Dá para pagar uma faculdade de Medicina? Como o Tesouro Educa+ pode ajudar você a pagar os estudos do seu filho
Simulamos quanto você precisaria investir no novo título do Tesouro Direto para obter a renda necessária para pagar cursos com diferentes valores de mensalidade no futuro

O Tesouro Direto lançou, no início deste mês, um novo título público destinado a ajudar os brasileiros a pouparem para pagar os estudos superiores dos seus filhos. O Tesouro Educa+ permite aos investidores guardar dinheiro aos poucos, ao longo de vários anos, de forma a garantir uma mesada por cinco anos a partir de uma data futura.
O objetivo é usar essa mesada para custear as mensalidades de uma faculdade, um curso técnico, uma pós-graduação ou mesmo como ajuda de custo durante os anos de graduação de um jovem adulto, durante os quais ele precisa estudar, mas nem sempre consegue trabalhar.
O foco do Tesouro Nacional com essa iniciativa é a população de renda mais baixa, que tem menos acesso às universidades públicas e, com isso, acaba recorrendo ao ensino particular.
Além disso, são pessoas que muitas vezes deixariam de fazer um curso superior ou técnico por necessidade de começar a trabalhar cedo, mas que são as mais impactadas positivamente quando conseguem continuar os estudos, com possibilidade real de ascensão social.
Mas nada impede que brasileiros de renda mais alta se beneficiem do Tesouro Educa+, inclusive aqueles que quiserem mandar seus filhos para universidades privadas de ponta ou cursos mais caros, como Medicina. Tudo depende de quanto a família consegue poupar por mês e se já dispõe de um valor de reserva inicial para este objetivo.
Fato é que o Tesouro Educa+ é muito acessível, pois o valor de investimento inicial é de apenas R$ 30. Nas suas comunicações, o Tesouro Nacional inclusive destaca que uma família que começasse a poupar R$ 80 por mês neste título a partir do nascimento do filho conseguiria já pagar a mensalidade de uma faculdade à distância para ele no futuro, cujos valores partem de cerca de R$ 500 hoje.
Leia Também
Mas qual o tamanho do esforço de poupança para de fato conseguir pagar faculdades presenciais e mais caras? Realmente é possível? Vamos fazer algumas simulações.
- [Guia gratuito] Veja onde investir no 2º semestre, segundo os especialistas consultados pelo Seu Dinheiro. Baixe o material completo aqui.
Como funciona o Tesouro Educa+
Antes de mais nada, convém entender como o Tesouro Educa+ funciona. O título conta com um prazo de acumulação e uma data de conversão, a partir da qual começam a ser pagos os rendimentos mensais, durante cinco anos.
Hoje, há títulos com 16 datas de conversão disponíveis, com prazos de acumulação que variam de três a 18 anos, contemplando desde o jovem que está ingressando no Ensino Médio hoje até o bebê que acabou de nascer.
Cada título conta com uma rentabilidade constituída de uma taxa prefixada (conhecida no ato do investimento) mais a variação da inflação medida pelo IPCA. Esse retorno destina-se a capitalizar o valor investido no título ao longo do tempo. Após a data de conversão, os rendimentos pagos continuam sendo corrigidos pela inflação.
Hoje, os diferentes vencimentos de Tesouro Educa+ estão pagando mais de 5% ao ano mais IPCA, uma rentabilidade alta, mas a tendência é que esse retorno caia com o tempo, com a perspectiva de cortes nas taxas de juros. Então, quem começar a investir agora, consegue garantir uma rentabilidade mais gorda, pelo menos neste início da poupança.
Quanto maior a taxa de juros, menos o investidor precisa poupar para o mesmo objetivo, pois mais títulos ele consegue comprar. Quando os juros caem, os títulos ficam mais caros, então é preciso poupar mais para comprar a mesma quantidade de títulos.
