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Para Rodolfo Amstalden, o desejo de controle é o grande mal ideológico; e se o mercado deveria deixar o presidente trabalhar, este deveria deixar o mercado trabalhar também
Ainda que bem disfarçada, a razão em sua forma extrema é mais uma dentre tantas emoções, é o desejo de controle.
Nesse sentido, podemos admitir que os agentes econômicos são racionais, pois ambicionam controlar o que acontece com os preços dos ativos.
Já o mercado é terminantemente irracional; nunca pode ser controlado ou governado.
Pessoas com desejo de controle tomam um choque quando se deparam com contextos que fogem ao esperado (por elas). Você já deve ter presenciado isso em situações cotidianas, não é uma cena bonita.
Insatisfeitas com a negativa, essas pessoas com visão de mundo mecanicista buscam heurísticas tortas para tentar controlar o incontrolável.
O desejo de controle é, no meu parco entendimento, o grande mal ideológico, compartilhado pela extrema esquerda e pela extrema direita.
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Ele pode se manifestar pela ânsia de tomar as rédeas do mercado (extrema esquerda) ou de tomar as rédeas dos costumes (extrema direita).
Qualquer que seja o direcionamento, as consequências se fazem as piores possíveis. Inflação persistente ou filhos complexados.
A ironia dessa história está em que, na maioria dos casos, o objetivo originalmente perseguido pelo indivíduo controlador seria suavemente alcançado se ele simplesmente deixasse as coisas acontecerem naturalmente.
Se você fizer questão de ensinar um pássaro a voar, provavelmente acabará entortando suas asas. Mas se a mãe do passarinho o empurrar gentilmente do galho, ele imediatamente entenderá o que precisa fazer para não mergulhar com o bico no chão.
Em 23 de dezembro de 2022, o relatório Focus indicava justamente uma Selic de 12,00% ao término de 2023, sem qualquer necessidade de mexer na meta de inflação.
Desde então, ataques ao BC e à responsabilidade fiscal só fizeram a expectativa de juros subir, para 12,75%.
Deixa o homem trabalhar, e deixa o mercado trabalhar também.
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