🔴 TOUROS E URSOS: LULA 3 FAZ 3 ANOS, OS DADOS ECONÔMICOS E A POPULARIDADE DO GOVERNO – ASSISTA AGORA

Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo: como a quebra do SVB coloca o Banco Central numa sinuca de bico

A quebra de bancos regionais nos EUA pode ajudar nosso Banco Central a reduzir os juros por aqui, aliviando as pressões de crédito

14 de março de 2023
6:19 - atualizado às 9:53
Roberto Campos Neto e Jerome Powell, presidentes dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos
Roberto Campos Neto e Jerome Powell, presidentes dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos - Imagem: Divulgação

Os mercados financeiros globais estão lidando com uma tempestade perfeita. A liquidação da Silvergate Capital, focada em criptomoedas, e o colapso do Silicon Valley Bank (SVB) levantaram questões sobre os riscos de instabilidade financeira para a economia norte-americana, bem como o risco de contágio para outros bancos regionais nos EUA.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Destaque para o segundo. O SVB Financial Group, controlador do Silicon Valley Bank (o "banco do Vale do Silício"), registrou um grande prejuízo, provocando a venda de ações de grandes bancos dos EUA — a instituição vendeu títulos de sua carteira com uma perda de US$ 1,8 bilhão, ao mesmo tempo em que anunciava planos para levantar capital por meio de uma oferta de ações ordinárias e preferenciais.

A informação gerou muito pessimismo.

Passaram-se 15 anos desde que o Bear Stearns chocou Wall Street e o mundo ao enfrentar uma crise de caixa que obrigou o banco a ser vendido a um preço baixíssimo. Com isso, o Silicon Valley Bank é a primeira instituição segurada pelo Federal Deposit Insurance Corporation, ou FDIC, a ser liquidada desde 2020 e o maior banco falido desde a crise financeira.

O problema decorre do aumento das taxas de juros.

Os bancos estão sobrecarregados com títulos mais antigos e de menor rendimento que perderam valor repentinamente. Ninguém quer uma carteira de títulos com rendimento de 1,5% quando o mercado atual está vendendo títulos do Tesouro de 6 meses com rendimento acima de 5%.

O SVB pegou os depósitos de seus clientes e os usou para comprar esses títulos de baixo rendimento. Na semana passada, foi forçado a vender os títulos com prejuízo, provocando a queda das ações. A partir daí, o pânico cresceu, culminando na falência do banco.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O medo de contágio e uma corrida aos bancos à moda antiga fizeram com que as ações de outros bancos regionais também caíssem. No fundo, o mercado teme um episódio parecido com o de 2008, com desdobramento subsequente pelo mundo.

Leia Também

  • O SEGREDO DOS MILIONÁRIOS: as pessoas mais ricas do Brasil não hesitam em comprar ações boas pagadoras de dividendos. Veja como fazer o mesmo neste treinamento exclusivo que o Seu Dinheiro está liberando para todos os leitores.

Não há sinais de risco sistêmico

Deixo claro desde já que, em minha visão, os eventos não devem ter implicações mais amplas e significativas para a economia, não compondo, portanto, um sinal de risco sistêmico para o setor bancário. Não estamos em 2007 ou 2008. Não há bolha de crédito alimentando a economia.

No entanto, o fraco poder de negociação salarial tornou os consumidores, especialmente os de baixa renda, mais dependentes do crédito. Em outras palavras, a situação de juros mais elevados pode já ser sentida entre os consumidores. De fato, sei que pode haver muita incerteza sobre a visão mais otimista, até mesmo porque o risco de cauda existe.

Resgate aos clientes

Ainda assim, o Tesouro, o Federal Reserve e o Federal Deposit Insurance Corp, ou FDIC (fundo garantidor), intervieram em conjunto na noite de domingo para proteger os clientes do SVB e apoiar outras instituições depositárias elegíveis, conforme necessário.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Todos os clientes do SVB terão acesso a todo o dinheiro de seus depósitos, sendo que o Fed ainda disponibilizará financiamento adicional a instituições depositárias qualificadas, garantindo que os EUA estariam preparados para lidar com qualquer pressão de liquidez que surgir. A ideia aqui é evitar o surgimento de um risco sistêmico.