Não é obrigatório investir mensalmente, mas essa constância diminui o esforço de poupança com o tempo. Além disso, quanto antes você começar a poupar – quanto maior o prazo de acumulação –, mais fácil é conseguir poupar o valor necessário.
Você pode ainda fazer aportes extraordinários quando entrar um dinheiro a mais, por exemplo. Em breve, o Tesouro Nacional também deve lançar a possibilidade de várias pessoas diferentes conseguirem, com facilidade, fazer investimentos em nome de um mesmo jovem, o que reduzirá ainda mais o esforço de poupança, pois vários membros de uma mesma família e até mesmo amigos poderão contribuir para um mesmo objetivo.
Simulando as mensalidades da faculdade do seu filho
O processo de investimento no Tesouro Educa+ começa com a simulação no site do Tesouro Direto. Basta informar a idade do jovem hoje, a idade em que ele deve começar a faculdade, a renda mensal pretendida (o valor da mensalidade mais eventuais custos com alimentação, transporte etc.) e o valor do investimento inicial, se houver.
Caso você esteja partindo do zero, deixe o valor do investimento inicial zerado. Mas se você já tiver uma poupança para destinar a esse objetivo, ela pode ser uma boa mão na roda para ajudar a atingir o objetivo mais rápido.
Informados esses dados, o simulador mostra para você a data de conversão que você deve escolher, quantos títulos Tesouro Educa+ com aquela data de conversão você precisa comprar ao longo do tempo e quanto precisa investir mensalmente com o patamar de rentabilidade atual para atingir o objetivo.
Já mostramos que, com o patamar de juros atual, é possível conseguir uma renda mensal equivalente a R$ 500 durante cinco anos poupando-se R$ 80 por mês por 18 anos, isto é, desde o nascimento do seu filho até a idade de ele entrar na faculdade.
Para um jovem que está ingressando no Ensino Médio, porém, esse investimento mensal sobe para cerca de R$ 600 por três anos, com o patamar de rentabilidade de hoje, para se obter a mesma renda. Um indicativo da diferença brutal que o prazo faz.
Mas e para faculdades mais caras, como os cursos presenciais? Vamos a algumas simulações, feitas no site do Tesouro Direto para jovens de diferentes idades e que devem começar o curso aos 18 anos. Lembre-se de estas são apenas simulações, com base em projeções de mercado.
Recém-nascido;
- Prazo de poupança: cerca de 17 anos e meio
- Título para comprar: Tesouro Educa+ 2041
| Sem investimento inicial | Com investimento inicial de R$ 20 mil | |||
| Valor da mensalidade do curso | Quantos títulos devem ser adquiridos? | Aporte mensal | Quantos títulos devem ser adquiridos? | Aporte mensal |
| R$ 1.000 | 14,53 | R$ 158,46 | 0,96 | R$ 10,47 |
| R$ 1.500 | 21,79 | R$ 237,65 | 8,22 | R$ 89,65 |
| R$ 2 mil | 29,05 | R$ 316,83 | 15,48 | R$ 168,83 |
| R$ 2.500 | 36,32 | R$ 396,11 | 22,75 | R$ 248,12 |
Criança de 10 anos de idade
- Prazo de poupança: cerca de 8 anos e meio
- Título para comprar: Tesouro Educa+ 2032
| Sem investimento inicial | Com investimento inicial de R$ 20 mil | |||
| Valor da mensalidade do curso | Quantos títulos devem ser adquiridos? | Aporte mensal | Quantos títulos devem ser adquiridos? | Aporte mensal |
| R$ 1.000 | 14,53 | R$ 426,90 | 6,21 | R$ 182,45 |
| R$ 1.500 | 21,79 | R$ 640,21 | 13,47 | R$ 395,76 |
| R$ 2 mil | 29,05 | R$ 853,52 | 20,73 | R$ 609,07 |
| R$ 2.500 | 36,32 | R$ 1.067,12 | 28 | R$ 822,67 |
Adolescente de 15 anos de idade
- Prazo de poupança: 3 anos e meio
- Título para comprar: Tesouro Educa+ 2027
| Sem investimento inicial | Com investimento inicial de R$ 20 mil | |||
| Valor da mensalidade do curso | Quantos títulos devem ser adquiridos? | Aporte mensal | Quantos títulos devem ser adquiridos? | Aporte mensal |
| R$ 1.000 | 14,53 | R$ 1.201,71 | 8,12 | R$ 671,57 |
| R$ 1.500 | 21,79 | R$ 1.802,15 | 15,38 | R$ 1.272,01 |
| R$ 2 mil | 29,05 | R$ 2.402,60 | 22,64 | R$ 1.872,45 |
| R$ 2.500 | 36,32 | R$ 3.003,87 | 29,91 | R$ 2.473,73 |
Repare que, para quem começa a poupar ainda na primeira infância do filho, as metas são bem factíveis. Mas se a poupança começa com o jovem já no Ensino Médio, a coisa pode se tornar inviável. Note também como ter um valor de investimento inicial faz diferença no processo de acumulação, no patamar de juro atual.
