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A disputa agora deve se concentrar nas vice-presidências do órgão — elas influenciam nas nomeações locais
Há pouco mais de um mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisou abraçar o Centrão para garantir a governabilidade e anunciou a esperada reforma ministerial. Na ocasião, ele tentou minimizar as dificuldades, comparando a situação com as substituições feitas no futebol. Nesta quarta-feira (25), no entanto, o petista cedeu novamente à pressão.
Depois de uma reunião no Palácio do Planalto na manhã de hoje, Lula demitiu a economista Rita Serrano da presidência da Caixa.
“Serrano cumpriu na sua gestão uma missão importante de recuperação da gestão e cultura interna da Caixa Econômica Federal, com a valorização do corpo de funcionários e retomada do papel do banco em diversas políticas sociais, ao mesmo tempo aumentando sua eficiência e rentabilidade, ampliando os financiamentos para habitação, infraestrutura e agronegócio”, diz a Palácio do Planalto em nota.
Funcionária de carreira da Caixa desde 1989, Serrano participou do Conselho de Administração do banco e, desde janeiro, estava no comando da instituição financeira.
A cadeira de Serrano não vai esfriar. O Palácio do Planalto confirmou que o novo presidente da Caixa será o economista Carlos Vieira Fernandes — que já ocupou cargos de confiança em ministérios de partidos do Centrão em anos anteriores e é indicado do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
Na véspera do feriado de 7 de setembro, quando Lula fez a reforma ministerial, justificou as mudanças com a necessidade de o governo construir uma maioria de votos no Congresso para aprovar os projetos prioritários.
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Naquele momento, a presidência da Caixa não entrou na dança das cadeiras, mas já vinha sendo cobiçada por partidos do Centrão em troca de apoio ao governo Lula no Congresso.
O próprio Lira já havia afirmado que o comando da Caixa estava na negociação para ampliar a base parlamentar do Planalto.
Nos últimos dias, a temperatura aumentou com relação à pressão pela presidência da Caixa. Isso porque uma exposição na Caixa Cultural de Brasília mostra a foto do presidente da Câmara em uma lata de lixo.
O banco é o principal fomentador de iniciativas do governo federal e o trabalho de Serrano é bem avaliado pelo Planalto — o que fez com que Lula a segurasse no cargo por mais tempo.
Com a saída de Serrano, a disputa agora deve se concentrar nas vice-presidências do órgão — elas influenciam nas nomeações locais.
Carlos Vieira Fernandes foi diretor do fundo de pensão da Caixa (Funcef) entre 2016 e 2019 e já trabalhou na própria Caixa Econômica Federal.
Ele também foi secretário-executivo dos ministérios das Cidades e da Integração Nacional durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
“O governo federal nomeará o economista Carlos Antônio Vieira Fernandes para a presidência do banco, dando continuidade ao trabalho da Caixa Econômica Federal na oferta de crédito na nossa economia e na execução de políticas públicas em diversas áreas sociais, culturais e esportivas”, diz o Palácio do Planalto em nota.
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