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Não que você não deva analisar a gestão, mas é crucial tentar entender se a companhia consegue sobreviver sem o atual CEO e CFO, ou com algum intruso no conselho. Porque gestores vêm e vão, mas o negócio precisa continuar funcionando.
Nos últimos dias começaram a surgir rumores de que o ex-ministro, Guido Mantega, poderia ser escolhido para o Conselho de Administração da Vale (VALE3), o que gerou muitas dúvidas sobre o possível impacto nas ações.
Mas será que esse seria um motivo suficiente para vender VALE3?
Antes de dizer o que eu penso, precisamos tentar entender o que faz de uma empresa um bom investimento.
Se você já tentou aprender como escolher suas próprias ações, deve ter visto que uma companhia precisa satisfazer uma série de critérios para merecer o seu dinheiro.
Por exemplo, ela precisa ter resultados resilientes e lucrativos, precisa negociar por múltiplos interessantes e também ter boas perspectivas para o futuro.
Além desses pontos, um outro tópico muito citado em todos os livros, artigos e podcasts sobre investimentos é a qualidade dos executivos e conselheiros envolvidos na companhia. É muito comum ler por aí que você deveria investir em tal companhia porque o CEO é brilhante, ou porque a gestão é muito diferenciada.
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Mas existe um enorme risco nessa abordagem, sabe por quê?
Imagine que a tal empresa passou em todos os critérios com louvor, mas uma semana depois de você investir nela, toda a gestão pede demissão para ir para a concorrência.
A notícia em si parece ruim, mas o problema pode ser muito maior: e se, na verdade, o negócio é ruim, mas a empresa dava bons resultados por causa da boa gestão, que acabou de ir embora?
Repare que neste caso você não investiu na empresa, na verdade você investiu nas pessoas que tocavam a empresa – só que elas foram embora. E agora?
É por esse motivo que eu sugiro uma outra abordagem.
Não que você não deva analisar a gestão, mas é crucial tentar entender se a companhia consegue sobreviver sem o atual CEO e CFO, ou com algum intruso no conselho. Porque gestores vêm e vão, mas o negócio precisa continuar funcionando.
Aliás, existe uma frase brilhante de Warren Buffett que resume muito bem esse assunto:
"Você deve investir num negócio que até um idiota poderia dirigir, porque algum dia um idiota o dirigirá".
As melhores companhias para se investir não são aquelas que têm uma ótima gestão, mas sim aquelas que conseguem obter bons resultados mesmo com pessoas incompetentes no comando.
Mas como saber se uma empresa é sólida independente da gestão?
Eu não vou mentir para você, essa não é uma tarefa fácil, mas normalmente conseguimos ter algumas pistas ao analisar os seus diferenciais competitivos para a concorrência.
No caso de companhias que lidam com o varejo, o poder da marca é extremamente importante, e é capaz de vencer dificuldades diversas, como idiotas na gestão, inflação de custos, crises econômicas, avanço de concorrentes, etc.
Por exemplo, você pode não ser amante de uma "Mequizice" mas o poder da marca do McDonalds é inquestionável, e isso ajudou a companhia a atravessar contratempos e gestões questionáveis ao longo de sua história. O mesmo aconteceu com a Apple, com a Gilette e tantas outras marcas poderosas.
Na maioria dos outros negócios que não precisam de uma marca, é preciso tentar encontrar barreiras de entrada e outros diferenciais competitivos que garantam a sobrevivência da companhia mesmo nos cenários difíceis.
Voltando à Vale, a mineradora é um belo exemplo. Além de ser uma das maiores produtoras do mundo em um negócio em que a escala é crucial, ela tem um diferencial competitivo absurdo: ela não só produz minério de muita qualidade como tem um dos menores custos do mundo.
No universo das commodities, isso significa um negócio à prova de idiotas!
O preço do minério pode subir, e isso é bom para a Vale. Mas ele também pode despencar, o que certamente não vai ajudar.
No entanto, estar entre as produtoras de menor custo traz dois benefícios. Para começar, isso significa que ela ainda vai gerar caixa mesmo com o minério 30% abaixo dos patamares atuais.
Mas existe um outro ponto: quando – e se – o minério começar a chegar em níveis próximos de US$ 90 - US$ 100 por tonelada, boa parte dos produtores de maior custo vão ter que paralisar as atividades, a oferta vai diminuir e os preços deveriam voltar a subir.
Eu não sei se a mineradora XYZ estará viva no fim desse processo, mas eu sei que a Vale tem todas as condições de chegar lá ainda mais forte, mesmo que a gestão não esteja recheada de pessoas brilhantes.
É por isso que eu não estou preocupado com uma eventual indicação de Guido Mantega para o conselho da mineradora.
A notícia obviamente não é boa, pois seria uma indicação totalmente política e representaria um retrocesso na governança da companhia. No entanto, se for escolhido, ele será apenas um dos 13 conselheiros, o que limitaria bastante a sua influência.
Além disso, com diferenciais competitivos tão grandes, não é isso que vai fazer a Vale perder as suas vantagens sobre a concorrência e fazer a empresa afundar.
Por apenas 4x Valor da Firma/Ebitda, um dividend yield de quase 10%, e com boa parte do pessimismo precificado, a Vale segue na série Vacas Leiteiras.
Além de Vale, a carteira conta com uma lista com as melhores pagadoras de dividendos da Bolsa, e você pode conferir todas elas aqui.
Um grande abraço e até a semana que vem.
Ruy
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