Com aumento de mais de 230% no lucro, Vibra (VBBR3) “segue entregando tudo” e ações ficam entre as maiores altas do Ibovespa — vale a pena comprar agora?
A Vibra, maior distribuidora de combustíveis do país, apurou um lucro líquido de R$ 4,2 bilhões no 3T24, segundo dados divulgados ontem

Em dia de queda no Ibovespa sob o efeito da vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, alguns ativos ainda operam em alta na sessão após a divulgação dos balanços do 3T24.
Nesta quarta-feira (6), as ações da Vibra Energia (VBBR3) chegaram a figurar entre as maiores altas do Ibovespa, subindo 2,50% a R$ 23,53 por volta das 14h. No mesmo período, o principal índice da bolsa brasileira caía 1,01%, aos 129.346,61 pontos.
No fechamento, os papéis VBBR3 subiram 1,67%, negociados a R$ 23,19. No ano, as ações da Vibra Energia acumulam alta de 6%. A ex-BR Distribuidora vale cerca de R$ 26 bilhões na bolsa.
O impulso dos papéis tomou força após a maior distribuidora de combustíveis do país apurar um lucro líquido de R$ 4,2 bilhões no 3T24 — uma alta de 234,7% na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo balanço divulgado ontem (6). Na comparação com trimestre anterior (R$ 867 milhões), o lucro foi 384,5% maior.
Segundo a Vibra, esse foi o melhor trimestre do ano para a companhia, “que segue focada em manter uma posição competitiva robusta, com estratégias de sourcing, logística e pricing bem estabelecidas, preparadas para aproveitar as oportunidades do próximo ciclo”.
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Os resultados da Vibra Energia no 3T24
Além do lucro recorde, a Vibra registrou Ebitda ajustado de R$ 1,99 bilhão no trimestre, uma queda de 14,8% no comparativo anual, mas acima das expectativas do mercado.
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A receita líquida ajustada somou R$ 46,44 bilhões, uma alta de 7,4% na comparação com mesmo período do ano passado, e avanço de 9,8% em relação ao trimestre anterior.
Já as vendas em volume somaram 9,38 milhões de metros cúbicos no terceiro trimestre de 2024. O número representa um recuo de 0,3% na comparação com o mesmo trimestre de 2023 (9,41 milhões de m³). Na comparação com trimestre imediatamente anterior (8,82 milhões de m³) houve avanço de 6,4% nesse volume de vendas.
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O que fazer com as ações VBBR3
Para o BB Investimentos (BB-BI), a Vibra teve resultados fortes no terceiro trimestre e “segue entregando tudo”. Além das margens sólidas de comercialização, a empresa conseguiu recuperar participação de mercado no segmento B2B, aumentou o fluxo de caixa livre, reduziu o nível de endividamento e apresentou ótimos números na adquirida Comerc.
Vale lembrar que, em agosto deste ano, a Vibra anunciou a antecipação do direito de compra de 50% das ações da Comerc, que atua no mercado livre de energia.
A distribuidora de combustíveis, no entanto, já atuava no mercado de energia desde que comprou a outra metade da Comerc no ano de 2021, por cerca de R$ 3,25 bilhões.
Apesar dos bons resultados, os analistas do BB destacaram alguns pontos negativos. Entre eles, a dificuldade da Vibra em recuperar a participação de mercado nos postos de combustíveis e menores volumes de vendas no trimestre em relação ao ano anterior.
“Mesmo com volumes mais baixos, a companhia tem entregue margens que otimizam a alocação de capital, vide o aumento no ROIC”, afirma o BB-BI, mencionando a elevação no ROIC (retorno sobre o capital investido) da companhia, que chegou a 18,8% no 3T24.
Os analistas destacam que a ação da Vibra acumula uma alta próxima a 20% nos últimos doze meses, acima das concorrentes Raízen (RAIZ4) (-20%) e Ultrapar (UGPA3) (+0,6%).
“Em nossa opinião, isso é reflexo de uma visão do mercado de que as boas margens e patamar de retorno devem seguir sustentando um aumento da remuneração ao acionista, principalmente após a conclusão do pagamento pela aquisição da Comerc”.
Por conta disso, o banco manteve a recomendação de compra para as ações VBBR3 e o preço-alvo de R$ 30, equivalente a uma alta de 32% sobre o fechamento anterior.
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Abaixo da média histórica
O BTG Pactual também reiterou a recomendação de compra para os papéis, mesmo com os resultados saindo pouco abaixo do esperado pelo banco, embora ainda sejam fortes. O preço-alvo é de R$ 35, equivalente a alta de 53% sobre o fechamento anterior.
O banco ressaltou que, no cenário de inflação e alto custo de capital, as ações da Vibra estão sendo negociadas abaixo de suas médias históricas, “mas oferecem uma boa previsibilidade de lucros em um ambiente competitivo mais favorável”.
“Esperamos que a empresa mantenha uma abordagem de crescimento conservadora após a aquisição total da Comerc, o que apoiará uma rápida desalavancagem em 2025 e deve levar a dividendos mais robustos no futuro”, afirmam os analistas do BTG Pactual.
O Santander, por sua vez, já previa uma reação positiva do mercado aos sólidos resultados da Vibra. “Acreditamos que o foco da Vibra na rentabilidade, priorizando sua própria rede e clientes diretos B2B, aliado a preços competitivos da Petrobras, foi essencial para o bom desempenho trimestral”, disseram os analistas do banco, em relatório sobre a empresa.
A instituição reiterou a recomendação “outperform” para os papéis da Vibra, equivalente a compra, com preço-alvo de R$ 33, uma alta de 45% sobre o fechamento anterior.
Para os analistas do Itaú BBA, a Vibra apresentou novamente resultados consistentes de melhora em seu negócio principal, superando a estimativa de volume de vendas do banco para o trimestre em 3,2% e a previsão de margem em 3,4%, “o que demonstra sua capacidade de recuperar participação de mercado enquanto mantém margens robustas”.
O BBA destacou o crescimento “impressionante” da Comerc, que reportou um Ebitda ajustado de R$ 317 milhões, um aumento de 39% em relação ao trimestre anterior. Os analistas também reiteraram a recomendação “outperform” para VBBR3, equivalente a compra. O preço-alvo para ação é de R$ 34, o que representa um potencial de alta de 49%.
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