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Se a moeda mais fraca é uma preocupação para as autoridades japonesas, o mesmo não acontece com relação às empresas e ao turismo
As viagens ao Japão ganharam um forte aliado: o iene barato. Na segunda-feira (29), a moeda japonesa atingiu o menor patamar em relação ao dólar em 34 anos e especula-se que as autoridades financeiras do país intervieram no mercado de câmbio para conter a sangria — e mais deve vir por aí.
O Ministro das Finanças do Japão, Shunichi Suzuki, apoiou nesta sexta-feira (3) as intervenções cambiais no caso de o iene se movimentar em direções acentuadas que começassem a afetar famílias e empresas.
“Quando há um movimento excessivo, pode ser necessário suavizá-lo”, disse Suzuki.
O ministro das finanças recusou-se a comentar quando questionado se os atuais níveis do iene eram apropriados. Ele também não quis comentar se o ministério interveio recentemente no mercado cambial, em meio a intensa especulação.
Na quarta-feira, a moeda valorizou-se mais de 2%, sendo negociada perto de 153 ienes por dólar, o que provavelmente foi causado por uma intervenção, segundo analistas de mercado. As autoridades japonesas ainda não emitiram uma declaração oficial confirmando o seu papel no apoio à moeda.
A moeda japonesa estava sendo negociada a 152,85 ienes em relação ao dólar hoje.
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Se, para os turistas, o iene mais barato é uma vantagem e tanto, para a economia japonesa o mesmo não acontece.
Um iene fraco em relação ao dólar pode prejudicar a economia ao aumentar os custos de importação e a sinalização do governo desta sexta-feira é mais uma confirmação de que os decisores políticos estão de olho na taxa de câmbio.
"É difícil ignorar os efeitos ruins que esses movimentos violentos e anormais (das moedas) causarão para a economia do país", disse a principal autoridade de câmbio do Ministério de Finanças do Japão, Masato Kanda, no início da semana.
Vale lembrar que, nas últimas décadas, enquanto outros bancos centrais globais endureceram as suas políticas, o Japão manteve a sua estratégia ultrafrouxa.
Como o primeiro país asiático a alcançar o rótulo de economia desenvolvida, o Japão usou essa credencial durante décadas com tanto orgulho como demonstrou o terror por perdê-la.
A ideia de que isso aconteça, por mais absurda ou remota que seja, ocupa agora um lugar no discurso público — muitas vezes como ferramenta motivacional.
Muitos analistas descrevem o momento do Japão como um ponto de virada histórico e abril, com o câmbio em particular, tornaram o destino do país consideravelmente menos claro.
A queda sustentada do iene desde janeiro, juntamente com a excitação que encorajou os especuladores e a intervenção governamental aparentemente desencadeada na segunda-feira (29), levaram alguns a declarar a situação uma crise monetária.
Outros dizem que a situação expõe vulnerabilidades semelhantes às das economias emergentes. Mas a preocupação, pelo menos por enquanto, parece equivocada.
As reservas em moeda estrangeira do Japão se situam bem acima de US$ 1 trilhão. O movimento do iene, por mais alarmante que seja, é benéfico para grande parte das empresas japonesas.
O Fundo de Investimento de Pensões do Governo, avaliado em US$ 1,4 trilhão, detém cerca de 50% dos seus ativos no estrangeiro e obteve ganhos recordes de US$ 232 bilhões em 2023.
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