Como Warren Buffett decide quando vender uma ação e por que o bilionário está ‘desovando’ papéis do Bank of America no mercado
O Oráculo de Omaha acendeu um alerta no mercado ao vender posições tradicionais em empresas como Apple e Bank of America

Quando Warren Buffett, megainvestidor dono da Berkshire Hathaway e conhecido por aplicar a filosofia de "buy and hold" ("comprar e segurar") vende uma ação, isso geralmente manda um sinal negativo para o mercado sobre determinada empresa ou setor.
Isso porque um dos principais fatores que motivam o Oráculo de Omaha a se desfazer de suas ações é a sua visão sobre a situação da empresa investida. Se a vantagem competitiva daquele negócio já foi corroída, é hora de despejar os papéis no mercado.
"Nós somos mais relutantes em vendê-las do que a maioria das pessoas", disse Buffett sobre suas grandes posições na reunião anual da Berkshire Hathaway em 2009.
"Se tomamos a decisão certa ao entrar, gostamos de aproveitar isso por muito tempo, e possuímos algumas ações há décadas. Mas se a vantagem competitiva desaparece, se realmente perdemos a fé na administração, se estávamos errados na análise original — e isso acontece — nós vendemos."
Quando Buffett investiu nos jornais americanos Omaha World-Herald e Buffalo News na década de 1970, ele tinha a perspectiva de que esses negócios eram inexpugnáveis.
No entanto, no início dos anos 2000, sua visão sobre esse setor mudou, pois a queda na receita com publicidade e a ascensão das plataformas digitais afetaram os lucros.
Leia Também
Então, no ano de 2020, o grupo Berkshire Hathaway vendeu suas operações jornalísticas à Lee Enterprises por US$ 140 milhões (R$ 760 milhões), abandonando um setor no qual Warren Buffett defendeu por muito tempo, apesar da queda nas perspectivas financeiras.
- Veja mais: analista aponta que a Bolsa brasileira pode ficar fora do rali de natal; entenda o motivo
Warren Buffett ‘despeja’ ações do Bank of America (BofA)
Algumas ações estão há décadas no portfólio de Buffett. O investidor tem participações na Coca-Cola desde 1988, por exemplo, e na American Express desde 1991.
Talvez seja por isso que a lenda dos investimentos, hoje com 94 anos, tem causado espanto no mercado ao se desfazer de cerca de US$ 9 bilhões em ações do Bank of America (BofA) desde julho deste ano.
Apesar de já ter vendido bilhões em ações, a Berkshire ainda permanece como a principal acionista do banco, com aproximadamente 12% de participação.
Em 2011, ao comprar US$ 5 bilhões em ações preferenciais do BofA e também fazer garantias (warrants) para comprar 700 milhões ações ordinárias, Buffett deu um “voto de confiança” essencial para o Bank of America, após a crise financeira de 2008.
Desde então, o bilionário já lucrou bastante com o bancão estadunidense.
Até agora, os motivos exatos para a venda das ações não foram divulgados. Mas o mercado observa de perto essa movimentação do megainvestidor, que é um dos grandes “termômetros” para os bancos e gestoras do mundo todo.
Essa “desova de ações” pode dar sinais de como a Berkshire está pensando o setor bancário e a sua estratégia de investimentos como um todo.
Vale lembrar que, nos últimos anos, o bilionário despejou suas participações em outros bancos como JPMorgan, Goldman Sachs, Wells Fargo e U.S. Bancorp.
“Não sabemos para onde os acionistas dos grandes bancos, necessariamente, ou dos bancos regionais ou de qualquer banco estão indo agora”, disse Buffett em 2023.
“O público americano provavelmente está tão confuso sobre o setor bancário quanto sempre. E isso tem consequências. Ninguém sabe quais são as consequências porque cada evento começa a recriar uma dinâmica diferente.”
Quando os bancos Silicon Valley Bank (SVB) e o Signature Bank entraram em colapso no ano passado — duas das maiores falências bancárias de todos os tempos —, Warren Buffett previu mais falências no futuro, mas manteve sua participação no Bank of America.
“Mas eu sei como projetar o que vai acontecer a partir daqui?”, Buffett perguntou na época. “A resposta é que não sei.”
