Poderoso cartel de petróleo com os dias contados? Por que a Nigéria e o Iraque saíram em socorro da Opep
Nigéria e Iraque reafirmam neste sábado (23) o compromisso com a organização, que enfrenta um momento delicado; entenda essa história

Tudo o que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não precisava era de uma deserção nesse momento. Mas a Angola decidiu deixar a entidade nesta semana, colocando o cartel em xeque.
A explicação dada pelo país foi formal: as ideias e contribuições angolanas já não mais surtiam os efeitos desejados dentro da Opep.
A justificativa pública esconde os bastidores de desentendimentos entre os membros de uma organização que trabalha no controle da oferta e demanda de petróleo no mundo — e, consequentemente, influencia nos preços internacionais da commodity.
Os bastidores da saída da Angola da Opep
Em novembro, a Angola já dava sinais de que as coisas não andavam bem dentro da Opep.
O país reclamou da cota de produção de petróleo atribuída pelo cartel, de 1,11 milhão de barris por dia (bpd), considerada insuficiente.
Para piorar, a Arábia Saudita — a líder de fato do cartel — vinha pressionando por cortes mais intensos na produção, apesar da resistência da delegação africana.
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No fim, a Opep e aliados — grupo conhecido como Opep+ — firmaram cortes de 2,2 milhões de bpd até o primeiro trimestre de 2024.
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Cartel do petróleo recebe apoio
A saída da Angola coloca em xeque a capacidade da Opep de entregar os prometidos cortes de produção de petróleo e aumenta a desconfiança dos investidores.
Em uma tentativa de amenizar as incertezas em torno da Opep, integrantes do cartel reafirmaram neste sábado (23) o compromisso com o grupo.
O ministro de petróleo da Nigéria, Heineken Lokpobiri, disse que o país segue "resoluto" na dedicação em assegurar o cumprimento dos objetivos da Opep, ao mesmo tempo em que lida com as preocupações internas.
"A Nigéria segue pronta para contribuir construtivamente para o diálogo em curso, garantindo que os desafios e oportunidades únicas de nossa região sejam totalmente reconhecidos e endereçados", disse Lokpobiri em comunicado.
Já o porta-voz do ministério de petróleo do Iraque, Assem Jihad, afirmou à agência de notícias estatal iraquiana que o acordo da Opep+ busca permitir um maior equilíbrio entre oferta e demanda, com objetivo de alcançar estabilidade no mercado global da commodity.
"O governo está trabalhando seriamente, via Opep+, para alcançar o equilíbrio e a estabilidade necessários no mercado petrolífero global, para chegar a um bom nível de receitas para o tesouro federal", disse.
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