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A democrata e o republicano têm posições divergentes em relação aos setores de energia e defesa; saiba como os negócios das duas companhias brasileiras podem ser afetados
Duas empresas brasileiras sentem o efeito direto da eleição presidencial nos EUA, marcada para o dia 5 de novembro, devido à exposição dos negócios à maior economia do mundo: Embraer (EMBR3) e Weg (WEGE3). Sem um vencedor claro até o momento, o que pode acontecer com as ações dessas duas companhias?
A primeira coisa a se ter em mente é que a democrata Kamala Harris e o republicano Donald Trump expressaram visões completamente diferentes com relação aos setores de defesa e energia.
No caso da Embraer, os gastos militares são um tópico crucial, juntamente com possíveis barreiras comerciais, como tarifas de importação sobre produtos manufaturados.
Para a Weg, a discussão principal gira em torno do Inflation Reduction Act (IRA) e do apoio do governo dos EUA à infraestrutura de energia renovável.
“Apesar da retórica da campanha, acreditamos que o impacto comercial das eleições nas duas empresas será mínimo”, diz o BTG Pactual em relatório.
Antes de falar diretamente sobre a Weg, é importante saber o que cada um dos candidatos à presidência dos EUA pensa sobre o segmento em que a “fábrica de bilionários” atua.
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Do lado democrata, Kamala Harris está comprometida em implementar políticas climáticas e energéticas fortes, priorizando a proteção ambiental e práticas sustentáveis.
Como vice-presidente, ela desempenhou um papel crucial na aprovação do Inflation Reduction Act, que alocou financiamento significativo para energia renovável, créditos fiscais para veículos elétricos e programas de desconto.
Já Trump reverteu alguns acordos ambientais internacionais na primeira passagem pela Casa Branca, incluindo restrições às emissões de dióxido de carbono de usinas de energia e veículos.
Agora, o republicano já expressou a intenção de expandir a perfuração no Ártico e demonstrou ceticismo em relação aos carros elétricos. Além disso, Trump enfatiza a desregulamentação e apoia os setores tradicionais de energia, ao mesmo tempo em que visa aliviar o que vê como regulamentações ambientais onerosas.
Como a Weg pode ser afetada por tudo isso? A companhia já demonstrou forte crescimento no mercado dos EUA nos últimos anos, impulsionada principalmente por dois produtos principais: motores elétricos de baixa tensão (LV) e transformadores de potência.
Para o BTG, a demanda por esses dois tipos de equipamento não será afetada por fatores políticos.
“Para motores elétricos, há aplicações em energia renovável e tradicional, com o setor de óleo e gás sendo um consumidor significativo de tecnologia de bombeamento. O mesmo vale para transformadores de energia, cuja perspectiva otimista decorre da falta de capacidade de produção de equipamentos de energia em meio à crescente demanda no país”, dizem os analistas em relatório.
Na visão deles, independentemente do resultado das eleições nos EUA, é improvável que haja mudança no atual desequilíbrio entre oferta e demanda para os dois produtos da Weg.
Na bolsa brasileira, as ações da Weg acumulam alta de 53,4% no ano e de +2,6% em outubro. Cinco casas têm recomendação de compra para o papel e duas têm posição neutra, com preço-alvo médio de R$ 54,30, segundo a Broadcast.
Nesta quinta-feira (24), WEGE3 era negociada em baixa de 0,93% na B3, cotada a R$ 55,69 por volta de 13 horas.
Assim como no setor de energia, Trump e Kamala também divergem quando o assunto é defesa.
De um lado, a democrata demonstra estar comprometida em apoiar a Ucrânia pelo tempo que for necessário, quer garantir que os EUA saiam vitoriosos na competição com a China e defende uma solução pacífica de dois estados para israelenses e palestinos.
Do outro, Trump diz que poderia resolver rapidamente o conflito na Ucrânia por meio de negociações com a Rússia — uma posição que os democratas temem que possa fortalecer Putin. Embora expresse forte apoio a Israel, o republicano ainda não forneceu um plano detalhado para acabar com a guerra em Gaza.
Vale lembrar que, historicamente, as ameaças externas têm sido impulsionadores significativos dos gastos militares nos EUA e do desempenho das ações de defesa, independentemente de um democrata ou republicano estar na Casa Branca.
“Especificamente em relação à Embraer, o mercado parece estar monitorando de perto o impacto potencial das tarifas de importação sobre produtos estrangeiros como os jatos da companhia, particularmente se Donald Trump vencer a eleição”, dizem os analistas do BTG.
Segundo o banco, se tarifas de importação mais altas forem cobradas, os preços dos jatos podem aumentar, potencialmente interrompendo a cadeia de suprimentos da Embraer nos EUA e afetando os custos de aquisição de aeronaves para muitas companhias aéreas norte-americanas.
“Embora preços mais altos para os E2s possam desacelerar os esforços de marketing da empresa na região, acreditamos que o sucesso do E2 nos EUA depende mais dos regulamentos da cláusula de escopo do que dos preços relativos, especialmente considerando que os jatos da Airbus também são importados”, acrescentam os analistas.
Na bolsa brasileira, as ações da Embraer acumulam alta de 122,3% no ano e de +3,8% em outubro. Três casas têm recomendação de compra para o papel e duas têm posição neutra, com preço-alvo médio de R$ 48,550, segundo a Broadcast.
Nesta quinta-feira (24), EMBR3 era negociada em alta de 1,32% na B3, cotada a R$ 49,81 por volta de 13h
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A recomendação do BTG é de compra, com preço-alvo de R$ 40. “Do ponto de vista de valuation, a Azzas está sendo negociada a cerca de 7x P/L para 2026, um nível significativamente descontado em relação aos pares do setor”, afirma o banco
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