercado norte-americano — e acabou de cortar sua principal aposta pela metade.

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Apesar de ser conhecido por seus investimentos focados no longo prazo, o Oráculo de Omaha vendeu mais de 49% da participação de sua holding Berkshire Hathaway na Apple (AAPL34) ao longo do último trimestre.

De acordo com o resultado financeiro, a fatia do conglomerado de Buffett na dona do iPhone foi avaliada em US$ 84,2 bilhões, equivalente a R$ 482,31 bilhões no câmbio atual, no final do segundo trimestre.

Mas mesmo após a venda robusta de papéis, a Apple continuou como a maior participação acionária no portfólio da Berkshire.

Buffett desistiu da Apple?

Apesar de a decisão ter pego o mercado de surpresa, Warren Buffett já havia sinalizado na carta anual da Berkshire com acionistas que a venda de “um pouco da Apple” neste ano beneficiaria os investidores da holding a longo prazo.

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Segundo o bilionário, a decisão ajudaria os acionistas caso os impostos sobre ganhos de capital fossem aumentados no futuro, em meio à busca do governo dos EUA por soluções para o déficit fiscal crescente.

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Entretanto, a proporção das vendas das ações da Apple levantou temores entre os investidores de que a redução da posição da Berkshire possa sinalizar algo mais do que apenas uma prevenção para a possibilidade de impostos mais elevados.

Até agora, não está claro o que está por trás da liquidação da fatia na fabricante de iPhones.

Há a possibilidade de que o investidor esteja apenas realizando uma tradicional revisão de portfólio para garantir a eficiência da gestão da carteira e uma postura mais defensiva em meio às incertezas do cenário econômico para ativos de risco. 

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Afinal, Buffett já deixou claro que não gosta que o desempenho de sua holding seja dependente apenas de uma única ação — e a aposta na Apple já foi tamanha que a participação na big tech chegou a ocupar metade do portfólio de ações do conglomerado.

Hoje, o balanço mostrou que aproximadamente 72% do valor justo agregado da Berkshire está concentrado em cinco empresas: American Express (US$ 35,1 bilhões), Apple (US$ 84,2 bilhões), Bank of America (US$ 41,1 bilhões), Coca-Cola (US$ 25,5 bilhões) e Chevron (US$ 18,6 bilhões).

Entretanto, há especulações de que a decisão do Oráculo de Omaha possa estar ligada a suas visões sobre valuation ou desempenho operacional da Apple.

Depois de ser penalizada no primeiro trimestre por preocupações sobre o avanço da concorrência em inovações em inteligência artificial, as ações da Apple dispararam no segundo trimestre acumularam alta de 17% em 2024 em meio a novos detalhes sobre iniciativas em IA.

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As vendas da Berkshire

É importante destacar que as ações da Apple não foram as únicas liquidadas pela Berkshire Hathaway no trimestre passado.

Na realidade, a holding de Warren Buffett embolsou mais de US$ 75 bilhões (R$ 429,62 bilhões, no câmbio atual) em vendas no período. A cifra considera despejos bilionários de papéis do Bank of America e da BYD, entre outras participações.

Com a desova, o caixa do conglomerado subiu para o recorde de US$ 277 bilhões (R$ 1,58 trilhão).

Já os lucros operacionais subiram para US$ 11,6 bilhões no segundo trimestre, cerca de 16% acima dos US$ 10 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.

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O lucro operacional refere-se ao lucro total dos negócios do conglomerado. Buffett há muito sustenta que o lucro operacional é um reflexo melhor de como a Berkshire está se saindo, uma vez que as regras contábeis exigem que a empresa inclua ganhos e perdas não realizados de sua enorme carteira de investimentos em seu lucro líquido. 

Os mercados voláteis podem fazer com que o lucro líquido do conglomerado mude substancialmente de trimestre para trimestre, independentemente de como estão seus negócios.

Nesse sentido, o lucro líquido da Berkshire caiu 15% no período, para US$ 30,34 bilhões, ante US$ 35,91 bilhões no ano anterior.

*Com informações da Reuters, CNN, CNBC e Bloomberg.

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