PRIO (PRIO3): Por que os analistas seguem apostando na ação da petroleira que já disparou 2.200% na B3
A petroleira foi uma das empresas que mais se valorizou na B3 nos últimos cinco anos, mas pode subir ainda mais. Saiba o que justifica o otimismo de analistas e gestores

O preço importa, mas o timing também. Em 2021, os analistas do BTG Pactual escreveram em um relatório que a PetroRio - PRIO (PRIO3) era a “empresa certa na hora certa”. Dois anos se passaram e a verdade é que essa máxima continua valendo — na visão não apenas do banco como de boa parte do mercado.
À primeira vista, pode parecer um contrassenso. Afinal, a PRIO já é uma das empresas que mais se valorizou na B3, com uma alta superior a 2.200% nos últimos cinco anos.
Mas apesar da escalada, o mercado está convencido de que ainda é possível ganhar dinheiro com o papel. Das 16 recomendações para as ações PRIO3, 15 são de compra, de acordo com dados da plataforma Trademap.
Não é apenas no sell-side (quem vende ativos financeiros, como casas de análise) que a PRIO parece um consenso. As ações da petroleira também aparecem com recorrência na carteira do buy-side (o lado de compra ativos, que inclui gestoras e fundos de investimentos).
Mas o que justifica o tamanho do otimismo do mercado com a PetroRio, especialmente depois de um desempenho tão forte das ações na bolsa? E como é possível lucrar ainda mais com o papel? Para entender o que esperar da PRIO3, é só continuar a leitura.
Como a PRIO conquistou o mercado
A PetroRio conquistou o mercado financeiro nos últimos anos após um turnaround que fez o “patinho feio” da bolsa se transformar em um dos principais nomes do setor de petróleo na América Latina.
Leia Também
Para refrescar a memória, a empresa surgiu em 2009 com o nome de HRT Petróleo. Inicialmente, a companhia trabalhava apenas com campos novos em que não havia comprovação de petróleo, em locais como a Bacia do Solimões e a costa da Namíbia. Deu tudo errado.
Foi quando o empresário Nelson Tanure — investidor bilionário conhecido por adquirir empresas com problemas financeiros — comprou parte da HRT e se tornou o principal acionista da empresa. Dali em diante, a empresa passou por um reposicionamento de marca e de negócio.
Com a mudança de estratégia, a PRIO parou de realizar a exploração “do zero” e passou a atuar no desenvolvimento de campos mais maduros, com produção comprovada. Não à toa, a companhia se destacou pela compra de ativos da Petrobras, que naquele momento vinha em processo de venda de ativos não-estratégicos.
“É uma empresa boa, que fez tudo direitinho e sempre entregou acima do prometido, então olhamos para o case com bons olhos, tendo em vista não só a história passada como também as perspectivas futuras”, afirma Vitor Sousa, sócio e analista da Genial Investimentos.
Na análise da Genial, a PRIO se consagrou como uma “alocadora de capital com foco em rentabilidade, em vez de focar meramente na expansão da produção”.
A tese em ações da PetroRio para 2024
Um dos defensores da tese positiva para a PetroRio (PRIO3) de longa data é o BTG Pactual. O banco afirma que a PetroRio possui a relação risco-retorno mais atraente entre as apostas do banco em junior oils e vê um potencial de alta de 45,3% para as ações
Para o BTG, a PRIO está atualmente desalavancada, “com forte fluxo de caixa futuro e uma escala única na América Latina”. Em outras palavras, a empresa tem um “ótimo problema” para resolver: o que fazer com a montanha de dinheiro prevista para entrar em caixa.
Além do operacional, os analistas destacam como a cultura corporativa da empresa pode proteger o interesse dos acionistas minoritários em decisões de investimento.
“A PRIO não só tem uma equipe testada pelo tempo, mas também uma forte cultura corporativa, sendo muitos dos seus colaboradores acionistas da empresa (estimamos mais de 80% da força de trabalho). Isto deverá ajudar a tornar a empresa uma das referências do setor e apoiar o alinhamento dos interesses da equipe de gestão com os acionistas minoritários num momento de decisões fundamentais de alocação de capital.”
Já para o Bank of America, ainda existe um forte potencial de valorização para PRIO3 no patamar atual de valuation.
