Além dos R$ 19 bilhões: Mercado Livre (MELI34) vai investir ainda mais na operação brasileira em 2024; conheça os planos
Mercado Livre vem liderando investimentos no varejo brasileiro e pode ganhar espaço frente a concorrentes como Via e Americanas com estratégia de sortimento de produtos e aportes em logística

De um lado, uma oportunidade com a crise dos principais concorrentes brasileiros, como o Grupo Casas Bahia e Americanas. Do outro, a ameaça da “invasão” asiática das comprinhas da Shein e Shopee. No meio desse cenário, o Mercado Livre (MELI34) pretende marcar posição para se consolidar no comércio eletrônico brasileiro.
Depois de investir R$ 19 bilhões no país neste ano, o plano é colocar ainda mais dinheiro na operação local, de acordo com Fernando Yunes, vice-presidente sênior e líder do Mercado Livre no Brasil.
O executivo não revelou exatamente quanto a mais pretende investir no Brasil no ano que vem, mas destacou os planos do Mercado Livre de melhorar ainda mais o processo de entrega das mercadorias.
“A logística segue avançando forte, quanto mais encurtamos o processo de entrega, maior é a projeção de vendas”, disse Yunes em conversa com o Seu Dinheiro após participar da Latam Retail Show, evento do setor de varejo que acontece em São Paulo.
Parte dos R$ 19 bilhões investidos pelo Mercado Livre no país neste ano foram destinados justamente à expansão da malha logística. “Estamos construindo um centro de distribuição no Nordeste e vamos para o Centro-Oeste e para o Sul.”
Segundo Yunes, o objetivo é aumentar o número de encomendas enviadas no mesmo dia ou no dia seguinte da realização da compra.
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Vale lembrar que o Brasil é o principal mercado da companhia que nasceu na Argentina e já representa cerca de 54% da receita líquida total do negócio na América Latina.
Ao contrário das principais concorrentes, como Magazine Luiza e Casas Bahia, o Mercado Livre vem operando com lucro mesmo diante do cenário mais difícil de juros altos.
No segundo trimestre de 2022, o Mercado Livre registrou lucro líquido de US$ 123 milhões, o que representa um aumento de 81% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Enquanto os competidores sofrem nos resultados e na bolsa, as ações do MELI, listadas na Nasdaq, acumulam alta de quase 60% em 2023.
Mercado Livre: de blusinha a pneu
Além dos fortes investimentos na sua rede logística para garantir uma entrega rápida, o líder do Mercado Livre no Brasil destacou que outro pilar importante e no qual tem investido é o de sortimento de produtos, com a entrada de novos segmentos e parcerias com outras varejistas.
Questionado pelo Seu Dinheiro, Yunes não conta quais os próximos segmentos de produtos em que a empresa deve atacar, mas ressalta que querem estar em todos e que a “estratégia de sortimento está avançando”.
“É um pilar importante, queremos garantir vendedores como marcas e parceiros, além de distribuidores varejistas que tenham qualidade. A demanda está lá, milhões de consumidores estão buscando produtos que eu não vendo porque não tem”, disse.
Em junho deste ano, o Mercado Livre avançou em um segmento forte para concorrentes como a chinesa Shein, se aproximando de polos de moda como a região do Brás, no centro de São Paulo.
Outro segmento em que tem apostado mais é o de eletrônicos e eletrodomésticos, onde pode aproveitar o espaço deixado pela Americanas – que está em recuperação judicial – e pela Casas Bahia – que também enfrenta situação financeira delicada.
Mas as investidas em novos segmentos e parcerias não param por aí. Na área de alimentos, por exemplo, o maior parceiro em supermercados é o Pão de Açúcar, e também há expectativa de que o volume vendido desses produtos cresça com maior oferta.
Outros segmentos mais específicos, como o de produtos automotivos, também estão engordando o mix de produtos oferecidos.
O Mercado Livre vai vender serviços além dos financeiros?
Durante a sua participação no Latam Retail Show, Yunes ainda disse que está no radar da companhia passar a oferecer serviços relacionados a produtos que vende, indo além dos serviços financeiros que já oferece via Mercado Pago, que funciona como o banco da empresa.
“Isto está no radar. Devemos entrar com algumas categorias para testar. Nesse serviço vai entrar mão-de obra, gente executando”, disse.
“Não temos o lado presencial e vamos testar com parceiros. Se um cliente compra um pneu no Mercado Livre hoje, ele tem que carregar para algum lugar ou pedir para entregar em uma oficina, então ter um serviço faz sentido”, completou.
Mercado Livre: melhora da rede e da experiência na hora da troca
Ao lado do investimento em logística e sortimentos de produtos, também está sendo feita a melhora da experiência na hora da coleta e troca de produtos.
Yunes contou que há um projeto piloto em andamento para testar ter lojas do Pão de Açúcar como ponto de coleta, onde os clientes podem retirar produtos, como até então era feito em lojas dos Correios.
Outra questão em estudo é o Mercado Livre passar a ir na casa do cliente que quer fazer alguma devolução.
“Estamos estudando isso principalmente na categoria de moda, porque isso tiraria uma fricção no consumo, mas tem custo logístico alto. Estamos vendo como pensar essa infra sem perder produtividade”, afirmou.
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“Combinação matadora: entrega rápida e frete grátis”
Aliada ainda ao objetivo de acelerar o tempo de entrega, o Mercado Livre destacou que busca formas de reduzir o frete pago para clientes na hora da entrega dos produtos.
Uma dessas maneiras é o programa de fidelidade que lançou recentemente, a exemplo do que faz a Amazon, por exemplo.
O programa, chamado de Meli+, cobra assinatura mensal de R$ 17,99 e dá direito a frete grátis em produtos acima de R$ 29. A assinatura ainda oferece o streaming da Disney e desconto nos streamings da Paramount e da HBO.
“Cai bastante o valor mínimo para ter frete grátis. A combinação de frete grátis e entrega rápida é matadora hoje em dia”, disse.
Além de atrair com frete grátis, Yunes afirma que o programa ajuda a trazer maior fluxo de pessoas para a plataforma do Mercado Livre.
Além do Meli+, foi lançado o Mercado Livre Play, uma plataforma de streaming gratuita, com conteúdo de parceiros e que é monetizada por meio de anúncios.
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