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Pacote de estímulos de Xi Jinping é “mais do mesmo”, segundo avaliação do banco
A China está com dificuldades de retomar o ritmo de crescimento que a fez se tornar a segunda maior economia do mundo. A prolongada crise do mercado imobiliário parece não dar trégua, mesmo com os vários pacotes de estímulos anunciados pelo governo de Xi Jinping.
O problema é que as medidas continuam sendo “mais do mesmo”. Esta é a avaliação do Inter, em relatório recente.
“Sem uma política fiscal mais ativa, muito dificilmente a economia chinesa sairá do ciclo deflacionário”, acrescentam.
Xi até anunciou a emissão de 2 trilhões de yuans (R$ 1,5 trilhão, no câmbio atual) em títulos de dívida como parte das iniciativas de estímulo fiscal. Apesar de ir na direção correta, o banco brasileiro afirma que essa medida é muito tímida para causar o efeito necessário para reavivar a economia do gigante asiático.
Os analistas André Cordeiro e Gabriela Joubert avaliam que o erro do governo chinês está em focar em estímulos de crédito, com sucessivos cortes na principal taxa de juros para financiamento.
Acontece que a demanda por crédito é baixa no momento, sendo que, pela primeira vez desde 2005, mais empréstimos foram quitados do que contraídos.
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É um típico processo de desalavancagem, em que os agentes privados preferem quitar as dívidas a fazer novos gastos e investimentos. O resultado? Uma recessão de balanço e uma menor taxa de crescimento da economia.
O problema é justamente o ciclo vicioso que pode ser iniciado a partir desse contexto: a economia desacelera, os agentes (consumidores e empresas) priorizaram pagar as dívidas do que consumir, a economia desacelera.
O foco, na visão do Inter, deveria ser “uma combinação de estímulos fiscais e monetários para compensar a queda da demanda e as pressões sobre os ativos financeiros.”
Os analistas ainda acrescentam que o robusto pacote anunciado pelo Banco Popular da China (BPoC) não seria suficiente para garantir que a economia cresça de acordo com a meta de 5% ao ano.
A dificuldade da China de se recuperar após a Covid-19 se deve por alguns fatores. No pós-pandemia, o país permaneceu com uma política de tolerância zero, retardando a retomada das atividades, enquanto outras economias ocidentais priorizaram a reabertura, com a volta do consumo e, principalmente, do setor de serviços.
Durante a pandemia, a maioria dos países adotou estratégias de contenção de danos, distanciamento social e transferência de renda direta às famílias. O gigante asiático, por sua vez, colocou as empresas em primeiro plano.
Entre as medidas para ajudar as companhias, o Inter cita o adiamento de impostos, prolongamento das dívidas e o financiamento direto.
Os consumidores chineses, de certa forma desamparados, reagiram aumentando poupanças para criar uma reserva de emergência.
O mercado parece dividido sobre a eficácia das medidas de Pequim. Nos últimos dias, no entanto, a bolsa chinesa está performando bem, com o melhor desempenho nos últimos 16 anos.
O minério de ferro voltou ao patamar de US$ 100 a tonelada, após cair de US$ 150 para US$ 90, com o enfraquecimento da demanda da indústria siderúrgica — baixa impulsionada pela crise imobiliária.
No contexto macroeconômico, a queda da taxa de juros dos Estados Unidos pode fazer com que o mercado aumente novamente o apetite pelo risco.
Ainda assim, o Inter considera a situação macroeconômica “ainda delicada e de difícil solução”.
“Se [os estímulos] serão suficientes para mudar o rumo da economia para frente, só o tempo dirá”, concluem.
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