O BofA fixou um preço-alvo de R$ 68 por ação, equivalente a um potencial de alta de 47,5% em relação ao último fechamento. A recomendação tem como base o cenário de preço do petróleo Brent de US$ 80 por barril em 2023, US$ 90 para 2024 e US$ 70 para 2024.
Na visão da Genial Investimentos, apesar da valorização dos papéis, o atual nível de valuation da empresa “não está caro”, especialmente no contexto relativo.
“Quando você olha para outros players do setor, eu vejo a PRIO com um múltiplo muito honesto. Ela não negocia com o desconto expressivo e tem um prêmio de execução. Então você compra algo barato com um track record comprovado de execução. Na nossa visão, se tudo der certo, o papel pode andar ainda mais”, afirma o analista da Genial.
Dividendos ou aquisições, eis a questão para a PRIO
Retomando a questão de alguns parágrafos acima, uma das dúvidas dos analistas em relação à PetroRio - PRIO (PRIO3) é o destino do caixa programado para entrar na companhia nos próximos meses.
Nas contas da Genoa Capital, uma das gestoras que têm posição na companhia, a PRIO deve entregar um rendimento (yield) de fluxo de caixa livre (FCF) de 25%. Esse é um dos indicadores mais utilizados pelos analistas para avaliar quais empresas são uma boa compra — e, quanto menor a proporção, pior, e vice-versa.
Basicamente, a petroleira tem três opções para o destino desse dinheiro: distribuí-lo para os acionistas na forma de dividendos, anunciar um programa de recompra de ações ou fechar novas aquisições ou fusões (M&As) atrativas.
Durante encontro com investidores realizado no início de dezembro, o CEO da PetroRio, Roberto Monteiro, destacou que o foco da companhia está em novas aquisições capazes de gerar taxas internas de retorno (TIRs) de pelo menos 20% em termos reais.
Há ainda a possibilidade de aquisições fora do Brasil, mas apenas em países com jurisdições similares às nossas para garantir segurança jurídica.
Porém, segundo o executivo, se não houver opções de negócios atraentes disponíveis, a petroleira não descarta a possibilidade de realizar maiores recompras de ações ou distribuições de dividendos. Elas só não estão no topo da lista de prioridades.
A visão sobre os dividendos da PRIO (PRIO3)
No começo de dezembro, a empresa anunciou uma distribuição intermediária de dividendos de R$ 60 milhões — e, na visão da Genial Investimentos, novas remunerações podem ser anunciadas em breve.
“Apesar do baixo rendimento implícito, é importante mencionar que esse é o primeiro dividendo anunciado pela empresa desde a sua constituição.”
Vale lembrar que o foco da empresa nunca foi se tornar uma das “vacas leiteiras” da bolsa brasileira — como é o caso da Petrobras —, mas sim atuar como um negócio de crescimento e multiplicação de capital.
Para a Genial, novas distribuições de dividendos da PetroRio no futuro podem significar um sinal de alerta de que a empresa não está conseguindo investir em operações.
“Esse provento foi surpresa e pode ser até interpretado como algo ruim, porque, se a empresa está distribuindo dinheiro, é porque não encontra novas alavancas de valores, então novas distribuições de dividendos seria um indicativo ruim.
Quer saber onde colocar o seu dinheiro em 2024? O Seu Dinheiro reuniu as recomendações dos analistas mais gabaritados do mercado. Clique aqui para receber gratuitamente.
Os riscos no caminho da PRIO (PRIO3)
A questão operacional é um dos riscos citados pelos analistas para a tese otimista em PetroRio - PRIO (PRIO3).
Isso porque um dos focos atuais da gestão da petroleira no curto prazo é fazer com que o projeto no campo Wahoo decole, dado o seu papel fundamental no crescimento da produção da empresa e na diluição de custos.
De acordo com a diretoria da PRIO, as primeiras perfurações em Wahoo devem acontecer em janeiro do ano que vem. A administração ainda espera que o campo entre em operação em julho ou agosto de 2024 com três poços, sendo que o quarto poço deverá entrar em operação em novembro.
Na visão do Bank of America, atrasos operacionais em projetos de produção e desenvolvimento e uma produção inferior ao esperado em Wahoo são uns dos principais riscos que podem prejudicar a visão mais otimista para a petroleira.
Além das questões produtivas, o BofA destaca que as tendências dos preços do petróleo, os desenvolvimentos políticos e econômicos no Brasil e um possível aumento na aversão ao risco global são riscos à tese em PRIO3.