Como há correção pela inflação, na hora de simular você pode considerar os valores das mensalidades de hoje. O ideal é considerar alguma gordura, simulando uma meta de renda superior ao valor desejado, uma vez que o aumento de preços das instituições de ensino pode superar o IPCA no longo prazo.
Além disso, a simulação do Tesouro não leva em conta a eventual taxa de custódia, nem o imposto de renda.
No caso do Tesouro Educa+, o investidor que ficar com o título até o vencimento e receber uma renda de até quatro salários mínimos (R$ 5.280 em valores de hoje) fica isento da taxa de custódia cobrada pela B3 pela guarda dos títulos. Ou seja, nos casos simulados, não haveria essa cobrança.
Para quem receber acima de quatro salários mínimos, há cobrança de uma taxa de custódia de 0,10% proporcional ao que exceder esse teto.
Já o imposto de renda é obrigatório e cobrado apenas sobre a rentabilidade, não sobre o principal. Para investimentos de longo prazo, de mais de dois anos, o que seria o caso nessas simulações, a alíquota é de 15%.
Dá para pagar um curso de Medicina?
Como você pode ver, o Tesouro Educa+ é uma tremenda mão na roda, mas para cursos de graduação mais caros, como o de Medicina, o esforço de poupança seria tão grande que ficaria restrito a pessoas que, possivelmente, teriam renda suficiente para pagá-los sem necessitar de uma poupança específica de longo prazo.
Ainda assim, nada impede que a família poupe mirando uma renda mais baixa, ao menos para ter uma ajuda de custo durante os anos de faculdade dos jovens.
Mesmo assim, vamos fazer esse exercício, para uma poupança com prazo de 18 anos – até porque, quando o investimento coletivo em um mesmo jovem ficar disponível, esses objetivos ficarão mais acessíveis.
No caso de Medicina, entre os melhores cursos privados do país, as mensalidades costumam ficar entre R$ 8 mil e R$ 10 mil.
Já se estivermos falando de outros cursos em instituições renomadas, os valores são um pouco mais baixos. Pensando em instituições que divulgam em seu site os valores das mensalidades, a Fundação Getúlio Vargas (FGV), por exemplo, costuma cobrar entre R$ 5 mil e R$ 7 mil, e a PUC-Rio, entre R$ 4 mil e R$ 6 mil.
