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Renan Sousa

Renan Sousa

É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney.

ABRINDO ESPAÇO

Em vitória para Tarcísio, Alesp aprova projeto de lei que libera a privatização da Sabesp (SBSP3); veja próximos passos

A expectativa com a aprovação da privatização da Sabesp se reflete no desempenho das ações da estatal, que sobem mais de 20% na bolsa brasileira em 2023

Renan Sousa
Renan Sousa
6 de dezembro de 2023
20:45 - atualizado às 20:46
Tarcisio de Freitas, governador de São Paulo, quer aprovar privatização da Sabesp, mas caso Enel pesa(1)
Imagem: Montagem Seu Dinheiro / Divulgação

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) acaba de aprovar por 62 votos a favor e um contra o projeto de lei (PL) nº 1.501/2023 que autoriza o Executivo estadual a privatizar a companhia de águas do estado, a Sabesp (SBSP3). Assim, o governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas (Republicanos), entra em 2024 com sua principal bandeira de campanha já bastante encaminhada. 

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Apesar das diversas tentativas da oposição na Alesp de tentar barrar o texto na Casa e atrasar a tramitação em urgência, a proposta conseguiu a maioria. Eram necessários 48 dos 94 deputados para aprovar a privatização.

A expectativa com a aprovação da privatização da Sabesp se reflete no desempenho das ações da estatal, que sobem mais de 20% na bolsa brasileira em 2023 e deram um salto de cerca de 10% em novembro deste ano, sendo negociadas na casa dos R$ 68,00

Sabesp (SBSP3) privatizada: o que é, foi e será

Antes de mais nada, é preciso dizer que aqui no Seu Dinheiro nós já falamos dos argumentos a favor e contra a privatização da Sabesp — a análise completa você lê aqui.

Vale lembrar que a Sabesp já é parcialmente privada, inclusive com capital aberto em bolsa. A expectativa a partir de agora é de que o governo estadual reduza sua participação dos atuais 50,3% para algo como 15% a 30%.

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Parte dos recursos que o Estado obtiver com as ações da Sabesp irão para o chamado Fundo de Apoio à Universalização do Saneamento no Estado de São Paulo (FAUSP). 

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Um dos pontos da proposta de privatização é a manutenção do chamado “subsídio cruzado” — quando a empresa cobra tarifas mais elevadas de uma cidade para “compensar” a operação em outro município pouco viável e manter uma cobrança menor naquela região.

Projeções para o investidor em bolsa

O mercado financeiro local sempre olhou com bons olhos para a privatização da Sabesp. Em um relatório de meados de novembro deste ano, o Citi reafirmou a recomendação de compra da empresa de saneamento — que está entre as suas top picks — e elevou o preço-alvo das ações da companhia de águas paulista para R$ 84.

Do mesmo modo, o JP Morgan também enxerga a Sabesp como um bom negócio, vendo um preço-alvo de R$ 100 por ação após a privatização. O banco norte-americano também projetava 0,8x EV/RAB para 2024. 

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O EV/RAB é utilizado para avaliar a relação entre o valor da empresa e seus ativos regulatórios. O índice serve para que investidores e analistas entendam melhor o potencial de crescimento e valorização das ações desse setor. Quanto menor o EV/RAB, mais barata está a empresa na bolsa. 

  • A DINHEIRISTA — BOOKING ME DEIXOU ‘SEM TETO’: ALUGUEI UM QUARTO E FIQUEI SEM TER PRA ONDE IR

E os clientes da Sabesp?

Recentemente, fortes chuvas atingiram a cidade de São Paulo e literalmente apagaram as luzes do município. Mais de dois milhões de clientes da Enel na capital e municípios vizinhos ficaram sem luz e muitos culparam a privatização da empresa pelo “descaso” com a cidade.

Os problemas enfrentados pela cidade no último temporal levantaram uma lebre, em especial nas redes sociais, de que terminar a cessão completa das operações para a iniciativa privada havia sido um erro. Alguns mais exaltados pediam até a cassação da concessão da Enel em São Paulo. 

E não dá para falar de privatização sem lembrar da Sabesp (SBSP3). Nesta matéria, você encontra as semelhanças e diferenças das duas privatizações. 

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Confira a agenda de privatização da Sabesp

Os analistas do JP Morgan dividiram o andamento da privatização em etapas — e onde teremos que chegar até 2024:

Fase 1: Já concluída

  • Reuniões com prefeitos sobre projeto de privatização;
  • Notificação das prefeituras sobre alterações contratuais;
  • Apresentação do projeto de lei de privatização à Alesp.

Fase 2 (estamos aqui): novembro de 2023 a fevereiro de 2024

  • Aprovação do projeto de lei de privatizações pela Alesp;
  • Reuniões com os municípios sobre questões específicas;
  • Nomeação de representantes para o Conselho das URAEs;
  • Reunião das URAEs;
  • Aprimoramento regulatório, contratação dos bancos coordenadores da oferta — bem como determinar o valuation e fazer o due diligence;
  • Divulgação do estudo da International Finance Corporation (IFC) com valuation e modelo de privatização;
  • Waiver dos credores da Sabesp para a mudança de controle.

Fase 3: fevereiro de 2024 a julho de 2024

  • 1ª reunião das URAEs
  • Deliberação da Comissão de Privatizações do Estado; 
  • Assinatura de novos contratos com a Sabesp e uma Assembleia Geral Extraordinária para determinar um novo estatuto de governança;
  • Diluição da posição do governo estadual abaixo de 50% de participação (janela entre maio e julho 2024);
  • Conclusão do processo.

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