O nervosismo permanece, sim, mas os movimentos deveriam servir ao menos para acalmar marginalmente os temores que, de outra forma, poderiam ter desencadeado novas corridas aos bancos, como aconteceu no caso da SVB.

Não desisto de pensar que a economia dos EUA passará por uma leve recessão durante o segundo semestre deste ano. Não vejo, porém, um desfecho catastrófico. Sabíamos que, mais cedo ou mais tarde, diante do aperto monetário sem precedentes do Fed, algum corpo poderia aparecer boiando. Dito e feito. Resta saber se é o único.

Leia também

Onde o Brasil entra nisso

Ao mesmo tempo, por mais distante que possa parecer, o contexto guarda relação com o que está acontecendo com o Brasil. Tanto o Federal Reserve dos EUA como o Banco Central do Brasil conduzirão suas respectivas reuniões de política monetária na semana que vem. Acontece que, considerando o episódio, o jogo está em aberto.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Nos EUA, por exemplo, na semana passada, Jerome Powell, o presidente do Fed, colocou novamente na mesa a possibilidade de uma alta de 50 pontos-base na reunião, o que reaceleraria o processo de aperto. A fala envelheceu muito mal.

Nunca acreditei nesse movimento, entendo a participação de Powell como um desastrado exercício de atuação vocal, mostrando tom ainda contracionista. Sim, se levarmos em conta a inflação e o mercado de trabalho, o Fed ainda tem espaço para continuar subindo os juros e mantê-los elevados por mais tempo.

Ocorre, porém, que os choques no sistema financeiro foram relevantes e, consequentemente, os elevados riscos de instabilidade financeira argumentam ligeiramente a favor do aumento das taxas do FOMC em apenas 25 pontos-base na próxima reunião, o que será um modesto suporte para os mercados.

Mirei no que vi e acertei no que não vi. 

São muitas instituições do mercado financeiro agora observando o fim do aperto monetário do horizonte. O Wall Street Journal, a corretora japonesa Nomura Securities, o banco espanhol Barclays e a consultoria econômica Capital Economics, bem como muitos outros nomes, já indicaram que há espaço para um afrouxamento do tom.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Há quem diga, inclusive, que há espaço para um corte já em março.

Duvido, mesmo que o cenário esteja entre os possíveis. Trabalho com a chance predominante de um último ajuste de 25 pontos base, sinalizando uma pausa, ao menos por enquanto, do processo de aperto monetário.

Claro que isso pode mudar nos próximos dias, a depender da digestão dos dados de inflação e de novidades envolvendo o setor bancário americano, em especial o regional.

O ponto é que esse evento dialoga com o que estamos vivendo no Brasil. Diferentemente dos EUA, já encerramos o processo de aperto monetário, restando agora saber quando começaremos a redução de juros.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ter que lidar com tantas crises em tantos lugares ao mesmo tempo é um verdadeiro desafio para o BC. Temos três frentes de atuação: para pensar:

  • i) a inflação corrente;
  • ii) a possibilidade de uma crise de crédito (a ameaça de uma forte desaceleração do mercado de crédito doméstico desencadeada pela crise da Americanas e pelo aperto monetário realizado); e
  • iii) a problemática fiscal, que prejudica a formação de expectativas e adiciona prêmio na ponta longa da curva de juros.

Hoje, vivemos em uma situação na qual o primeiro ponto impede o BC de subir os juros, enquanto o segundo demanda alguma flexibilização, de modo a evitar uma quebradeira descontrolada pelo Brasil. O terceiro e último ponto, mas não menos importante, está em aberto, e tem como grande divisor de águas o novo arcabouço.

Expectativa com o arcabouço fiscal

Os meses de janeiro e fevereiro foram marcados por um embate duro entre o Poder Executivo e o Banco Central. Lula e sua base, bem como várias lideranças do país, estão nervosos com os juros elevados, que prejudicam as perspectivas de crescimento. Conversamos sobre esse tema recentemente.

