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Enquanto os trabalhistas obtiveram maioria folgada para governar no Reino Unido, a França flerta com a paralisia política
A recente eleição no Reino Unido resultou em uma mudança de governo esperada, encerrando 14 anos de liderança Conservadora e iniciando um novo período sob o comando do Partido Trabalhista.
Com uma ampla maioria no Parlamento, o Partido Trabalhista terá liberdade para implementar suas políticas sem muitos obstáculos.
Os trabalhistas conquistaram uma vitória esmagadora, assegurando 410 das 650 cadeiras na Câmara dos Comuns, um feito que não ocorria desde a vitória histórica de Tony Blair em 1997.
Keir Starmer, líder do Partido Trabalhista, assumiu o cargo de primeiro-ministro, substituindo Rishi Sunak.
Durante o último ano, Starmer focou em fortalecer os laços com a União Europeia (UE), colaborando estreitamente com Ursula von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia.
Ele planeja estabelecer um pacto de segurança abrangente entre o Reino Unido e a UE, além de acordos bilaterais de defesa com a Alemanha e a França.
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A longo prazo, Starmer visa a reintrodução de uma união com a UE, mesmo que não a nomeie formalmente dessa forma. Embora haja possíveis mudanças na política externa, espera-se que a política econômica do Reino Unido permaneça estável, devido à orientação centrista de Starmer.
As eleições parlamentares resultaram em um parlamento sem maioria absoluta, o que surpreendeu muitos, especialmente diante da preocupação de que a Reunião Nacional (RN), de Marine Le Pen, pudesse obter controle completo.
Contrariando as expectativas, a maior parte dos assentos foi para a Nova Frente Popular (NFP), de esquerda.
O presidente Emmanuel Macron e seus aliados conseguiram impedir que o RN alcançasse a maioria, mas a França ainda enfrentará um período de paralisia governamental, uma vez que o partido de Macron ficou em segundo lugar, seguido pela RN em terceiro.
Esses resultados sugerem um ciclo político desafiador para ambos os países até as próximas eleições presidenciais.
Fonte: Bloomberg.
A Nova Frente Popular, uma coligação de esquerda, emergiu como a força dominante, conquistando 182 dos 577 assentos disponíveis.
A coalizão centrista Juntos, liderada pelo atual presidente Emmanuel Macron, ficou em segundo lugar, com 168 cadeiras, enquanto a extrema-direita, representada pela Reunião Nacional e seus aliados, obteve 143 assentos.
Apesar de o partido de Marine Le Pen ter recebido o maior número de votos individuais, a distribuição geográfica desses votos e as peculiaridades do sistema eleitoral francês de dois turnos relegaram o partido a uma decepcionante terceira posição.
Nos distritos onde nenhum candidato alcançou a maioria absoluta no primeiro turno, houve uma segunda votação, que frequentemente excluiu a extrema-direita devido a uma tática de retirada estratégica de mais de 200 candidatos das coligações de esquerda e centrista.
Com a vitória da NFP, é provável que o próximo chefe de governo da França venha dessa coalizão, embora enfrente desafios consideráveis para implementar sua agenda governamental.
Como falei antes, a perspectiva de uma liderança fortemente inclinada à direita ou à esquerda era vista com preocupação pelos mercados financeiros, devido ao delicado quadro fiscal do país e ao risco de reversão das políticas pró-mercado anteriormente estabelecidas.
A coligação de esquerda Nova Frente Popular (NFP) propõe um plano fiscal audacioso, focado em aumentar tanto os gastos quanto as taxas de tributação.
O mercado, preocupado com essa perspectiva, teme que a eventual ascensão da NFP ao poder resulte em déficits governamentais mais amplos, agravando as já presentes preocupações sobre a sustentabilidade da dívida francesa.
Além disso, isso poderia intensificar as tensões com a União Europeia, que já alertou sobre o atual déficit fiscal francês de 5%, excedendo o limite de 3% estipulado pela UE.
No entanto, formar um governo que ofereça alguma estabilidade parece ser um desafio significativo. O cenário mais provável é que a França enfrente um período de paralisia política, tornando o país praticamente ingovernável nos próximos anos.
Projeções indicam que, até 2027, a relação dívida/PIB da França pode subir para 115%, em contraste com os 57,7% projetados para a Alemanha.
Fonte: WHG.
Um cenário mais favorável ao mercado poderia surgir de uma coalizão entre o partido de Macron e facções da Nova Frente Popular (NFP), excluindo os elementos mais radicais da França Insubmissa de Mélenchon.
A configuração mais viável parece ser um governo de esquerda sob a liderança de um socialista moderado.
Entretanto, tal governo provavelmente não teria longa duração e dificilmente conseguiria implementar uma política fiscal profundamente radical, o que pode ser um alívio para os mercados.
O cenário ideal para os mercados seria a criação de um governo tecnocrata, semelhante à abordagem italiana de convocar Mario Monti e Mario Draghi após a dissolução de suas coalizões, seguido por novas eleições. Contudo, Macron não pode convocar novas eleições por 12 meses.
Existe também a possibilidade de Macron renunciar ao cargo, complicando ainda mais a situação. Um governo tecnocrata seria atípico na França e a renúncia de Macron parece improvável.
Além disso, a própria NFP é uma coalizão instável, com rivalidades internas intensas. Unificar esses grupos é desafiador, mas Macron pode tentar formar uma coalizão geral de centristas e esquerdistas para governar efetivamente, embora isso exija grandes concessões políticas.
Caso essa estratégia falhe, a França, portanto, adentra um período de instabilidade política profunda, que Marine Le Pen pode tentar explorar.
Nesse cenário, as diversas forças políticas – esquerda, direita e centro – enfrentarão dificuldades para alcançar consensos sobre questões cruciais nos próximos meses, exacerbando a insatisfação e ansiedade do eleitorado francês sobre temas como imigração, custo de vida, serviços públicos e o crescente déficit fiscal.
Assim, a França se encaminha para um prolongado período de paralisia governamental, que provavelmente persistirá até as eleições presidenciais de 2027.
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