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O movimento negativo da varejista de moda também vem na esteira da saída de José Galló, que encerrou ciclo de 32 anos na Renner
A combinação de um balanço sem brilho e a saída definitiva de um executivo que marcou história pesam sobre as ações da Lojas Renner (LREN3) na B3 nesta sexta-feira (15).
Por volta das 12h45, os papéis da varejista de moda recuavam 4,36%, negociadas a R$ 15,79. No acumulado do ano, a desvalorização dos papéis chega a 8%. Confira a cobertura de mercados em tempo real do Seu Dinheiro aqui.
Depois de deixar o cargo de CEO em 2019 para assumir apenas o chapéu de conselheiro, José Galló, principal responsável por fazer da Renner a atual gigante do setor, decidiu sair do colegiado — marcando o fim de um ciclo de 32 anos.
Junto com ele, o conselho da Renner também vai perder Thomas Herrmann, que assim encerra a passagem de 14 anos na varejista.
A saída de Galló acontece em um momento difícil para a Lojas Renner, que sofre com a concorrência das varejistas chinesas e o atual ciclo de juros altos. O balanço que a rede divulgou ontem à noite reflete esses desafios — levando inclusive a percepções discrepantes dos analistas sobre os números do último trimestre do ano. Copos meio cheios ou meio vazios.
“2023 foi um ano de desafios, mas sem dúvida conseguimos garantir crescimento com muito mais rentabilidade para os próximos anos", disse o CEO Fabio Adegas Faccio.
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Em teleconferência com analistas realizada nesta manhã, o CEO da Renner procurou passar a mensagem de que o pior momento da varejista ficou para trás.
Se o ano passado foi marcado pela transformação da varejista, o executivo se prepara para colher os frutos já em 2024. Para saber o que esperar da empresa, é só continuar a leitura da matéria.
Na visão do CEO, os investimentos realizados pela Renner ao longo de 2023 “prepararam as marcas para ganhos crescentes” nos próximos anos — porém, a transformação ainda deve pressionar a performance de curto prazo da varejista.
Para Faccio, a Renner deve ter uma boa performance no primeiro trimestre deste ano, mas ainda com efeitos da estabilização. “Passados esses efeitos iniciais, essas transformações nos proporcionam grandes alavancas de crescimento”, disse o executivo, na conferência de resultados.
Uma das principais mudanças realizadas em 2023 e pontuadas pelo executivo durante a conferência foi a transição da operação logística com a criação do novo centro de distribuição (CD) em São Paulo.
Para o diretor financeiro (CFO e de relações com investidores (DRI) da Renner, Daniel Martins dos Santos, o novo CD passou por uma “prova de fogo” no ano passado e ainda precisará eliminar ineficiências ao longo de 2024.
Além da mudança em logística, em 2023, a empresa decidiu realizar ajustes na pirâmide de preços para melhorar a competitividade, além de aumentar o volume de peças e acelerar a velocidade de novas coleções.
Do lado de crédito, o braço financeiro da companhia, a Realize, manteve a estratégia de restrição e atração de clientes de menor risco devido à conjuntura econômica externa e ao aumento da inadimplência nos últimos anos.
De acordo com o diretor presidente da Lojas Renner (LREN3), o primeiro trimestre de 2024 deve registrar uma tendência similar ao que foi no 4T23: uma continuidade da dinâmica de vendas com preços equilibrados.
O objetivo da Renner para 2024 é continuar impulsionando as vendas através de volumes maiores, com “aumento de peças por sacola”, segundo o CEO, enquanto mantém preços atrativos para clientes e estoques mais enxutos.
Já para o CD, o foco é que a unidade se torne mais uma alavanca de melhoria de eficiência operacional e financeira, escalando os ganhos e reduzindo cerca de 50% das despesas adicionais do centro de distribuição. Porém, essa “eliminação de redundâncias” deve se estender até o próximo ano, segundo os executivos.
Além disso, a varejista pretende retomar a oferta de crédito através da Realize, dada a melhora no cenário econômico — o que deve impulsionar as vendas de lojas físicas da Renner, especialmente em praças com maior dependência de clientes com crédito para vender.
Em relação a novos investimentos, o CEO prevê uma redução de capex em relação ao último ano, para algo em torno de R$ 800 milhões.
Já a destinação desses recursos deve priorizar remodelações de lojas e abertura de novas praças — isto é, investimentos em áreas que gerem mais receita.
“Investimos em transformação e agora podemos fazer expansão com menos recursos”, destaca o CEO. “Iniciamos 2024 conscientes dos desafios externos presentes, mas muito mais convencidos da nossa capacidade de conquistar e encantar clientes.”
A Lojas Renner publicou na noite de ontem o balanço do quarto trimestre de 2023.
Confira os principais números da varejista e a variação dos indicadores em relação ao mesmo período do ano anterior:
Na visão da XP Investimentos, a Lojas Renner (LREN3) teve “um conjunto de resultados fracos” no último trimestre de 2023, com um sutil crescimento da receita e um fraco resultado do Ebitda devido à menor margem de lucro no varejo.
Já para o Itaú BBA, o quarto trimestre de 2023 da Lojas Renner (LREN3) foi fraco, mas mostra uma fresta de esperança — especialmente do lado da Realize, com a tendência de melhoria da qualidade de crédito na operação.
Segundo os analistas do banco, o desempenho do braço financeiro levanta a questão de quando a expansão da carteira de crédito private label ganhará a força necessária para impulsionar as vendas no varejo.
Os analistas mantiveram a recomendação de “outperform” — equivalente a “compra” — para as ações, com preço-alvo de R$ 20, implicando em um potencial de valorização de 18% em relação ao último fechamento.
Enquanto isso, a Genial Investimentos acredita que o resultado da Renner no 4T23 foi positivo, com “evolução em todas as linhas”, com um maior volume de vendas e melhora na rentabilidade líquida.
“Já éramos mais otimistas que o mercado em relação ao resultado operacional a ser reportado pela Renner neste 4º trimestre e, ainda assim, a companhia nos surpreendeu positivamente”, destacam os analistas.
Para a Genial, a ação da Renner está “barata demais para ser ignorada”, com a companhia sendo negociada a um múltiplo de 15 vezes a relação preço sobre lucro (P/E) para 2024 — um desconto de 53% em relação à média histórica dos últimos 5 anos.
A corretora projeta um crescimento ainda maior da margem operacional da Renner em 2024, além de um aumento na alavancagem operacional.
Os analistas continuam a recomendar a compra dos papéis LREN3, com preço-alvo de R$ 18 para os próximos 12 meses — um leve potencial de alta de 6%.
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