- “Preferimos estar concentrados em empresas de alta qualidade de execução”, diz a analista Larissa Quaresma; veja as 10 ações que compõem seu portfólio atual
*Com informações da CNBC
ALÉM DAS FRONTEIRAS
Petrobras acena com descobertas de gás na Colômbia. Aonde a estatal quer chegar?
21 de setembro de 2026 - 14:04ACESSO AO MERCADO DE CAPITAIS
J&F, dos irmãos Batista, pede registro de companhia aberta na CVM: entenda o plano da gigante para ser mais que uma holding
21 de setembro de 2026 - 11:04MAIS UM PASSO
Braskem (BRKM5) vai deixar a B3? CVM dá sinal verde para OPA. Saiba o que isso significa para os acionistas minoritários da petroquímica
21 de setembro de 2026 - 10:42MARGEM EQUATORIAL
Petrobras (PETR4) e MPF entram em briga pela exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Qual é o impasse?
21 de setembro de 2026 - 10:29ENTREVISTA EXCLUSIVA
Bradesco (BBDC4) está prestes a receber R$ 10 bilhões para crescer, mas não vai acelerar: “Não queremos voo de galinha”, diz CFO
21 de setembro de 2026 - 6:15COMPRA OU VENDER
Vale (VALE3) no olho do furacão? CEO da mineradora abre o jogo; Citi e Itaú BBA dizem o que você deve fazer com a ação
20 de setembro de 2026 - 13:33MERCADO USA A RÉGUA ERRADA?
Citi sobe o preço-alvo de BTG Pactual (BPAC11) e vê espaço para ação se descolar dos bancões
19 de setembro de 2026 - 16:55VAI PINGAR POR AÍ?
Porto (PSSA3), Totvs (TOTS3) e Fleury (FLRY3) colocam R$ 636 milhões em JCP no radar; veja quem tem direito
19 de setembro de 2026 - 15:47QUEM ESCOLHE QUEM FISCALIZA?
Perto do dono, longe da autonomia? O dilema da independência nos conselhos das empresas da bolsa
19 de setembro de 2026 - 12:38POR DENTRO DO NEGÓCIO
Cheque bilionário do Itaú (ITUB4) para a Eztec (EZTC3) deve impactar mercado de escritórios em São Paulo
18 de setembro de 2026 - 18:34PISOU NO FREIO
A maré virou para os bancões? Safra corta preço-alvo de Itaú, Bradesco e Banco do Brasil. Ainda vale apostar em alguma dessas ações?
18 de setembro de 2026 - 16:46LOJA COMPLETA
Assaí (ASAI3) enche o tanque com a compra de postos por R$ 80 milhões; entenda o que isso significa para o investidor
18 de setembro de 2026 - 14:03VOLTA AO PRESENCIAL?
Itaú (ITUB4) quer ocupar mais espaço em SP: banco aluga 100% de empreendimento da Eztec (EZTC3); entenda a estratégia
18 de setembro de 2026 - 10:18POTE DE OURO
O ‘trade’ de Vivara (VIVA3) que poucos perceberam: ouro comprado na baixa agora ajuda a turbinar o caixa
18 de setembro de 2026 - 6:07DISTRIBUIÇÃO DE PROVENTOS
Dividendos e JCP: Lojas Renner (LREN3), TIM (TIMS3), Cemig (CMIG4) e B3 (B3SA3) pagam juntas mais de R$ 2 bilhões aos acionistas
17 de setembro de 2026 - 18:34COMPROMISSO AMBIENTAL
Natura (NATU3) emite R$ 700 milhões em debêntures com meta ligada ao uso de plástico sustentável
17 de setembro de 2026 - 18:24TODO CUIDADO É POUCO
As 3 ações do varejo que se dão bem com o aumento do Bolsa Família — e a pegadinha desvendada pelo J.P.Morgan
17 de setembro de 2026 - 18:00MUDANÇAS NO ALTO ESCALÃO
Taesa (TAEE11) escolhe ex-CFO da Petrobras para o comando do conselho — e ela já foi eleita uma das mulheres mais poderosas do mundo
17 de setembro de 2026 - 12:06COMBUSTÍVEIS
Mais caixa e dividendos no tanque: Santander divulga novo preço-alvo para Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3), com potencial de alta de 27%
16 de setembro de 2026 - 16:31NA BERLINDA