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Estima-se que a dívida total da Azul (AZUL4) totalize R$ 4,5 bilhões e que a negociação corresponde a mais de 90% do passivo
Os últimos três anos marcaram o setor aéreo global com fortes turbulências e até hoje as companhias aéreas sentem os impactos da pandemia que obrigou o mundo todo a manter os pés no chão. Entre um alívio e outro, a Azul (AZUL4) anunciou ter feito um acordo para negociar suas dívidas, que chegam a R$ 4,5 bilhões — algo que pode ajudar bastante a empresa, especialmente em sua estrutura de capital e geração de caixa.
O principal reflexo disso pode ser visto no primeiro pregão da semana: às 12h34, o papel já havia saltado 52,62%, cotado a R$ 11,05. No mesmo horário, o ativo passava por mais um de inúmeros leilões, após atingir a oscilação máxima permitida.

A companhia não deu mais detalhes sobre os acordos comerciais, que ainda estão sujeitos a condições e aprovações necessárias nesse tipo de situação, mas confirmou que o valor fechado corresponde a mais de 90% de seu passivo de arrendamento.
Segundo um fato relevante arquivado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) os arredondares que fizeram acordo com a Azul vão receber os pagamentos a partir de uma combinação de dívida de longo prazo e ações precificadas conforme o balanço patrimonial reestruturado.
Estima-se que a dívida total da empresa chegue a R$ 4,5 bilhões, sendo boa parte dela resultado de decisões tomadas ainda no início da pandemia. Diante do caos e das incertezas dos primeiros meses, a Azul preferiu, na época, fazer acordos para adiar o pagamento do aluguel de seus aviões.
Há poucas semanas, a agência de classificação de risco Fitch revisou o rating da Azul justamente por causa do risco do refinanciamento de suas dívidas, com valores importantes vencendo neste ano.
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Em nota, a Fitch apontou preocupação com o fluxo de caixa operacional da empresa, deterioração de sua liquidez e ainda o contexto do mercado de crédito no Brasil, que está mais restritivo nas concessões após o escândalo da Americanas.
Outra notícia que ajuda a explicar a disparada das ações da Azul (AZUL4) nesta segunda-feira (6) é o balanço referente ao quarto trimestre de 2022.
Entre outubro e dezembro passados, a companhia registrou lucro líquido de R$ 231,2 milhões, revertendo o cenário de perda registrado no mesmo período de 2021, quando teve prejuízo de R$ 954,7 milhões.
No critério ajustado, a companhia aérea reportou prejuízo líquido de R$ 610,5 milhões, ante perdas de R$ 436 milhões em igual intervalo de 2021.
A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) alcançou R$ 1,097 bilhão no quarto trimestre, alta de 70,7% sobre o mesmo intervalo do ano passado. Com isso, a companhia encerrou o período com margem Ebitda de 24,6%, queda de 2,9 pontos na comparação anual.
De acordo com a Azul, o resultado ocorre mesmo com 115,8% de aumento no preço do combustível, 27,7% de depreciação do real e mais de 20% de inflação no Brasil nos últimos três anos.
No quarto trimestre, a receita operacional atingiu novamente níveis recordes, com a demanda por viagens permanecendo forte. A receita total de R$4,5 bilhões no quarto trimestre, 36,9% acima do mesmo período de 2019, antes da pandemia, e 19,4% acima do mesmo período de 2021.
O céu parece mesmo bem azul para as companhias aéreas nesta início de semana, já que a Gol (GOLL4) pegou carona na disparada da concorrente. Por volta das 12h39, os papéis subiam 29,05%, cotados a R$ 6,62.
A busca pelas ações acontecem após a companhia aérea divulgar seus dados operacionais de fevereiro, que revelaram aumento tanto na oferta quanto na demanda.
No mês passado, a Gol transportou um total de 2,2 milhões de passageiros.
Já a oferta de assentos (ASK) teve um aumento de 13,8% no período, enquanto a demanda média de passageiros por quilômetro (RPK) subiu 17%. Tudo isso levou a uma taxa de ocupação de 82,6%.
No mercado, também existe a expectativa de que a Gol seja capaz de fazer acordos semelhantes ao que foi feito pela Azul, um sinal tido como positivo pelos investidores caso as negociações tenham sucesso.
* Com informações do Estadão Conteúdo
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