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“Ah, é aquela rede social de gente mentirosa”, é o que eu ouço do meu avô de 91 anos ao tentar explicar o que é o Telegram. Assíduo espectador de noticiários, ele se referia não só às vezes em que a plataforma russa teve problemas com a Justiça brasileira, mas também ao seu conhecido uso para a disseminação de informações falsas.
Nos últimos anos, o posicionamento do Telegram tem feio jus aos critérios que meu avô usa para descrevê-lo. Afinal, a rede já teve uma série de problemas legais sobre fake news.
Com mais de 700 milhões de usuários no mundo e cerca de 40 milhões no Brasil, a rede social pode ser considerada uma mídia opaca, ou seja, não dá para saber o que acontece lá dentro a não ser que você de fato esteja num grupo, por exemplo.
Enquanto isso, o WhatsApp não se sai muito melhor. Afinal, os famosos grupos do aplicativo de mensagens muitas vezes também são usados com o mesmo propósito: espalhar notícias falsas, falo mais sobre isso neste texto.
Mas agora, a equipe de Mark Zuckerberg acaba de lançar uma ferramenta que tornou o WhatsApp ainda mais parecido com a rede russa, os canais.
Dando um giro pela ferramenta, dá para perceber que fizeram o possível para replicar o rival. Quando eu vi essa nova funcionalidade, meu primeiro pensamento foi: “eba, agora podemos fazer para o Seu Dinheiro!”, mas logo depois desse veio uma desconfiança, “será que a coisa vai degringolar?”.
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Antes de mais nada, cabe uma explicação sobre como funcionam os canais do WhatsApp. Esse espaço no aplicativo se diferencia dos grupos porque apenas o administrador pode enviar mensagens. Além disso, não há limites de participantes. Para fazer parte do canal do Seu Dinheiro, por exemplo, basta clicar aqui.
Os canais ampliam de forma praticamente irrestrita o poder do WhatsApp como ferramenta de comunicação. Até porque a única ‘vantagem’ que o Telegram tinha sobre o verdinho era justamente a possibilidade de contar com um número de participantes maior nas transmissões de mensagens. Ou seja, as informações que circulam lá tinham um potencial muito maior de se espalhar.
Vou descrever uma experiência pessoal para demonstrar o quanto o Telegram facilitava as coisas para quem tinha más intenções. Antes de o WhatsApp liberar os canais, a moda eram as comunidades, que tinham limite de 2 mil membros.
Acima disso teriam que ser criados mais grupos e o conteúdo era enviado por meio de uma plataforma bem chatinha que vivia dando problema. Mas o russo não, sempre foi muito tranquilo, bastava enviar e pronto!
Basicamente o que eu estou te falando é o seguinte: o WhatsApp nivelou o jogo, é a agora que a porca torce o rabo.
Isso porque, enquanto o Telegram tem cerca de 700 milhões de usuários ativos no mundo e 40 milhões no Brasil, a rede de mensagens de Zuckerberg tem mais de 120 milhões só no Brasil e 2 bilhões no total.
Um detalhe que não dá para deixar escapar é que antes dos canais, o WhatsApp era terra de ninguém, ou melhor, terra do famigerado “tio do zap”. Aqui, cabe esclarecer, o termo designa um estado de espírito: o das pessoas dispostas a compartilhar fake news.
Não importa se é homem, mulher, jovem ou mais velho. O que une todos esses indivíduos é a disposição em enviar mensagens como: “URGENTE: Cientistas descobrem que a varíola dos macacos é consequência da vacina do covid”.
Agora, com os canais, os veículos ganham espaço e disputam a atenção dos usuários lá dentro do WhatsApp. Ou seja, o tio do zap ganhou companhia.
A grande questão é: a nova ferramenta veio para ajudar na trincheira contra fake news ou vai seguir os passos do Telegram a ponto de deixar meu avô confuso sobre qual das duas seria de fato a “rede dos mentirosos”?
Cabe lembrar que o Telegram também conta com a presença de portais jornalísticos relevantes, mas não dá para negar que o “outro lado” é bem mais conhecido pelo público em geral. Ou vai me dizer que você já ouviu alguém comentar sobre o potencial educativo da rede?
Nos próximos parágrafos me dedico a discutir o papel informativo do WhatsApp até hoje e como os canais entram nesse bolo.
“Há uma máquina de desinformação em operação dentro do WhatsApp”. Essa fala é de Fabrício Benevenuto, pesquisador responsável pelo projeto Eleições sem Fake, do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ele falou com a Agência Pública.