Nos próximos dias teremos a apresentação formal da regra fiscal que deverá substituir o teto de gastos. O problema é que ele é condição necessária para a queda dos juros, porém não suficiente. Com isso, partindo dessa perspectiva, poderíamos ter uma flexibilização do discurso na semana que vem, sinalizando queda da Selic em maio.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Isso pode irritar os políticos e empresários brasileiros, mas há pouco que possamos fazer. As expectativas ainda não estão ancoradas, há muita incerteza no ar, vivemos diariamente com atritos desnecessários contra a autoridade monetária e a inflação, como pudemos ver sexta, ainda está vindo acima do esperado.

O contexto não é trivial. O Banco Central terá que fazer uma escolha difícil.

O caminho pode ser um argumento técnico no sentido da possibilidade de uma crise de crédito (se o arcabouço fiscal for decente, também pode ser usado como argumento). Ao mesmo tempo, a quebra dos bancos americanos pode dar impulso ao Banco Central sinalizar o início do ciclo de corte da Selic.

O motivo? O colapso dos bancos, ainda que regionais e não primários, coloca as condições financeiras globais, que já estavam se contraindo, em situação de ainda mais aperto, tendo efeito baixista para a inflação, uma vez que é inibidor de atividade.

Com menos espaço para mais juros nos EUA, o Brasil pode reduzir sua taxa de juros com maior tranquilidade, ou ao menos planejar a redução. Dessa maneira, se torna menos problemático para a autoridade monetária começar a reduzir gradualmente a restrição, uma vez que o balanço de riscos domésticos e internacionais mudou.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ainda temos muitos dias até a reunião. Ultimamente, cada dia parece uma eternidade em termos de informação.

Será importante acompanharmos a apresentação do arcabouço fiscal e a digestão da inflação americana. Só assim conseguiremos ter uma clareza maior de para onde estamos navegando.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: medindo a volatilidade implícita do trade eleitoral

7 de janeiro de 2026 - 19:48

O jogo político de 2026 vai além de Lula e Bolsonaro; entenda como o trade eleitoral redefine papéis e cenários

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Empresas brasileiras fazem fila em Wall Street, e investidores aguardam dados dos EUA e do Brasil

7 de janeiro de 2026 - 8:25

Veja por que companhias brasileiras estão interessadas em abrir capital nos Estados Unidos e o que mais move os mercados hoje

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Venezuela e a Doutrina Monroe 2.0: Trump cruza o Rubicão

6 de janeiro de 2026 - 9:33

As expectativas do norte-americano Rubio para a presidente venezuelana interina são claras, da reformulação da indústria petrolífera ao realinhamento geopolítico

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A janela para o mundo invertido nos investimentos, e o que mais move o mercado hoje

6 de janeiro de 2026 - 8:16

Assim como na última temporada de Stranger Things, encontrar a abertura certa pode fazer toda a diferença; veja o FII que ainda é uma oportunidade e é o mais recomendado por especialistas

EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: Notas sobre a Venezuela

5 de janeiro de 2026 - 14:01

Crise na Venezuela e captura de Maduro expõem a fragilidade da ordem mundial pós-1945, com EUA e China disputando influência na América Latina

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ação do mês, o impacto do ataque dos EUA à Venezuela no petróleo, e o que mais move os mercados hoje

5 de janeiro de 2026 - 7:58

A construtora Direcional (DIRR3) recebeu três recomendações e é a ação mais indicada para investir em janeiro; acompanhe também os efeitos do ataque no preço da commodity

TRILHAS DE CARREIRA

O ano novo começa onde você parou de fugir. E se você parasse de ignorar seus arrependimentos em 2026?

4 de janeiro de 2026 - 8:00

O ano novo bate mais uma vez à porta. E qual foi o saldo das metas? E a lista de desejos para o ano vindouro?

