Nvidia (NVDC34) não está tão cara, diz estrategista global do BTG; saiba quais setores da bolsa americana são os preferidos do banco
Mesmo com balanço arrasador, Nvidia levanta dúvidas sobre se não teria valorizado demais; para estrategistas do BTG, empresa se enquadra em "cena" que só a economia americana tem sido capaz de produzir

Uma das conversas de almoço que eu costumo ter com alguns dos meus colegas aqui no Seu Dinheiro é de como os Estados Unidos tem sido capazes, ao longo da história, de permitir a criação de "cenas" artísticas onde nascem alguns dos maiores nomes da música pop mundial.
Um exemplo que marcou muito a minha geração e aquela anterior à minha foi a cena Grunge de Seattle, onde nasceram bandas de rock que se destacaram nos anos 1990, como Nirvana, Pearl Jam e Soundgarden.
Eu sempre brinco que isso é possível porque o mercado norte-americano é tão pujante e dinâmico, para qualquer setor da economia, que simplesmente tudo tem seu público, e mesmo uma cena que começa alternativa tem condições de alçar voos mais altos.
E esta brincadeira tem um fundo de verdade. Afinal, não é só na música que os Estados Unidos produzem cenas únicas e muitas vezes jamais replicadas em outros países, mesmo nos seus pares desenvolvidos. Em diversas indústrias, como a de tecnologia, e no mercado de ações e outros ativos, isso também acontece.
Este, aliás, foi o ponto central da argumentação dos estrategistas globais do BTG Pactual durante apresentação sobre investimentos internacionais na última edição do BTG Summit, evento que o banco promove para seus escritórios parceiros.
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"Do ponto de vista estrutural, que é o que a gente tenta focar na nossa análise, investir nos Estados Unidos faz todo sentido, tanto do ponto de vista macroeconômico quanto das instituições fortes e de temáticas específicas, que não se encontram em outros lugares do mundo, nem mesmo nos países desenvolvidos", disse Vitor Melo, estrategista de ações global do BTG Pactual.
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Ele exemplifica com o mercado de medicamentos antiobesidade, que embora seja encontrado também na Europa – com a dinamarquesa Novo Nordisk, dona da marca Ozempic –, é extremamente forte nos EUA, que tem "um mercado endereçável de US$ 100 bilhões, o que não existia dois anos atrás", diz Melo.
Do ponto de vista macroeconômico, os Estados Unidos também têm uma dominância forte, tanto sobre a economia mundial quanto os mercados globais.
Tem chamado a atenção dos investidores do mundo inteiro a resiliência do crescimento econômico do país, mesmo com os juros mais altos em 40 anos. E mesmo assim a outrora elevada inflação de 6,5% agora já se aproxima da meta de 2%. Uma combinação realmente única.
"A ideia de ter exposição à economia americana é muito importante, não só pelo crescimento muito resiliente, inclusive frente aos seus pares desenvolvidos, como pela geração de eficiência e tecnologia", disse Arthur Mota, estrategista macro global do BTG.
Ele lembra que a Europa tem dificuldade de entregar um crescimento econômico no nível dos EUA, e mesmo em comparação a países emergentes a expansão do PIB americano se destaca.
"O mercado americano é muito pujante, muito dinâmico, a economia cresceu 2,5% no ano passado. A título de comparação, o Brasil cresceu 2,9%. Em 2024, esperamos 2,4% para os EUA e 1,9% para o Brasil", acrescentou Mota.
As apostas preferidas do BTG na bolsa americana – e a visão sobre a Nvidia
Com isso em vista, o banco recomenda a alocação de uma parte da carteira em investimentos no mercado americano de forma estrutural – em outras palavras, sempre tem que ter alguma coisa investida na Terra do Tio Sam.
Já do ponto de vista tático, de momento de mercado, os estrategistas creem que o momento atual é auspicioso para montar posições nos EUA, uma vez que o Federal Reserve deve começar a cortar juros neste ano – e, sob este ponto de vista, não importa tanto se a queda começará em março, maio ou junho.
Para Arthur Mota, os níveis de preço nos ativos de renda fixa hoje estão muito atrativos, com os títulos do governo pagando acima de 4% ao ano e os papéis privados com grau de investimento (baixo risco) com taxas acima de 6%. Em dólar, vale frisar.
"São taxas que os profissionais de mercado que começaram a carreira depois da crise de 2008 ainda não tinham visto", diz o estrategista macro global do BTG.
E na bolsa?
Já entre as ações americanas, o BTG tem preferência sobretudo pelos setores de tecnologia da informação, de saúde e pelo setor financeiro. "Temos ficado mais otimistas principalmente em saúde e TI por conta de teses seculares", diz Vitor Melo.
Para exemplificar a pujança da "cena" de tecnologia no mercado americano, o estrategista de ações global citou a Nvidia, cuja divulgação de um balanço trimestral arrasador foi um dos grandes destaques do noticiário financeiro da última semana.
"A Nvidia teve resultados de fato muito fortes, entregou neste trimestre o que era esperado apenas para o próximo. Bastante gente já revisou suas estimativas. E essa tendência, na nossa visão, é a empresa ainda negociando a 30 vezes earnings [lucros]. Não é um múltiplo tão caro a ponto de você achar que o negócio não faz sentido", disse Melo.
Desde o fim de 2022, as ações da Nvidia (NVDA) já se valorizaram mais de 400% na bolsa americana Nasdaq, com entregas de resultados pela empresa paulatinamente acima das estimativas dos mercados.
Mesmo assim, o desempenho estelar levou muita gente a se questionar se o papel não subiu demais, ou se não poderia até mesmo ser uma bolha.
- A Nvidia tem BDRs negociadas na bolsa sob o código NVDC34. Clique aqui para descobrir outras ações americanas negociadas na bolsa brasileira que contam com a recomendação da Empiricus.
Para o estrategista do BTG, entretanto, o desempenho da Nvidia pode ser explicado pela sua performance operacional.
Em outras palavras, segundo Melo, não houve expansão de múltiplos, isto é, não houve, de alguma forma, uma expectativa tão grande do mercado em relação aos resultados da companhia que ela se tornasse uma daquelas teses de longuíssimo prazo, cujos resultados projetados só viriam num futuro mais distante.
"Encontrar papéis expostos a teses seculares de maneira estrutural e que têm grande peso nos índices de ações fora dos Estados Unidos é um desafio", completou Melo.
Até quando o assunto é investimento, encontrar as novas estrelas e hits é mais fácil na "cena" de Wall Street.
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