Dólar volta a se aproximar de R$ 5. O que motivou a forte valorização da moeda norte-americana hoje
A moeda norte-americana alcançou o maior nível intradiário desde 1º de novembro, a R$ 4,9925; a política monetária dos Estados Unidos está entre os motivos

De olho nas políticas monetárias das principais economias do mundo, o dólar retomou o fôlego ante o real e se aproxima da marca psicológica de R$ 5.
A moeda norte-americana encerrou o dia a R$ 4,9873, com alta de 1,23% em relação ao real no mercado à vista. Mais cedo, o dólar alcançou o maior nível intradiário desde 1º de novembro, a R$ 4,9925.
Até agora, no mês e no ano, a moeda acumula ganhos de quase 3%.
Hoje, com a agenda local mais esvaziada e as discussões de pautas econômicas em Brasília em segundo plano, o movimento de valorização da moeda norte-americana deve-se às expectativas sobre a política monetária nos Estados Unidos.
Enquanto os dirigentes do banco central da maior economia do mundo já estão em período de silêncio — já que uma nova decisão do Fed deve ser divulgada na próxima quarta-feira (31) —, os investidores passaram a recalibrar as apostas sobre a trajetória dos juros.
Com apoio dos dados recentes — que vieram mais fortes do que o esperado — e declarações de autoridades do Fed, o mercado “deu um passo atrás” e começou a precificar que o início do ciclo de cortes não deve começar tão cedo quanto o esperado.
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Entre dezembro e o início de janeiro, as chances de primeiro corte nos juros em março eram superiores a 70%. Hoje, a probabilidade é de cerca de 40%, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group.
Agora, na visão dos traders, há maior possibilidade (53,7%) de redução de 0,25 ponto percentual, levando os juros a 5,00% a 5,25% ao ano, ainda de acordo com a ferramenta do CME Group.
O mercado também segue bastante otimista com o cenário de “soft landing”, que, em linhas gerais, é um processo de desaceleração de forma lenta e gradual da economia, com menos espaço para uma recessão ao longo de 2024.
Por outro lado, a mudança de perspectiva do mercado explica a renovação de máximas intraday do S&P 500 e o Dow Jones acima dos 38 mil pontos pela primeira vez na história. Acompanhe o que movimenta os mercados hoje.
Tem algo a mais…
Além do ajuste de visão sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos, as políticas monetárias de outras economias devem orientar os investidores ao longo da semana. O Banco Central Europeu (BCE) divulga a decisão na próxima quinta-feira (25).
Além disso, novos dados da economia norte-americana devem ser divulgados nos próximos dias.
Entre eles, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) — que é considerado um dos principais indicadores de atividade econômica, o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre e do acumulado de 2023 — além do índice de despesas de consumo pessoal — referência de inflação preferida do Fed.
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Cenário doméstico também “ajuda” a alta do dólar hoje
O impasse nas negociações entre o Congresso Nacional e o governo sobre as propostas de reoneração da folha de pagamentos e o fim do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) também pressionam o real na comparação com o dólar.
Nesta segunda-feira (22), a cautela sobre o cenário fiscal ganhou um novo reforço com o anúncio de apoio a projetos de neoindustrialização pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no valor de cerca de R$ 250 bilhões até 2026.
Os investidores também aguardam a divulgação do índice de preços ao consumidor amplo - 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, na próxima sexta-feira (26).
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