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Em meio a mais um dia de valorização para os papéis na bolsa, os investidores seguem em busca de motivos que expliquem o impulso da empresa
O espírito das Olimpíadas contagiou a ação da Ambipar (AMBP3), que acabou de tomar impulso para um novo salto na bolsa brasileira nesta sexta-feira (2).
Depois de liderarem os ganhos fora do Ibovespa nesta semana, os papéis continuaram a atrair as atenções e voltaram a puxar a ponta positiva da B3 hoje.
Ao fim do pregão, a valorização chegou a 28,90%, com AMBP3 cotada a R$ 66,90, no maior patamar de preços da história do papel.*
Com o desempenho robusto, a empresa de gestão de resíduos acumula alta da ordem de 300% em um mês, isto é, quadruplicou de valor na bolsa.

Em meio à disparada na B3, a Ambipar viu o valor de mercado cruzar a marca de R$ 10 bilhões na bolsa.
A corrida da Ambipar (AMBP3) na B3 passou a levantar dúvidas entre os gestores sobre o que estaria por trás do impulso das ações — já que, em termos de fundamento, nada mudou radicalmente de um mês para cá.
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Uma das principais preocupações do mercado com as finanças da Ambipar era o patamar de endividamento da companhia depois da forte rodada de aquisições realizadas ao longo dos últimos anos.
A empresa já iniciou um processo de desalavancagem, mas até o trimestre passado, o nível ainda era considerado elevado — e ainda não há indícios de que essa situação tenha mudado.
O mercado só deverá ter uma confirmação nas próximas semanas, quando o balanço do segundo trimestre for publicado, em 15 de agosto.
Em meados de julho, a própria CVM questionou a companhia se haveria algo por trás da valorização “atípica” das ações.
Na ocasião, a empresa afirmou que não tinha conhecimento de operações que poderiam resultar neste movimento e destacou que possuía um intenso programa de recompra de ações em curso.
Entretanto, desde então, a xerife do mercado de capitais brasileiro não enviou novos questionamentos à companhia sobre os potenciais motivos por trás das oscilações das ações AMBP3.
Procurada pelo Seu Dinheiro, a CVM informou que não comenta casos específicos, mas que "acompanha e analisa informações e movimentações no âmbito do mercado de valores mobiliários brasileiro, tomando as medidas cabíveis, sempre que necessário".
Em uma consulta processual no site da autarquia, é possível encontrar uma ação administrativa contra a Ambipar aberta no fim de junho de 2024 — período este que coincide com o início do movimento de alta das ações AMBP3 na bolsa.
Apesar da falta de respostas concretas, alguns fatores podem explicar parte do movimento da Ambipar (AMBP3).
A alta se intensificou há cerca de um mês, quando os investidores começaram a especular sobre os planos do sócio fundador e CEO da companhia, Tércio Borlenghi Junior, para a companhia.
Afinal, após garantir uma fatia relevante da empresa na oferta de ações (follow-on) realizada no ano passado, Borlenghi Junior continuou a construir posição na Ambipar, elevando sua fatia para 73,135% do capital social.
Essa situação inclusive levantou especulações no mercado sobre a necessidade de o CEO ser obrigado a fechar o capital da empresa por meio de uma oferta pública de aquisição de ações (OPA).
No entendimento de alguns investidores, o executivo supostamente teria ultrapassado o limite de um terço das ações da empresa em circulação (free float) na bolsa. Veja a reportagem completa aqui.
Segundo Guilherme Lavega, analista da Arkad, há a possibilidade de que a Ambipar (AMBP3) ainda esteja vivenciando um movimento de short squeeze na B3 — que acontece quando investidores com posições vendidas (short) desfazem suas apostas na queda do papel e recompram a ação para cobrir a posição, consequentemente elevando ainda mais os preços.
Esse movimento foi amplificado pelas compras realizadas nas últimas semanas pelo controlador e pela Trustee, que reduziu a quantidade de papéis da Ambipar em circulação no mercado. Com isso, os investidores vendidos têm de pagar cada vez mais caro para zerar as posições.
Ao mesmo tempo, a quantidade de ações disponíveis para aluguel -- necessário para manter a posição vendida -- diminuiu, o que provocou uma explosão das taxas. Assim, um investidor que queira tomar ações da Ambipar alugadas hoje paga taxas de quase 250%.
“Nada mudou nesta história. O que está acontecendo é que o dono da empresa está comprando ações e os shorts estão tentando zerar as posições. Essa é a guerra que está rolando”, afirmou Bruce Barbosa, sócio-fundador e analista de ações da Nord Research.
Não bastasse a expectativa em relação ao CEO, os investidores ainda digerem os rumores de que o empresário Nelson Tanure estaria aumentando a participação na companhia para começar a exercer influência por lá.
Conhecido por sua gestão ativa nas companhias nas quais é acionista, Tanure possui em seu histórico casos como o turnaround na Prio (PRIO3) e a disputa societária na Gafisa (GFSA3).
No dia 25 de julho, a Ambipar anunciou que os fundos da Trustee DTVM — que supostamente têm o empresário como cotista — abocanhou mais ações AMBP3.
Com a compra, a Trustee aumentou a participação para 11,03% do capital social da empresa, correspondente a cerca de 18,4 milhões de papéis ordinários — isto é, que conferem direito de voto em assembleias.
Segundo carta enviada pela gestora de fundos, o objetivo agora é indicar “um ou mais membros” para compor o conselho de administração da Ambipar.
“Não celebramos contratos ou acordos que regulem o exercício de direito de voto ou a compra e venda de valores mobiliários emitidos pela companhia”, afirmou, em nota.
*Matéria atualizada para incluir as cotações de fechamento e outras informações
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