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Renan Sousa

Renan Sousa

É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney.

NO CAMINHO DO BEM

Medo da bomba fiscal? CEO do Bradesco (BBDC4) aponta dado que traz segurança para o banco após balanço sólido

As falas do executivo foram feitas durante um encontro com jornalistas para comentar os resultados do banco

Renan Sousa
Renan Sousa
31 de outubro de 2024
12:36 - atualizado às 8:55
CEO do Bradesco, Marcelo Noronha
CEO do Bradesco, Marcelo Noronha - Imagem: Divulgação Bradesco

O Bradesco (BBDC4) publicou seus números referentes ao terceiro trimestre nesta quinta-feira (31) e, com dados positivos, as atenções se voltam para o futuro das instituições financeiras

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Isso porque as perspectivas com a deterioração do cenário macroeconômico, em especial com o caminho que a dívida pública está tomando, vem preocupando os integrantes do mercado financeiro. 

Ou pelo menos, parte deles.

O CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, afirma que a instituição não trabalha com o mesmo cenário que os operadores que enxergam uma piora substancial do mercado brasileiro em um curto ou médio espaço de tempo. 

“Falar em cenário deteriorado é meio etéreo. A gente tem que entender o que é esse cenário. Eu sou otimista com o pé no chão, com base em um cenário concreto”, disse Noronha, durante teleconferência com jornalistas para comentar os resultados do banco.

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Ele explicou que o panorama atual de gastos, somado aos juros elevados, impacta diretamente no chamado “risco país”.

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Porém, o plano do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de inserir dentro do arcabouço gastos que inicialmente ficaram de fora da conta para cumprir a meta fiscal é algo positivo e pode reverter — ainda que em parte — o cenário mais pessimista.

Indicador3º Trimestre 2024Variação AnualVariação Trimestral
Lucro Líquido R$ 5,225 bilhões13,10%10,80%
ROE (%)12,40%1,1 p.p.1,0 p.p.
Carteira de CréditoR$ 943,9 bilhões7,60%3,50%
Fonte: Balanço do Bradesco

Como isso afeta os negócios do Bradesco (BBDC4)?

O mercado brasileiro passou a enxergar uma possibilidade maior de juros elevados por um período prolongado. Além disso, a inflação também deve superar o teto da meta estipulado pelo Banco Central neste ano.

“[Esse cenário] impacta todos os negócios, mas cada setor tem que avaliar em que medida”, diz, dando como exemplo o porquê dele não enxergar a possibilidade de uma explosão da inadimplência, mesmo com esse cenário. 

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O CEO do segundo maior banco privado no Brasil explicou que são dois os principais fatores que impactam na renda da população: inflação e desemprego. Sobre este segundo, Noronha entende que a taxa está em níveis muito baixos e deve se manter assim por algum tempo. 

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada nesta quinta-feira pelo IBGE, a taxa de desemprego no Brasil caiu para 6,4% no trimestre terminado em setembro.

Com isso, 58,4% das pessoas em idade de trabalhar no Brasil estão empregadas — o maior nível de ocupação para um terceiro trimestre.

“Com esse nível de emprego, o cenário é relativamente seguro, então estamos fazendo crédito seguro. Continuo otimista com o que a gente vai entregar nos próximos trimestres”, afirmou Noronha, quando perguntado sobre o ritmo de crescimento da carteira de crédito do Bradesco. 

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O impacto da Cielo nos negócios

Neste trimestre, o Bradesco viu um crescimento bastante significativo das despesas operacionais, que cresceram 9,9% em 12 meses, para R$ 15,1 bilhões. Vale destacar que as projeções de crescimento (guidance) desta linha do balanço apontavam para algo entre 5% e 9% no ano.

De acordo com o banco, parte desse aumento das despesas está em linha com a inflação. Outra parcela é referente à operação com a Cielo (CIEL3), que fechou o capital neste ano.

“Nós sempre vamos demonstrar o impacto da Cielo no balanço para que o mercado trabalhe com bases ajustadas até o final do ano que vem, quando essa operação deve ficar normalizada”, diz Noronha. 

Mesmo descartando o efeito da Cielo no balanço, as despesas ainda tiveram um crescimento relativamente alto. O CEO explica que boa parte dele se deve à contratação de pessoal de tecnologia, “que tem uma média salarial um pouco mais alta.” 

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Provisões menores no Bradesco

Por fim, a linha do balanço que contabiliza as provisões para devedores duvidosos (PDD) também está abaixo do guidance nos primeiros nove meses do ano. 

Enquanto as expectativas eram de algo entre R$ 35 bilhões a R$ 39 bilhões, a PDD expandida do banco realizou R$ 22,2 bilhões em proteções do gênero. 

Sobre o tema, Marcelo Noronha afirmou não estar “esperando nenhuma surpresa para o quarto trimestre” e ressaltou que o banco trabalha com modelos que garantem uma qualidade maior do crédito. 

“Clientes com um rating [avaliação] de crédito tipo AA e B representavam 50% em 2019, e hoje são quase 75%”, diz Noronha. “Toda nossa oferta de crédito se baseia em RAR: retorno ajustado ao risco.”

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Esses modelos, explica ele, somados com o cenário base de inflação controlada e desemprego baixo, garantem que a expansão da oferta seja segura para o Bradesco.

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