Americanas (AMER3) pede recuperação judicial com dívida de R$ 43 bilhões — e apela até para o preço dos ovos de Páscoa
Pedido foi feito após descoberta de rombo contábil de R$ 20 bilhões na Americanas (AMER3), que soma R$ 43 bilhões em dívidas

A Justiça aceitou o pedido de recuperação judicial feito pela Americanas (AMER3) no fim da tarde desta quinta-feira. Diante do rápido agravamento da situação financeira da varejista, o mercado já esperava por esse desfecho.
A empresa comandada pelo famoso trio de empresários formado por Jorge Paulo Lehman, Betto Sicupira e Marcel Teles soma dívidas no valor de R$ 43 bilhões com bancos e fornecedores, além de questões trabalhistas.
Estima-se que a Americanas tenha 16.300 credores e travou uma batalha com os bancos nos últimos dias. Entre eles o BTG Pactual, que conseguiu bloquear R$ 1,2 bilhão da companhia após decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).
Com a aprovação da recuperação judicial pela 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, a Americanas precisa apresentar em até dois meses ao juiz uma proposta de recuperação que terá que ser aprovada pelos credores.
A recuperação judicial é acionada quando uma empresa já não tem como pagar suas dívidas e pede uma pausa nas cobranças enquanto busca recuperação da saúde financeira.
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Americanas: funcionários, fornecedores e ovos de Páscoa
Na decisão, a Americanas afirma precisou recorrer ao processo de recuperação judicial para que o fluxo de caixa não fosse abalado, impedindo o cumprimento das atividades indispensáveis da empresa, incluindo o pagamento de fornecedores e funcionários.
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A empresa ressalta que uma eventual quebra representaria "um colapso" na cadeia varejista do Brasil.
"O Grupo Americanas confia, portanto, que a recuperação judicial constituirá instrumento capaz de levar à reestruturação de suas dívidas e à adequação de sua estrutura de capital, com absoluto respeito aos direitos e prioridades das diversas categorias de credores, de modo a permitir que possam continuar a exercer suas atividades, gerando, dessa forma, riqueza e empregos, com inegáveis benefícios à comunidade e ao país", diz a decisão.
Afirmou, ainda, em sua petição, que precisou tomar tal decisão por conta de credores que "sem pensar nos impactos para a coletividade, tomaram medidas precipitadas que culminaram no perigoso esvaziamento do caixa da companhia."
Todo o texto é marcado por certo apelo sentimental: em determinado trecho, os advogados citam reportagem publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo que aponta que a crise da varejista pode afetar até mesmo o preços dos ovos de Páscoa, já que ela é uma das maiores vendedoras do produto.
A recuperação judicial da Americanas é o quarto maior processo já visto no Brasil, ficando atrás somente das ações da Odebrecht (R$ 98,5 bilhões), da Oi (R$ 65,4 bilhões) e da Samarco (R$ 50 bilhões).

Perto do fechamento do pregão desta quinta-feira na B3, as ações AMER3 recuavam 42,53%, cotadas a R$ 1,00.
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