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Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

ESCALADA NA B3

Ação da Ambipar (AMBP3) salta quase 30% na B3 e fecha pregão no maior patamar da história. Existe fundamento por trás de tanto otimismo? 

Em meio a mais um dia de valorização para os papéis na bolsa, os investidores seguem em busca de motivos que expliquem o impulso da empresa

Camille Lima
Camille Lima
2 de agosto de 2024
14:54 - atualizado às 18:05
Caminhão verde-limão da Environmental ESG, subsidiária da Ambipar que tenta fazer IPO na bolsa brasileira,
Caminhão da Environmental ESG, subsidiária da Ambipar que tenta fazer IPO na bolsa brasileira, - Imagem: Divulgação

O espírito das Olimpíadas contagiou a ação da Ambipar (AMBP3), que acabou de tomar impulso para um novo salto na bolsa brasileira nesta sexta-feira (2).

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Depois de liderarem os ganhos fora do Ibovespa nesta semana, os papéis continuaram a atrair as atenções e voltaram a puxar a ponta positiva da B3 hoje.

Ao fim do pregão, a valorização chegou a 28,90%, com AMBP3 cotada a R$ 66,90, no maior patamar de preços da história do papel.*

Com o desempenho robusto, a empresa de gestão de resíduos acumula alta da ordem de 300% em um mês, isto é, quadruplicou de valor na bolsa.

Em meio à disparada na B3, a Ambipar viu o valor de mercado cruzar a marca de R$ 10 bilhões na bolsa.

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Há motivo por trás da disparada da Ambipar (AMBP3) na B3?

A corrida da Ambipar (AMBP3) na B3 passou a levantar dúvidas entre os gestores sobre o que estaria por trás do impulso das ações — já que, em termos de fundamento, nada mudou radicalmente de um mês para cá.

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Uma das principais preocupações do mercado com as finanças da Ambipar era o patamar de endividamento da companhia depois da forte rodada de aquisições realizadas ao longo dos últimos anos.

A empresa já iniciou um processo de desalavancagem, mas até o trimestre passado, o nível ainda era considerado elevado — e ainda não há indícios de que essa situação tenha mudado.

O mercado só deverá ter uma confirmação nas próximas semanas, quando o balanço do segundo trimestre for publicado, em 15 de agosto.

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Em meados de julho, a própria CVM questionou a companhia se haveria algo por trás da valorização “atípica” das ações.

Na ocasião, a empresa afirmou que não tinha conhecimento de operações que poderiam resultar neste movimento e destacou que possuía um intenso programa de recompra de ações em curso.

Entretanto, desde então, a xerife do mercado de capitais brasileiro não enviou novos questionamentos à companhia sobre os potenciais motivos por trás das oscilações das ações AMBP3.

Procurada pelo Seu Dinheiro, a CVM informou que não comenta casos específicos, mas que "acompanha e analisa informações e movimentações no âmbito do mercado de valores mobiliários brasileiro, tomando as medidas cabíveis, sempre que necessário". 

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Em uma consulta processual no site da autarquia, é possível encontrar uma ação administrativa contra a Ambipar aberta no fim de junho de 2024 — período este que coincide com o início do movimento de alta das ações AMBP3 na bolsa.

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O salto das ações AMBP3 na bolsa brasileira

Apesar da falta de respostas concretas, alguns fatores podem explicar parte do movimento da Ambipar (AMBP3).

A alta se intensificou há cerca de um mês, quando os investidores começaram a especular sobre os planos do sócio fundador e CEO da companhia, Tércio Borlenghi Junior, para a companhia.

Afinal, após garantir uma fatia relevante da empresa na oferta de ações (follow-on) realizada no ano passado, Borlenghi Junior continuou a construir posição na Ambipar, elevando sua fatia para 73,135% do capital social.

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Essa situação inclusive levantou especulações no mercado sobre a necessidade de o CEO ser obrigado a fechar o capital da empresa por meio de uma oferta pública de aquisição de ações (OPA).

No entendimento de alguns investidores, o executivo supostamente teria ultrapassado o limite de um terço das ações da empresa em circulação (free float) na bolsa. Veja a reportagem completa aqui.

Segundo Guilherme Lavega, analista da Arkad, há a possibilidade de que a Ambipar (AMBP3) ainda esteja vivenciando um movimento de short squeeze na B3 — que acontece quando investidores com posições vendidas (short) desfazem suas apostas na queda do papel e recompram a ação para cobrir a posição, consequentemente elevando ainda mais os preços. 

Esse movimento foi amplificado pelas compras realizadas nas últimas semanas pelo controlador e pela Trustee, que reduziu a quantidade de papéis da Ambipar em circulação no mercado. Com isso, os investidores vendidos têm de pagar cada vez mais caro para zerar as posições.

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Ao mesmo tempo, a quantidade de ações disponíveis para aluguel -- necessário para manter a posição vendida -- diminuiu, o que provocou uma explosão das taxas. Assim, um investidor que queira tomar ações da Ambipar alugadas hoje paga taxas de quase 250%.

Nada mudou nesta história. O que está acontecendo é que o dono da empresa está comprando ações e os shorts estão tentando zerar as posições. Essa é a guerra que está rolando”, afirmou Bruce Barbosa, sócio-fundador e analista de ações da Nord Research.

Qual a relação entre a escalada da Ambipar (AMBP3) na B3 e Nelson Tanure?

Não bastasse a expectativa em relação ao CEO, os investidores ainda digerem os rumores de que o empresário Nelson Tanure estaria aumentando a participação na companhia para começar a exercer influência por lá.

Conhecido por sua gestão ativa nas companhias nas quais é acionista, Tanure possui em seu histórico casos como o turnaround na Prio (PRIO3) e a disputa societária na Gafisa (GFSA3).

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No dia 25 de julho, a Ambipar anunciou que os fundos da Trustee DTVM — que supostamente têm o empresário como cotista — abocanhou mais ações AMBP3.

Com a compra, a Trustee aumentou a participação para 11,03% do capital social da empresa, correspondente a cerca de 18,4 milhões de papéis ordinários — isto é, que conferem direito de voto em assembleias.

Segundo carta enviada pela gestora de fundos, o objetivo agora é indicar “um ou mais membros” para compor o conselho de administração da Ambipar.

“Não celebramos contratos ou acordos que regulem o exercício de direito de voto ou a compra e venda de valores mobiliários emitidos pela companhia”, afirmou, em nota.

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*Matéria atualizada para incluir as cotações de fechamento e outras informações

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