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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

ENTREVISTA EXCLUSIVA

Aura Minerals (AURA33) quer ir às compras e anunciar aquisição até fim de 2025, afirma CEO — mas sem deixar dividendos de lado

Em entrevista ao Seu Dinheiro, Rodrigo Barbosa revelou quais são os principais alvos para potenciais fusões e aquisições — e o que esperar do ouro daqui para frente

Camille Lima
Camille Lima
29 de julho de 2024
6:03 - atualizado às 16:57
Rodrigo Barbosa, CEO da Aura Minerals (AURA33)
Rodrigo Barbosa, CEO da Aura Minerals (AURA33). - Imagem: Divulgação

A Aura Minerals (AURA33) se prepara para um novo trimestre de ouro. Em meio a um plano agressivo de crescimento, com a entrada de novos projetos em produção e com o preço do metal precioso nas alturas, o CEO Rodrigo Barbosa avalia que é hora de começar a olhar oportunidades de compra.

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Em entrevista ao Seu Dinheiro, Barbosa revelou que potenciais fusões e aquisições (M&As) são vistas como uma das principais estratégias de geração de valor para os acionistas atualmente.

“A gente tem ativamente olhado alternativas, nada para sair no curto prazo, mas que possa executar em um ou dois anos”, afirmou. 

De acordo com o executivo, o objetivo atual é iniciar o ano de 2026 já com pelo menos um novo projeto no portfólio. 

Inicialmente, o CEO tem na mira ativos ligados ao cobre, que estejam localizados na região das Américas e que estejam próximos da construção ou já em produção, para manter uma proporção de 70% ouro e 30% cobre no portfólio.

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Além disso, a Aura quer abocanhar novos negócios de exploração de ouro para aumentar a produção. 

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“No mercado de fusões e aquisições, é preciso saber que nem sempre você vai conseguir o que quer, você também tem que navegar de forma oportunística”, destacou. “Se só tentar fazer o que a gente realmente quer, às vezes o ativo não está disponível e nós acabamos pagando caro por isso. Então somos flexíveis para olhar para outras alternativas.”

As ações da Aura (ORA) acumulam valorização de cerca de 43% em 2024 na bolsa de Toronto. Já os BDRs (recibos de ações) negociados na B3 sob o ticker AURA33 subiram aproximadamente 61% desde janeiro.

Segundo dados do TradingView, o valor de mercado da mineradora canadense atualmente é estimado em R$ 4,05 bilhões.

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A promessa de crescimento com dividendos

Entretanto, a Aura não quer abrir mão dos dividendos em prol do crescimento. 

O plano de remuneração a acionistas prevê o pagamento de pelo menos 20% do Ebitda menos o capex recorrente — e os investidores de AURA33 devem receber um novo pagamento de proventos no fim de 2024.

Segundo Barbosa, existem três principais avenidas para destravar valor para os acionistas ao longo dos próximos anos: 

  • Executar os projetos em andamento; 
  • Aumentar as reservas de minério; e 
  • M&As.

“É mudar de múltiplo. A gente tem trabalhado bastante para passar do patamar de 450 mil onças anualizadas a serem entregues em 2025, então temos olhado alternativas de aquisições que podem trazer para o nossa ação uma valorização bem interessante”, afirmou.

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De acordo com o CEO, a maior parte dos investimentos deste ano devem se concentrar na execução de projetos greenfield, descoberta de novas áreas perto das minas da Aura e M&As.

“A gente projeta gastar de US$ 188 milhões a US$ 220 milhões de capex, sendo boa parte dele no segundo semestre. A segunda metade do ano será mais carregada em termos de capex, de produção e de geração de caixa.”

O que esperar da Aura Minerals daqui para a frente

De acordo com o CEO, a Aura deve entregar um crescimento robusto de Ebitda nos próximos trimestres, impulsionado pelo aumento do preço médio do ouro.

Além disso, Barbosa afirma que o segundo semestre tende a registrar uma expansão mais intensa de produção do que a primeira metade do ano, além de custos menores — o que deve-se traduzir em “ganhos interessantes de margem”.

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“A gente caminha para ter um crescimento bem interessante de produção ao longo do ano”, afirmou. “Com a entrada do Projeto Almas e a recuperação de produção das operações, estamos trimestre a trimestre apresentando aumentos.” 

Nas estimativas de Barbosa, a Aura não deve registrar nos próximos trimestres os mesmos problemas de produção vistos no ano passado.

“Agora ainda temos a entrada de Almas, que não estava em plena produção no ano passado”, ressaltou.

Vale destacar que o ritmo de crescimento da produção tende a desacelerar no fim de 2024. Entretanto, com a execução dos projetos e a entrada da operação de Borborema, Barbosa garante a continuidade do passo de expansão.

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“Quando a gente atingir o pico de produção de 2024, que vai acontecer no final do ano, logo começa a entrar a Borborema em 2025. Então, durante o ano que vem, vamos continuar crescendo a nossa produção combinada com o aumento de Ebitda.”

A Aura deve divulgar os resultados financeiros do segundo trimestre de 2024 na próxima segunda-feira (5). Confira aqui o calendário completo desta safra de balanços corporativos.

  • Os balanços do 2T24 já estão sendo publicados: receba em primeira mão a análise dos profissionais da Empiricus Research e saiba quais ações comprar neste momento. É totalmente gratuito – basta clicar aqui.

O ouro como proteção

Além disso, o CEO da Aura afirma estar otimista com o futuro do ouro. Apesar do rali recente, o executivo vê o metal precioso se apreciando ainda mais daqui para frente  beneficiado pela expectativa de redução dos juros nos Estados Unidos.

Mas para além da perspectiva mais otimista, mesmo cenários de maior risco, com aumento das incertezas macroeconômicas e das tensões geopolíticas, tendem a beneficiar a commodity metálica.

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“No ponto de vista geopolítico, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia levou os Estados Unidos a tomarem medidas que assustaram muito, com confisco das reservas russas em moeda norte-americana no mundo inteiro”, afirmou.

“Agora, os bancos centrais que teoricamente não são 100% alinhados com os EUA se mostram em busca de diversificação, porque eles não querem mais depender apenas do dólar, já que eles sabem que, em qualquer eventualidade, podem ter suas reservas bloqueadas.”

Além disso, do lado da política fiscal, o aumento de gastos e a tendência de déficit nas maiores economias do planeta também impulsionam o ouro como uma proteção na carteira de investimentos.

“O ouro é uma das grandes defesas contra a inflação e, para o brasileiro, é uma defesa dupla. Por ser uma empresa de ouro, a Aura tem suas receitas dolarizadas, então tem uma proteção natural contra a desvalorização do real frente ao dólar. Mas caso a moeda norte-americana caia, ela se desvaloriza justamente em relação ao ouro.”

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