Vamos fazer duas simulações então, mirando rendas de R$ 6 mil e R$ 10 mil por mês:
| Sem investimento inicial | Com investimento inicial de R$ 20 mil | |||
| Valor da mensalidade do curso | Quantos títulos devem ser adquiridos? | Aporte mensal | Quantos títulos devem ser adquiridos? | Aporte mensal |
| R$ 6 mil | 87,15 | R$ 950,49 | 73,58 | R$ 802,49 |
| R$ 10 mil | 145,25 | R$ 1.584,15 | 131,68 | R$ 1.436,15 |
RENDA FIXA
Cadê as LCIs e LCAs que pagavam de 95% a 100% do CDI? Títulos isentos estão sumindo das prateleiras e oferecendo taxas menores
24 de setembro de 2026 - 6:02ESTRATÉGIA NA RENDA FIXA
É hora de comprar títulos prefixados no Tesouro Direto, diz XP; investimento deve bater o CDI nos próximos anos
23 de setembro de 2026 - 17:20PAGUE MENOS IMPOSTO
Reserva de emergência na bolsa de valores? Conheça os ETFs de renda fixa
23 de setembro de 2026 - 13:32CRÉDITO PRIVADO
3 títulos de renda fixa isentos de imposto de renda para comprar com a Selic em queda, segundo a Empiricus
22 de setembro de 2026 - 18:45DÚVIDA SOBRE ALÍQUOTA
Polêmica sobre imposto de renda de ETFs de renda fixa volta ao radar após XP suspender negociação de seis fundos de crédito
22 de setembro de 2026 - 8:38RENDA FIXA
Tesouro Direto também reagiu mal ao reajuste do Bolsa Família, mas reverteu movimento no fim do dia; veja como fecharam as taxas
17 de setembro de 2026 - 17:45SIMULAÇÃO
Renda fixa: quanto R$ 100 mil deixaram de render desde o início do ciclo de corte de juros?
17 de setembro de 2026 - 16:34INVESTIMENTO MAIS BARATO
Tesouro Direto e CDBs ficaram para trás: ‘ETFs são a melhor forma de investir em renda fixa’, defende sócio da Galapagos
16 de setembro de 2026 - 14:50RENDA FIXA
Fim da isenção de imposto de renda de LCIs, LCAs e outros títulos deve voltar à pauta em breve — e o motivo é esta conta bilionária
12 de setembro de 2026 - 10:03RENDA FIXA
Tesouro Direto: taxa do Tesouro IPCA+ cai para 7,5% e bate a mínima desde abril
11 de setembro de 2026 - 12:02CARTEIRA RECOMENDADA
CDI, prefixado ou IPCA+? Veja onde investir na renda fixa diante da expectativa de juros menores daqui para frente
10 de setembro de 2026 - 10:32SD EXPLICA
Tesouro IPCA+ 8%: o título com a maior taxa é realmente a melhor escolha no Tesouro Direto?
8 de setembro de 2026 - 19:05RENDA FIXA
Prefixado ou IPCA+: qual investimento de renda fixa tem mais a ganhar se as eleições derrubarem os juros?
8 de setembro de 2026 - 17:33DEVO, NÃO NEGO
O Brasil vai dar calote na dívida pública? Entenda se o governo pode deixar de pagar os títulos do Tesouro Direto
7 de setembro de 2026 - 7:05IPCA vs. CDI
Títulos IPCA+ batem o CDI em agosto e rendem mais de 1% no mês; veja os destaques
2 de setembro de 2026 - 19:40DIVERSIFICAÇÃO DE MOEDA
Vale a pena investir em dólar quando a Selic está pagando 14% ao ano? Veja por que aplicar agora e quanto a moeda estrangeira pode render
1 de setembro de 2026 - 16:15TESOURO DIRETO
Dinheiro do Tesouro IPCA+ 2026 ficou parado na conta? Veja quanto você está perdendo e onde reinvestir a grana
31 de agosto de 2026 - 7:03PREFIXADO E IPCA+
Tesouro Direto: vale a pena trocar um título comprado a uma taxa menor por um de mesmo prazo com uma taxa maior?
28 de agosto de 2026 - 6:05ESTRATÉGIA DE INVESTIMENTO
O desconto na bolsa que ninguém vê: fundos de infraestrutura isentos de IR estão “em promoção”, na visão da Empiricus
25 de agosto de 2026 - 17:03PLANEJANDO O FUTURO