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O Inter registrou lucro líquido de R$ 64 milhões e encerrou o segundo trimestre com 27,8 milhões de clientes; banco acelera no crédito, mas inadimplência também sobe
Sob pressão para melhorar a rentabilidade em um cenário de juros mais altos, o Banco Inter (INBR32) — ou Inter & Co, como passou a se chamar após a migração para a bolsa norte-americana Nasdaq — registrou lucro líquido de R$ 64 milhões no segundo trimestre de 2023.
Trata-se de um recorde para o banco digital desde a abertura de capital (IPO), em 2018, e um avanço de 313% em relação ao mesmo período do ano passado.
As ações do Inter (INTR), listado desde o ano passado na bolsa norte-americana, reagem em forte alta de quase 9% na manhã desta segunda-feira. Os recibos de ações (BDRs) acompanham a euforia, com alta de 8,50% por volta das 11h20.
Apesar do lucro maior, o Inter ainda tem um longo caminho a percorrer para entregar a meta de rentabilidade de 30% até 2027 estabelecida pelo CEO João Vitor Menin.
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) do banco ficou em 3,6% no segundo trimestre. Embora em um patamar considerado baixo, o indicador deu um salto na comparação com o ROE de 0,8% de abril e a junho do ano passado.
O Inter manteve o forte ritmo de crescimento na base de clientes, que terminou o segundo trimestre em 27,8 milhões. Isso significa um avanço de 5,7% no trimestre e de 34% em 12 meses.
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A base de clientes ativos — ou seja, que realizaram pelo menos uma transação nos últimos três meses — cresceu em um ritmo maior (35,3%) e atingiu 14,5 milhões.
Agora, o desafio do banco digital é tornar essa base mais rentável. Aliás, a receita média por cliente (Arpac) apresentou uma redução de 2,5% em relação segundo trimestre do ano passado.
Dentro da estratégia de melhorar a rentabilidade, o Inter decidiu acelerar a concessão de crédito em linhas como o home equity — empréstimo com garantia em imóvel — e antecipação do saque-aniversário do FGTS.
No total, a carteira de crédito do banco cresceu 33,3% nos últimos 12 meses e 5,4% no trimestre, para R$ 26,5 bilhões.
Por outro lado, a inadimplência também subiu e atingiu 4,7%. Ou seja, um aumento de 0,3 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre e de 0,9 ponto frente ao indicador de junho de 2022.
Um dos destaque positivos do resultado do Inter foi o índice de eficiência, de acordo com a analista Larissa Quaresma, da Empiricus Research. O indicador que relaciona as despesas operacionais com a receita total, ficou em 53%, melhoria de 9 p.p. contra o tri anterior.
Apesar do bom resultado, a Empiricus manteve a recomendação neutra para as ações do banco digital, diante da forte alta recente. "Para justificar esse valuation, precisamos enxergar alguma melhora mais substancial de ROE."
Uma das novidades do Inter é o lançamento de um programa de fidelidade, chamado de "Loop". No balanço, pelo menos um efeito da iniciativa já é visível.
Desde maio, os saldos das contas dos clientes passaram a ser investidos em CDBs, cujos rendimentos são convertidos em pontos do Loop.
Como resultado, o volume de depósitos à vista apresentou queda de 72% no trimestre e os recursos a prazo, que incluem os CDBs, saltaram 85%.
Essa dinâmica é favorável ao Inter, já que os parte dos recursos dos depósitos à vista precisa ficar retido no BC sem render juros.
"É importante destacar que esse novo recurso só foi implementado no final do segundo trimestre. Assim, os impactos dela, na Demonstração Financeira, aconteceram majoritariamente no balanço. O efeito total sobre as receitas será observado a partir do 3T23", escreveu o Inter, no relatório que acompanha o balanço trimestral.
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