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

FIIs de logística agitaram o ano, e mercado digere as notícias econômicas dos últimos dias

2 de janeiro de 2026 - 8:28

China irá taxar importação de carne, o que pode afetar as exportações brasileiras, mercado aguarda divulgação de dados dos EUA, e o que mais você precisa saber para começar o ano bem-informado

RETROSPECTIVA

As ações que se destacaram e as que foram um desastre na bolsa em 2025: veja o que deu certo e o que derrubou o valor dessas empresas

31 de dezembro de 2025 - 8:51

Da Cogna (COGN3) , que disparou quase 240%, à Raízen (RAIZ4), que perdeu 64% do seu valor, veja as maiores altas e piores quedas do Ibovespa no ano de 2025

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Empreendedora já impactou 15 milhões de pessoas, mercado aguarda dados de emprego, e Trump ameaça Powell novamente

30 de dezembro de 2025 - 8:43

Conheça a história da Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME) e do Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), e quais são seus planos para ajudar ainda mais mulheres

EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: 10 surpresas para 2026

29 de dezembro de 2025 - 20:34

A definição de “surpresa”, neste escopo, se refere a um evento para o qual o consenso de mercado atribui uma probabilidade igual ou inferior a 33%, enquanto, na nossa opinião, ele goza de uma chance superior a 50% de ocorrência

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como cada um dos maiores bancos do Brasil se saiu em 2025, e como foram os encontros de Trump com Putin e Zelensky

29 de dezembro de 2025 - 8:13

Itaú Unibanco (ITUB4) manteve-se na liderança, e o Banco do Brasil (BBAS3). Veja como se saíram também Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11)

DÉCIMO ANDAR

FIIs em 2026: gatilhos, riscos e um setor em destaque

28 de dezembro de 2025 - 8:00

Mesmo em um cenário adverso, não surpreende que o segmento em destaque tenha encerrado 2025 como o segundo que mais se valorizou dentro do universo de FIIs

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O Mirassol das criptomoedas, a volta dos mercados após o Natal e outros destaques do dia

26 de dezembro de 2025 - 9:01

Em um ano em que os “grandes times”, como o bitcoin e o ethereum, decepcionaram, foram os “Mirassóis” que fizeram a alegria dos investidores

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

De Volta para o Futuro 2026: previsões, apostas e prováveis surpresas na economia, na bolsa e no dólar

23 de dezembro de 2025 - 8:33

Como fazer previsões é tão inevitável quanto o próprio futuro, vale a pena saber o que os principais nomes do mercado esperam para 2026

EXILE ON WALL STREET

Tony Volpon: Uma economia global de opostos

22 de dezembro de 2025 - 19:41

De Trump ao dólar em queda, passando pela bolha da IA: veja como o ano de 2025 mexeu com os mercados e o que esperar de 2026

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Esquenta dos mercados: Investidores ajustam posições antes do Natal; saiba o que esperar da semana na bolsa

22 de dezembro de 2025 - 8:44

A movimentação das bolsas na semana do Natal, uma reportagem especial sobre como pagar menos imposto com a previdência privada e mais

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O dado que pode fazer a Vale (VALE3) brilhar nos próximos dez anos, eleições no Brasil e o que mais move seu bolso hoje

19 de dezembro de 2025 - 8:31

O mercado não está olhando para a exaustão das minas de minério de ferro — esse dado pode impulsionar o preço da commodity e os ganhos da mineradora

SEXTOU COM O RUY

A Vale brilhou em 2025, mas se o alerta dessas mineradoras estiver certo, VALE3 pode ser um dos destaques da década

19 de dezembro de 2025 - 6:08

Se as projeções da Rio Tinto estiverem corretas, a virada da década pode começar a mostrar uma mudança estrutural no balanço entre oferta e demanda, e os preços do minério já parecem ter começado a precificar isso

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As vantagens da holding familiar para organizar a herança, a inflação nos EUA e o que mais afeta os mercados hoje

18 de dezembro de 2025 - 8:55

Pagar menos impostos e dividir os bens ainda em vida são algumas vantagens de organizar o patrimônio em uma holding. E não é só para os ricaços: veja os custos, as diferenças e se faz sentido para você

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar