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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

REAÇÃO AO RESULTADO

Por que a Oncoclínicas (ONCO3) cai na B3 mesmo depois de finalmente voltar a gerar caixa no 3T24

Com lucro em queda, receitas em desaceleração e despesas em alta, nem mesmo a geração de caixa foi capaz de diminuir o peso sobre as ações hoje

Camille Lima
Camille Lima
13 de novembro de 2024
14:24
Recepção de unidade da Oncoclínicas (ONCO3)
Recepção de unidade da Oncoclínicas. - Imagem: Divulgação

O mercado não se deu por convencido com o balanço da Oncoclínicas no terceiro trimestre de 2024.

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Com lucro em queda, receitas em desaceleração e despesas em alta, nem mesmo a geração de caixa — a primeira após muitos trimestres consecutivos de queima — foi capaz de diminuir o peso sobre as ações ONCO3 nesta quarta-feira (13).

Por volta das 14h, os papéis da rede de tratamentos oncológicos recuavam 6,97% e figuravam entre as maiores quedas da bolsa, cotados a R$ 4,14. No acumulado do ano, a desvalorização chega a 67% na B3.

O balanço como um todo veio mais fraco que o esperado pelos analistas, especialmente do lado da lucratividade. O lucro líquido desabou 97,9% em relação ao mesmo período do ano passado, encerrando o trimestre em R$ 3,1 milhões.

Segundo a empresa, o desempenho é reflexo da menor alavancagem operacional no trimestre, das despesas operacionais mais elevadas e da maior alíquota efetiva de imposto de renda no trimestre.

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Se desconsiderado o “efeito não caixa da apuração do valor justo do plano de incentivo de longo prazo (PILP)” da Oncoclínicas, ainda assim o lucro líquido teria somado R$ 8,9 milhões entre julho e setembro — queda de 94,6% na base anual.

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Uma das surpresas do balanço foi a geração de caixa, após uma sequência de consumo de caixa nos trimestres anteriores.

O fluxo de caixa livre foi positivo em R$ 20,3 milhões entre julho e setembro de 2024. É preciso destacar que esse montante positivo desconsidera uma série de fatores, como movimentações na dívida financeira, dividendos e capex das aquisições a pagar.

Segundo a empresa, a performance acompanhou a melhora na dinâmica de recebimentos e de capital de giro, além do menor volume de despesas financeiras após a injeção bilionária de capital e a maior disciplina em investimentos.

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Outras linhas do balanço da Oncoclínicas

A receita líquida da Oncoclínicas (ONCO3) subiu 16,6% no terceiro trimestre, para R$ 1,63 bilhão. O faturamento foi impulsionado pelo aumento de 7,9% nos volumes de procedimentos e pela alta de 4,9% do ticket médio no segmento de oncologia.

Enquanto isso, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, indicador usado para mensurar o potencial de geração de caixa de uma empresa, subiu 8,3% na comparação com o terceiro trimestre de 2023, a R$ 309 milhões.

Segundo o Itaú BBA, a empresa demonstrou melhores tendências de geração de fluxo de caixa devido a uma aceleração na arrecadação de planos de saúde, menores gastos com capex e caixa.

Mas mesmo diante da melhora na geração de caixa, a dívida continuou a se expandir. O endividamento líquido subiu a R$ 3 bilhões no fim do terceiro trimestre.

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Veja outros destaques do balanço do 3T24:

  • Custo dos serviços prestados caixa: -R$ 1,1 bilhão (piora de 19,6% a/a), equivalente a 62,1% da receita bruta;
  • Despesas operacionais caixa: R$ 280,2 milhões (+23,5% a/a), correspondente a 17,1% da receita líquida;
  • Dívida líquida somada às aquisições a pagar: R$ 3,3 bilhões;
  • Alavancagem: 2,5 vezes a relação entre dívida líquida + aquisições a pagar sobre o Ebitda ajustado dos últimos 12 meses (-0,4x a/a, mas +0,2.

Vale lembrar que, desde o quarto trimestre do ano passado, a Oncoclínicas mudou a forma como informa os custos e despesas operacionais no balanço após um relatório da gestora Polo Capital Management apontar problemas na contabilidade dos indicadores.

“Em particular, nos chama a atenção a forma pela qual a empresa tem lançado custos médicos no seu intangível (quando, entendemos, deveriam ser lançados no seu DRE). Somente no 1º trimestre de 2023 foram reconhecidos R$ 47 milhões de custos médicos no balanço”, disse a gestora, na carta mensal de junho de 2023.

Agora, o indicador de “custo dos serviços prestados” passou a incluir um componente de depreciação, antes inserido totalmente em “despesas operacionais”, para “refletir de forma mais apropriada o custo relativo aos procedimentos realizados nos cancer centers”, afirma a empresa.

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Hora de comprar as ações ONCO3? 

Para o BTG Pactual, três pontos do balanço da Oncoclínicas chamam atenção negativamente: a desaceleração no crescimento da receita, a pressão sobre as margens por conta da menor alavancagem operacional e despesas de reestruturação e mais uma rodada sequencial de aumento da dívida líquida.

“Com o consumo de caixa e o endividamento como preocupações persistentes, aguardamos mais sinais de disciplina de capital antes de ficarmos mais construtivos na tese de investimento na Oncoclínicas”, projetou o banco. 

Os analistas projetam que o desempenho das ações da Oncoclínicas continue “altamente ditado” pelo processo de desalavancagem — e o terceiro trimestre não proporcionou muito conforto aos investidores.

O BTG manteve recomendação neutra para as ações ONCO3, com preço-alvo de R$ 8,50 para os próximos 12 meses, alta potencial de 91% em relação ao fechamento passado.

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O JP Morgan também permaneceu neutro em relação às ações da Oncoclínicas. Na conta dos analistas, a empresa negocia a múltiplos de 12 vezes a relação preço/lucro para 2025.

Leia também: Oncoclínicas (ONCO3): Goldman Sachs faz cisão da participação na rede de oncologia e aumenta especulações sobre venda

“A queda em relação às expectativas foi motivada por uma combinação de resultados operacionais fracos, maiores despesas financeiras e uma queima de caixa de cerca de R$ 190 milhões de caixa no trimestre em meio à deterioração do capital de giro, principalmente recebíveis”, disse o banco norte-americano.

Na avaliação do Itaú BBA, o balanço da Oncoclínicas apresentou tendências positivas de receita e de fluxo de caixa, mas com números de lucratividade ainda fracos devido a despesas maiores e margem bruta de caixa pressionada.

O banco continuou com recomendação “outperform”, equivalente a compra, para os papéis ONCO3 e preço-alvo de R$ 9,00 para o fim de 2025, alta potencial de 102% frente ao último fechamento.

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Segundo o Goldman Sachs, a estratégia da Oncoclínicas em focar em pagadores de melhor qualidade, reduzindo a exposição àqueles com ciclo de pagamento mais longo, tem implicações negativas para a lucratividade, com crescimento mais lento, alavancagem operacional e mix de margem mais baixo.

No entanto, o banco vê positivamente o resultado futuro das tendências de cobrança de caixa marginalmente melhores.

Para os analistas, as tendências de geração de fluxo de caixa também foram “melhores do que o temido”, mas ainda é preciso ver “sinais mais consistentes de melhora estrutural nos prazos de recebimento”.

Apesar das ressalvas, o Goldman está otimista com o futuro da Oncoclínicas e tem recomendação de compra para as ações, com um preço-alvo de R$ 9,00 para os próximos 12 meses.

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