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O comprador foi um magnata chinês, que criou a própria moeda digital, e terá que trocar a fruta para ela não apodrecer
A definição do que é considerado arte ou não é extremamente pessoal e abstrata. É por isso que as mais recentes vendas de obras em uma das casas de leilão mais importantes do mundo tiveram, ao mesmo tempo, uma obra de Claude Monet e… uma banana.
Nesta semana, a Sotheby’s leiloou uma das Ninfeias do pintor francês por US$ 65,5 milhões, superando as expectativas. A obra, feita no jardim de Monet em Giverny entre os anos de 1914 e 1917, fazia parte da coleção do magnata da indústria de cosméticos, Sydell Miller, e foi comprada por um colecionador anônimo.
Mas esta não foi a peça que chamou mais atenção.
A obra Comedian, do italiano Maurizio Cattelan, não passa despercebida em lugar nenhum, desde que foi revelada ao mundo, na feira Art Basel, em Miami. Isso porque ela é “simplesmente” uma banana colada pregada na parede com fita.
A peça causou tanta comoção que precisou ser removida do evento por questões de segurança do público e de outros trabalhos artísticos.
Uma fruta nunca foi tão cara: a peça foi vendida na Sotheby’s pela extraordinária cifra de US$ 6,2 milhões, em um leilão de apenas sete minutos. O valor superou bastante as projeções, que estimavam o valor da negociação em, no máximo, US$ 1,5 milhão.
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E a história fica ainda mais interessante: a transação será feita em criptomoedas, já que o comprador é o empresário chinês Justin Sun, responsável por criar a moeda Tron.
Agora, como dono oficial da obra, ele será obrigado a trocar a banana toda vez que ela apodrecer.
“Isso não é apenas uma obra de arte. [Ela] representa um fenômeno cultural que une os mundos da arte, dos memes e da comunidade de criptomoedas. Acredito que esta obra inspirará mais reflexão e discussão no futuro e se tornará parte da história”, disse o comprador em uma declaração para a Sotheby’s.
Ele também anunciou os planos de comer a “banana-arte”. E ele não seria o primeiro.
A obra já foi comida duas outras vezes: primeiramente por um artista performático na própria Art Basel; e depois por um estudante no Museu de Arte de Seul em 2023, que alegou estar faminto.
Esta também não é a primeira peça polêmica de Cattelan, que já chegou a ser comparado ao irreverente Banksy. O italiano já apresentou um vaso sanitário dourado, intitulado American, e uma escultura do Papa atingida por um meteorito.

A Sotheby’s também vendeu outras obras antes pertencentes à Sydell Miller, além de Monet. O inventário incluía peças de artistas como Picasso, Kandinsky e Degas.
No total, a coleção particular do empresário rendeu US$ 215,6 milhões, incluindo as taxas coletadas pela casa de leilão. Recentemente, a Sotheby’s teve que pagar uma multa de US$ 6,25 milhões após uma ação judicial que a acusou de sonegação de impostos.
Entre as peças mais disputadas, estava um vitral de quase cinco metros da Tiffany Studios, feito em 1913 – o Danner Memorial Window. Ele foi vendido por US$ 12,5 milhões, superando as expectativas de US$ 7 milhões.
A venda marcou um recorde para obras da Tiffany Studios, que tinha leiloado o trabalho mais caro em US$ 3,4 milhões, na casa de leilão Christie 's, em 2018.
A escultura La Grande Dame (The Cat Woman) da pintora surrealista Leonora Carrington também foi uma das mais desejadas da noite, sendo comprada por US$ 11,4 milhões pelo colecionador argentino Eduardo Costantini.
Ele, inclusive, é o dono do Abaporu, de Tarsila do Amaral, que fica exposto no Malba (Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires).
No começo do ano, Constantini investiu US$ 28,5 milhões em outra obra da mesma artista, também leiloada na Sotheby’s.
*Com informações da Reuters, The Art Newspaper e The Collector.
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