O aumento das discussões sobre transição energética levantam preocupações no mercado. Mas como o mundo não pode simplesmente abandonar o petróleo do dia para a noite, a PetroRio dificilmente será afetada por essa tendência.
Em termos mais claros, o petróleo deve continuar relevante na matriz de energia por mais alguns dez anos, senão mais.
Enquanto a transição não for uma pauta palpável, a PRIO seguirá como um dos poucos operadores independentes de campos maduros preparados para preencher a lacuna deixada por outras grandes empresas e companhias mais alavancadas.
SEMANA CHEIA
Maior queda de hoje: Tenda (TEND3) cai mais de 6% após mudança de comando e estreia no Ibovespa
9 de setembro de 2026 - 15:48ALOCAÇÃO DE CAPITAL
O que o Banco do Brasil (BBAS3) está vendo na Argentina para continuar colocando dinheiro no país?
9 de setembro de 2026 - 14:27ALTA DOS PREÇOS
Fim da crise no agro está próximo? JP Morgan elege ação favorita no setor, que pode subir até 36,5%
9 de setembro de 2026 - 11:17MUDANÇAS NA BOLSA
INBR32 dá adeus à B3: Inter prepara mudança nos BDRs e deixa uma decisão importante para os investidores
9 de setembro de 2026 - 9:39CRESCIMENTO BOM PRA CACHORRO
Petz Cobasi (AUAU3) tem mais dinheiro em caixa — vêm mais dividendos por aí? Entenda os planos da empresa para gerar mais retorno
9 de setembro de 2026 - 6:11FAXINA NO ARMÁRIO
Enjoei (ENJU3) vai desapegar dos centavos com grupamento de ações na razão de 10 para 1
8 de setembro de 2026 - 20:04TROCA DE GUARDA
Marcos Cruz assume oficialmente como CEO da Tenda (TEND3); saiba o que muda na construtora
8 de setembro de 2026 - 19:15TESOURA NAS ESTIMATIVAS
BofA corta apostas em bancos, mas vê espaço para alta em Itaú, BTG e mais 3 ações; veja quais
8 de setembro de 2026 - 18:24EXPANSÃO INTERNACIONAL
Inter chega à Argentina com conta em dólar e acesso a Wall Street; veja o que está por trás da estratégia
8 de setembro de 2026 - 16:23ASSÉDIO ELEITORAL?
“Vocês vão ter que arranjar outro emprego”: a frase que levou o MPT para cima do “Véio da Havan”.
8 de setembro de 2026 - 11:11INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Sucessor de Warren Buffett diz como Berkshire Hathaway vai ganhar dinheiro com IA (a resposta não está só na bolsa)
7 de setembro de 2026 - 15:35FILHA DO DIVÓRCIO
Farm vale mais que a Azzas (AZZA3) na bolsa? Marca deve receber propostas neste mês após ruptura entre Arezzo e Soma, diz jornal
7 de setembro de 2026 - 10:35FALÊNCIA
190, 192 e 193: Anatel autoriza venda da telefonia fixa da Oi (OIBR3) por R$ 60 milhões
7 de setembro de 2026 - 9:20DE OLHO NAS DÍVIDAS
Adeus, CSN Cimentos? Novo CEO da CSN (CSNA3) prepara venda de ativos bilionários, diz jornal
6 de setembro de 2026 - 12:55PODCAST TOUROS E URSOS
Por que tantas empresas estão quebrando no Brasil?
6 de setembro de 2026 - 11:15AGENTES DE IA
O próximo concorrente de Visa e Mastercard pode não ser um banco, mas uma inteligência artificial
5 de setembro de 2026 - 14:55BENEFÍCIOS
A próxima batalha dos bancos é pelo mercado de vale-refeição (VR) e vale-alimentação (VA)
5 de setembro de 2026 - 13:22PERDEU O ENTUSIASMO
Intelbras (INTB3): ação ainda pode subir 22%, mas JP Morgan já não recomenda compra; confira os motivos
4 de setembro de 2026 - 17:42GORDURA NO CAPITAL?
Méliuz (CASH3) diz que tem capital demais e quer ‘cortar’ R$ 160 milhões da própria conta; entenda
4 de setembro de 2026 - 16:37Conteúdo BTG Pactual