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AVERSÃO AO RISCO NO RADAR

Dólar mais forte e juros longos mais altos? Como o mercado vai reagir ao atentado contra Trump

Mercado deve reagir a atentado contra Trump com aversão ao risco e temores fiscais com perspectiva de vitória do republicano

Tiros foram ouvidos em comício de Donald Trump.
Imagem: Reprodução: Sky News.

Analistas políticos norte-americanos consideram que o atentado sofrido por Donald Trump neste fim de semana aumenta suas chances de voltar à Casa Branca.

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Diante disso, a expectativa dos participantes do mercado financeiro é de que essa perspectiva comece a se manifestar nos preços dos ativos já a partir de segunda-feira (15).

Um exemplo disso já pode ser observado no mercado de criptomoedas, que funciona ininterruptamente.

O bitcoin (BTC) recuperou hoje (14) o patamar de US$ 60 mil diante da perspectiva de vitória de Trump nas eleições presidenciais de novembro.

Mas a reação dos investidores não ficará restrita a mercados alternativos. O incidente também vai influenciar ativos mais tradicionais, como ações, moedas e títulos de dívida.

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Aversão ao risco deve ser a primeira reação a atentado contra Trump

A aversão ao risco deve dar a tônica para o mercado norte-americano amanhã. No entanto, ainda é difícil de prever a intensidade, duração e os impactos dessa reação, diante da falta de precedentes. A avaliação é do economista-chefe da G5 Partners, Luis Otávio de Souza Leal.

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"Em condições normais, uma situação dessas deveria enfraquecer o dólar, porque foi um tiro no coração da sociedade americana. Mas a aversão ao risco pode fazer com que haja uma corrida para os ativos americanos, que são mais seguros", ele diz. "Mas a aversão ao risco nos Estados Unidos nunca é boa para países emergentes."

Para Leal, a primeira consequência óbvia do atentado é um grande aumento na chance de Trump se reeleger.

O economista traça um paralelo entre o atentado contra o ex-presidente americano e o ataque contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi alvo de uma facada durante a campanha presidencial de 2018.

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A segunda consequência, segundo o analista, é que deve crescer o medo de novos episódios de violência durante as eleições americanas deste ano, diante da polarização nos Estados Unidos.

Isso deve sinalizar ao mercado o risco de que o atentado seja apenas a "ponta do iceberg", alerta Leal.

"Isso veio de onde não se esperava: você esperava que uma atitude violenta pudesse partir dos apoiadores de Trump, como ocorreu na invasão do Capitólio. Mas o atentado mostra que o outro lado - não os democratas, mas os anti-Trump - também estão dispostos a atitudes desesperadas", afirma.

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Preocupação fiscal deve provocar alta dos juros longos nos EUA

O atentado contra o ex-presidente Donald Trump consolida a percepção de que o republicano é favorito para vencer as eleições deste ano, afirma o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale.

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Com isso, a tendência é de aumento das taxas longas de juros dos Estados Unidos, diante das incertezas sobre o futuro da política fiscal do país.

"O juro americano deve começar a cair no segundo semestre, porque estamos vendo a inflação em queda, mas a taxa longa de juros deve sentir o impacto dessa chance de um fiscal mais complicado", diz o economista.

"Vai ter uma grande preocupação sobre qual vai ser a política fiscal, e isso cobra um preço a mais nos juros."

Sergio Vale lembra que os EUA já têm um cenário fiscal complexo, com déficit na casa de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) e uma perspectiva de aumento dos gastos com previdência no futuro.

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Um ajuste fiscal no país necessariamente passaria por algum aumento da arrecadação, mas Trump tem se manifestado contra essa possibilidade, explica.

"Trump fala em cortar impostos para tentar aumentar o crescimento da economia e elevar a arrecadação, mas isso não funcionou quando se tentou", diz Vale.

Como fica o dólar

A perspectiva de uma taxa de juros mais alta, no entanto, não vai levar automaticamente a um cenário de fortalecimento global do dólar, segundo o analista.

Sergio Vale destaca que, se a elevação das taxas ocorrer na esteira de uma perspectiva de maior risco para a política fiscal, o impacto direto pode ser de desvalorização da moeda americana.

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"O comportamento da economia dos EUA tem sido cada vez mais parecido com a América Latina. Aqui, nós temos episódios de aumento dos juros por causa da incerteza fiscal e enfraquecimento do câmbio", explica.

Na avaliação do economista, tudo indica também um aumento do risco geopolítico, com a diminuição do papel dos Estados Unidos em episódios globais como a guerra na Ucrânia e o aumento do protecionismo econômico.

Ativos brasileiros devem reagir de forma positiva a atentado contra Trump

Já os ativos brasileiros negociados em Nova York devem reagir positivamente ao atentado contra Trump assim que o pré-mercado abrir.

Desta forma, tendem a iniciar em campo positivo na abertura dos mercados no Brasil nesta segunda-feira. A afirmação é do estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus.

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Conforme Laatus, o mercado tem demonstrado incômodo com a persistência do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que concorre à reeleição, em continuar a disputa, em meio a dúvidas a respeito do seu quadro de saúde.

"O atentado dá muito foco para quem o sofreu. Trump fica em evidência e cada vez mais fortalecido. As declarações de apoio ao candidato vieram de todos os lados políticos", diz Laatus.

Na opinião do estrategista, o mercado de renda variável brasileiro pode se beneficiar um pouco mais após a tentativa de assassinato do candidato republicano à presidência dos EUA.

"Juros futuros e dólar estão olhando mais para as movimentações políticas. O fiscal ainda incomoda. O dólar ainda tende seguir na faixa dos R$ 5,40 e os juros pressionados", afirma.

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Atentado contra Trump não deve mudar cenário para o Fed

Para Laatus, o atentado a Trump não deve mudar a condução da política monetária americana pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), mas sim a condição dos indicadores da maior economia do planeta.

"Não é a figura dele que vai mudar a direção do Fed. O fato é que cada vez mais há motivadores para cortes de juros nos EUA, quem sabe até três cortes ainda neste ano", cita.

*Com informações do Estadão Conteúdo.

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