Até quanto Roberto Campos Neto vai cortar a Selic? Esses três ex-diretores do BC traçaram suas apostas para os juros
Para um ex-diretor do BC, existe a possibilidade de que a nova diretoria do Banco Central passe a “reescrever o jogo” dos juros

A mudança de tom do Copom em relação à trajetória da política monetária no Brasil levantou dúvidas entre os integrantes do mercado financeiro sobre até onde Roberto Campos Neto pretende cortar a Selic.
Afinal, na última reunião do colegiado do Banco Central, Campos Neto passou a sinalizar apenas mais um corte de meio ponto percentual nos juros, e não mais uma sequência de reduções naquela magnitude.
A ligeira mudança de letra foi o suficiente para elevar a incerteza sobre o que esperar para a Selic — e nem mesmo os antigos diretores do Banco Central estão em harmonia sobre onde a taxa básica de juros vai parar ao fim do ciclo de cortes.
Durante o evento Brazil Investment Forum, do Bradesco BBI, os ex-BCs Alexandre Schwartsman, Carlos Viana e Fabio Kanczuk traçaram suas apostas para os juros e a nova direção do Banco Central.
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As apostas de Fabio Kanczuk para a Selic
No caso de Fabio Kanczuk, que atualmente trabalha como head de macroeconomia na ASA Investments, a expectativa é que o Copom faça apenas mais um corte de 0,50 ponto percentual na Selic na próxima reunião.
Dali em diante, a estimativa é que Campos Neto continue o ciclo de cortes, mas desacelere o passo para reduções de 0,25% em 0,25%, até que a Selic atinja o patamar de 8,5% ao ano no final de 2025.
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“O Fed [Federal Reserve, o banco central dos EUA] também deve começar a cortar os juros em 0,25 ponto percentual a cada duas reuniões e não deve atrapalhar por aqui. Já a inflação deve ficar meio chatinha, perto de 4%, mas mesmo assim o Banco Central vai até 8,5%”, disse Kanczuk, durante o evento
Relembrando, Kanczuk atuou como diretor de política econômica do Banco Central de 2019 a 2021. Antes disso, o economista trabalhou como secretário de política econômica durante o governo Michel Temer, de 2016 a 2018, ao lado do então ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que deu vida ao teto de gastos.
Até onde o Banco Central vai cortar os juros?
A aposta de Carlos Viana — head de research na Kapitalo Investimentos e ex-diretor do Banco Central entre 2016 e 2019 — para a Selic “terminal” também é de 8,5% ao ano no final de 2025.
Porém, segundo Viana, serão dois ciclos de cortes de juros devido à mudança de diretoria do Banco Central.
Para Viana, o Banco Central deve começar a tatear “o nível para parar” de diminuir os juros a partir de junho. Na visão do ex-BC, o Copom deve anunciar só mais uma redução de 0,50 ponto percentual, chegando a cerca de 9,5% ao ano em setembro.
“A partir daí, segue em aberto a possibilidade de continuidade do ciclo já no ano que vem, levando a Selic para perto de 8% ou 8,5% ao ano”, disse o antigo diretor do Banco Central.
“O BC está comunicando que quer parar num nível contracionista dadas as circunstâncias aqui, e depois a pressão para que a política monetária se torne menos contracionista vai acabar levando a uma distensão adicional.”
Por sua vez, Alexandre Schwartsman — que trabalhou como diretor do Banco Central entre 2003 e 2006 — aposta que a Selic chegue a 9,5% no final da rodada de reduções pelo Copom comandado por Roberto Campos Neto.
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A sucessão no Banco Central
Vale lembrar que o mandato de Roberto Campos Neto na chefia do Banco Central terminará no fim de 2024, levantando temores de uma mudança de direção do Copom em relação aos juros.
Para Fabio Kanczuk, quem deverá ocupar o lugar de presidente será Gabriel Galípolo, o atual diretor de política monetária do Banco Central.
“O presidente Lula vai atazanar [Galípolo] para jogar o juros para baixo. Ele vai resistir da melhor forma possível, mas vai ficar nesse embate.”
Enquanto isso, Alexandre Schwartsman vê um “conjunto vazio” no leque de possibilidades de novos diretores do BC.
“Qual é o perfil que eu acharia ideal? Tem dois na minha frente”, disse o economista, apontando para Kanczuk e Viana. “Mas qual desses dois é palatável para o atual governo? Desconfio que nenhum dos dois. A sinalização não é que o governo vai encaçapar alguém que queira seguir a regra do jogo.”
Schwartsman destaca a possibilidade de que o Banco Central possa “reescrever o jogo” dos juros. “Teve diretoria do BC que jogou o livro de regras pela janela, então pode ser que, sob nova direção, a gente veja uma política monetária mais agressiva, mas é complicado imaginar que a expectativa de inflação vai ficar parada.”
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