Para ele, as mensagens com “fator bombástico, revoltante, algo divisível, repugnante ou que colocam o outro como inimigo têm um poder de espalhamento muito mais forte”. Por isso, ele explica, as notícias falsas são mais compartilhadas que as verdadeiras.
Fora que o potencial destrutivo é gigantesco, principalmente no Brasil. O único país que nos ultrapassa no número de usuários é a Índia (que é 7 vezes maior do que nós). Somos a terra do WhatsApp!
Estamos falando de uma rede social que consome poucos dados de internet móvel, dispara mensagens de graça (diferente do serviço de SMS) e ainda é o único app que todas as operadoras de telefonia deixam funcionando quando os dados móveis do celular terminam.
De acordo com a professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Letícia Cesarino, a estratégia predominante de grupos no Whatsapp é o uso de uma constante ameaça para a mobilização de afetos.
Os sentimentos mais explorados são o medo, ressentimento ou ódio. Entre eles, não há uma utopia a ser realizada, apenas um inimigo a ser combatido — que é o culpado pelos sofrimentos e frustrações daquele grupo.
Isso, inclusive, vem sendo muito explorado para espalhar notícias falsas sobre a guerra que acontece entre Israel e Hamas. Ganham as pessoas pelo ódio e medo.
No geral, a verdade é pouco apelativa nas redes sociais como um todo, mas no WhatsApp as coisas acontecem meio ‘no escuro’. A destruição ia se espalhando aos poucos nos relativamente pequenos grupos, um a um.
Ou pelo menos era assim que acontecia antes dos canais.
É claro que os veículos jornalísticos não detêm o monopólio da verdade e estão sujeitos a cometer erros. Mas os canais de notícias dentro do WhatsApp podem ajudar a equilibrar o jogo — desde, é claro, que as pessoas sigam fontes confiáveis. Ainda assim, desconfio se as coisas podem realmente melhorar lá dentro.
Isso porque as informações falsas muitas vezes atendem a uma das necessidades mais fundamentais do ser humano. Estou falando aqui do viés de confirmação, que tem apoio inclusive na biologia. Nosso cérebro odeia opiniões discordantes. E isso não sou eu quem diz. Francis Bacon, filósofo inglês, sintetizou essa ideia em 1620:
“Uma vez que o entendimento de um homem se baseia em algo — seja porque é uma crença já aceita, ou porque o agrada — , isso atrai tudo à sua volta para apoiar e concordar com a opinião adotada. Mesmo que um número maior de evidências contrárias seja encontrado, ele as ignora ou desconsidera, ou faz distinções sutis para rejeitá-las, preservando a autoridade imparcial de suas primeiras concepções.”
Outros pesquisadores da área afirmam que as pessoas aceitam qualquer tipo de informação não apenas por serem ingênuas, mas por alimentar as relações sociais e fortalecer as crenças anteriores. Os laços humanos se fortalecem nas crenças em comum e nós fazemos o possível para os dados da realidade fortalecerem isso.
O que eu quero dizer é que nossas crenças são importantes para nós e o nosso cérebro faz de tudo para protegê-las.
Afinal, é a nossa leitura e entendimento de mundo que estão em jogo e quando alguém ameaça atacá-las (mesmo que seja com a realidade), nós tendemos a ficar na defensiva e queremos protegê-las. Trata-se, inclusive, de um mecanismo evolutivo.
Vamos imaginar a seguinte situação: você é um nômade vivendo há milhares de anos e convivendo com uma série de animais perigosos. Se você ouve um barulho no meio dos arbustos, o mais sensato a se fazer é tentar sair de perto. Se o ruído é ou não um animal disposto a te matar, o mais sábio é não ficar ali para descobrir.
Ou seja, a crença de que atrás do arbusto teria algum ser querendo te matar protegeu a humanidade por anos. O fato em si nunca importou, a nossa crença, sim.
Até porque, quem foi conferir o que estaria causando tanto barulho, tem chances de não ter sobrevivido para contar história. Quem fala mais sobre isso é o professor de Psicologia social da crença da USP, Wellington Zagari. É difícil lutar contra milhares de anos de evolução, o que dá para fazer é controlar o instinto racionalmente.
Em meio a essa guerra de realidades, o Seu Dinheiro também se “entrincheirou” no WhatsApp. No nosso canal, publicamos diariamente as notícias que mexem com o seu bolso, além de análises e entrevistas exclusivas.
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