Corrida pelo “petróleo branco” envolve a Tesla de Elon Musk e disputa por reservas
Elon Musk estaria interessado em ser mais independente de empresas fornecedoras de lítio, como a Vale (VALE3), que hoje vende para a Tesla

A busca de grandes empresas por reservas de lítio envolve nomes cada vez mais poderosos do mundo dos negócios — como Sigma Lithium (SGML), Vale (VALE3), Rio Tinto (RIO) e, desta vez, Elon Musk.
Isso mesmo: o bilionário dono do Twitter e da Space X agora está de olho no chamado "petróleo branco", afinal, não quer ficar para trás nessa corrida. Segundo informações da Bloomberg, o executivo deseja utilizar a Tesla para fazer uma oferta pela Sigma, mineradora que produz metais que permitem a fabricação de baterias de carros elétricos.
Segundo fontes ouvidas pelo veículo, as negociações estão em estágio inicial, enquanto Elon Musk também avalia outras empresas capazes de fornecer lítio para sua companhia de carros elétricos.
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Hoje, a maior parte da Sigma pertence ao A10 Investimentos, um fundo brasileiro de private equity.
Os planos da Sigma Lithium e a busca da Rio Tinto
No fim do ano passado, a Sigma Lithium foi capaz de captar US$ 100 milhões, além de anunciar que pretende triplicar sua produção de lítio para baterias elétricas no ano que vem. A ideia é chegar a 768 mil toneladas — pelo que vimos até aqui, a demanda existe.
Caso os planos se tornem realidade, ela pode figurar entre as maiores produtoras de lítio do mundo em 2025, segundo analistas do mercado.
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Ainda de acordo com a reportagem da Bloomberg, outra empresa interessada nessa produção crescente é a Rio Tinto, que não teria feito uma oferta pela Sigma por causa do preço alto exigido e da competição acirrada.
No ano passado, ela já comprou uma mina de lítio na Argentina por US$ 825 milhões, além de ter buscado uma outra reserva na Sérvia. A proposta não vingou por questões políticas do próprio país e após manifestações populares contra o negócio, mas a Rio Tinto segue na briga por reservas — o principal problema é o preço aparentemente alto demais em todos os casos.
Por que Elon Musk quer entrar nessa briga?
Basicamente, Elon Musk deseja ser mais independente de empresas fornecedoras de lítio, como a Vale (VALE3), que hoje vende para a Tesla. Em um mercado cada vez mais competitivo, a melhor saída parece ser não depender de terceiros para ter o metal a um custo melhor, além de grandes quantidades.
O lítio é fundamental para a fabricação de carros elétricos e ganhou mais relevância nos últimos meses, conforme o esforço global por meios de transportes mais ecológicos só cresce.
A própria Vale, de olho nessa demanda, está tentando vender parte de sua área de metais básicos. Com a divisão entre essa unidade e a parte de minério de ferro, a mineradora busca precificar melhor cada um de seus negócios.
E, com tanta procura, a área de metais básicos pode valer bem mais caso seja separada dos demais negócios.
As últimas notícias sobre o tema relatam que a GM pode pagar até US$ 2 bilhões por parte dessa divisão da Vale. A montadora já estaria na segunda fase de um processo de licitação; seu interesse, claro, é na obtenção de uma fonte de cobre e níquel que sirva para sua produção de veículos elétricos.
Hoje, a Vale já fornece esses materiais para a própria Tesla. A japonesa Mitsui & Co — que também compra da Sigma — e um fundo de investimentos da Arábia Saudita, entre outros, também estão interessados no negócio.
Mas, se os compradores reclamam dos preços, a Vale tem um outro olhar sobre tais valores.
Na mesma teleconferência, o vice-presidente executivo de finanças e relações com investidores da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou que a divisão de metais básicos está "subdimensionada", ao mesmo tempo em que a demanda por esses produtos e a indústria como um todo também não estariam precificadas adequadamente.
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