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Vale relembrar que, até a semana passada, a aposta dominante já era de que o Copom acelerasse o ritmo de aperto, mas para 0,75 ponto percentual

A última decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central, marcada para a próxima quarta-feira (11), está movimentando o mercado de opções do Copom nesta segunda-feira (9). De acordo com informações divulgadas pela B3, a expectativa por uma alta de 1 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, já ultrapassa todos os outros cenários.
Até a semana passada, a aposta dominante já era de que o Copom acelerasse o ritmo de aperto. Mas a magnitude mais esperada para o ajuste era de 0,75 ponto percentual, elevando a Selic para 12% ao ano.
Agora, os contratos de opção — que permitem justamente a negociação da variação da taxa meta, que é definida na reunião do comitê — mais negociados colocam os juros em 12,25% ao ano.
Vale destacar que especialistas de alguns dos principais bancos de investimento também apostam nesse cenário. É o caso do JP Morgan, por exemplo, que recalibrou as projeções para contemplar um ajuste de 1 p.p. ao final de novembro, logo após a atrapalhada divulgação do pacote de corte de gastos do governo.
Na ocasião, os analistas avaliaram que a proposta carecia de medidas para promover um ajuste mais estrutural com capacidade de reduzir significativamente o déficit fiscal. "Neste contexto, a política monetária necessitará agir de forma mais decisiva para neutralizar estes efeitos fiscais e seus riscos desequilibrados."
Além do JP Morgan, o Itaú BBA também acredita que a Selic deve chegar aos 12,25% nessa semana. E aposta ainda na inclusão de um guidance para outro ajuste de igual magnitude na primeira reunião de 2025, marcada para 28 e 29 de janeiro.
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“Tal decisão, unânime, seria justificada pela piora do cenário base e das projeções de inflação, com um balanço de riscos ainda assimétrico para cima, que levam à necessidade de avançar mais em território contracionista”, dizem os analistas do BBA.
Além dos contratos de opções de Copom, outro mercado em que também já é possível ver o efeito da escalada das expectativas para os juros futuros é o de títulos públicos. O Tesouro IPCA+ voltou a oferecer um retorno de mais de 7% acima da inflação hoje.
Segundo informações do site oficial do Tesouro Direto, o título com vencimento em 2029 registrava uma rentabilidade anual de IPCA+7,37%, enquanto o título com juros semestrais e vencimento para 2035 exibia uma taxa de IPCA+7,03%.
Vale destacar que, no curto prazo, o retorno dos títulos atrelados à inflação ficam abaixo da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 11,25% ao ano.
No longo prazo, no entanto, o Tesouro IPCA+ é imbatível. De acordo com os cálculos do analista de renda fixa do banco Inter, Rafael Winalda, considerando janelas de 60 meses (5 anos) e um retorno de 7% ao ano + IPCA versus a variação da Selic, a rentabilidade indexada à inflação vence a taxa básica nos períodos mais longos desde 2011.
Winalda analisou o desempenho em 20 anos do Tesouro IPCA+ emitido em 2004 e que venceu no último mês de agosto. O retorno acumulado do papel foi de 1.337%, ou cerca de 14% ao ano, quase o dobro dos 717% do CDI (taxa de juros que reflete a Selic) no período. Já a inflação foi de 315%.
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