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Façam suas apostas: a China deixou o “pódio dos emergentes” e deu espaço para os seus vizinhos?

Bônus demográfico e reformas econômicas favorecem a Índia, mas há outras alternativas à China entre emergentes

mercados emergentes
Imagem: Shutterstock

É da natureza humana querer ganhar dinheiro facilmente e em pouco tempo. Ficar milionário sem precisar ralar ao menos 40 horas por semana (geralmente muito mais) é a definição de “zerar a vida” para muita gente.

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Há quem se inscreva em reality shows (alô, Big Brother Brasil), há quem jogue na Mega-Sena e até players mais ousados, como os jogadores de caça-níquel (lógico, dentro da legalidade de cada país) e de apostas esportivas – fenômeno no Brasil nos últimos três anos.

Quando criança, eu acompanhava o meu pai na ida a casa lotérica mais próxima para apostarmos nos seis números capazes de nos levar aos famigerados sete dígitos na nossa conta bancária. 

Divertido? Muito. Mas, como é de se imaginar, nunca fomos agraciados com a chance de 0,000002% de acertar em cheio a sequência sorteada (nem mesmo uma quina, diga-se de passagem). 

Você – e todo mundo – já deve ter ouvido a frase: “é mais fácil ser atingido por um raio do que ganhar na Mega” e mesmo assim já percebeu o enorme interesse das pessoas em apostar, principalmente quando a bolada é grande. O alto número de jogadores na Mega da Virada é a prova disso.

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Não coloque todos os ovos em uma cesta só

Já no universo dos investidores, encontramos comportamentos similares. Quantos aplicaram quantias bem maiores do que o recomendado em Magazine Luiza lá em 2020, acreditando no potencial infinito da ação em multiplicar o seu patrimônio? 

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O petróleo voltou a subir: ainda vale a pena comprar ações da Petrobras (PETR4) e embolsar dividendos?

Ou quando muitos investiram pesado em criptomoedas totalmente desconhecidas, sem ao menos saber do que se tratavam?

É verdade quando dizem que não existe almoço grátis. Também pode acreditar quando falarem para você não colocar todos os ovos em uma cesta só.

Apostar em único ativo pode ser tão perigoso quanto uma noitada em um cassino. Isso também vale para a sua alocação geográfica, em um grau de risco menor (se estiver de fato diversificado entre classes).

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Investir em um só país coloca o seu dinheiro vulnerável a questões fiscais e políticas deste local, para dizer o mínimo. 

Ainda assim, segundo uma pesquisa feita pelo JP Morgan, cerca de 99,5% do dinheiro alocado de investidores brasileiros está exposto somente a ativos no Brasil, mesmo que o país seja representante de apenas 2,5% do PIB global.

Curioso, não? Até porque todos nós sabemos que não vivemos em uma nação-exemplo de estabilidade fiscal e política.

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Pois então, onde você deve investir?

O primeiro passo é alocar parte do seu dinheiro em economias desenvolvidas, mais estáveis por si só. Estados Unidos, Europa e Japão merecem um espaço no seu portfólio, ainda mais pela infinidade de investimentos e instrumentos disponíveis para você se expor a estes mercados e suas moedas.

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Outra "caixinha” deve ser reservada para os investimentos em países emergentes além do Brasil. Por mais que não tenham uma economia no mesmo nível de estabilidade, essas regiões geralmente entregam um prêmio de risco mais interessante.

Quem sempre garantiu um “assento VIP” nessa categoria foi a China – mas, recentemente, ela vem sofrendo para manter seu lugar no pódio.

Há quatro décadas garantindo crescimento econômico acima das expectativas, a China foi a grande aposta de muitos gestores neste ano, quando o mercado acreditava em uma recuperação expressiva do país à medida que as restrições impostas pelo governo durante a pandemia fossem suspensas.

Contudo, em minha humilde opinião, essa foi de longe a maior decepção de 2023.

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China em apuros?

Como explicado brilhantemente na carta mensal da Kinea (gestora de renome brasileira) de agosto, para chegar onde chegou, a China usou um modelo de crescimento econômico baseado no uso dos recursos internos para se financiar. Contudo, esse modus operandi parou de produzir o mesmo efeito após a pandemia.

Para que o país asiático continue crescendo o seu PIB (Produto Interno Bruto), o governo precisará lidar, antes de tudo, com a desaceleração do mercado imobiliário, a perda de dinamismo dos projetos de infraestrutura, os altos níveis de desemprego de jovens e a confiança das famílias em baixa – o que, vamos combinar, não deve ser uma tarefa fácil.

Derrick Yee, gestor especialista em ações asiáticas da Manulife Investment, de Hong Kong, com seus mais de 20 anos de experiência em ativos da Ásia, complementou esse discurso comentando as mais de 30 políticas implantadas pelo governo chinês para resolver o problema. Ele explica que este é um processo longo para conseguirmos enxergar os benefícios das medidas, sem ser possível datar quando a economia do país irá retomar o seu crescimento.

Yee relata que ainda existem oportunidades na China, justamente pela relação risco/retorno dos ativos estar bem descontada, mas ressalta um aumento de atratividade de outras regiões ainda na Ásia.

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Ademais, os recentes conflitos entre China e EUA reduziram as exportações de insumos para o grande mercado norte-americano, o que abriu espaço para os países próximos da China, tão bons quanto na produção da maioria dos insumos, passarem a exportar e, inevitavelmente, crescer ainda mais.

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A aposta de Ray Dalio

Outro nome de peso no mercado a favor de olhar para outros países orientais na busca por oportunidades, é Ray Dalio, gestor e fundador da Bridgewater.

Dalio se encontrou recentemente com Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, e demonstrou profundo interesse no mercado indiano que, segundo ele, está em um momento de crescimento econômico similar ao chinês em 1980, época de ouro da China.

Nas últimas semanas, também pude conversar com a estrategista global do JP Morgan, Gabriela Santos, que comentou sobre a atual preferência dos investidores estrangeiros em outros países asiáticos excluindo a China.

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Alternativas à China

A Índia foi destaque nesse tema, devido à demografia favorável e às reformas econômicas em andamento, assim como a Coreia do Sul e Taiwan, pela produção de semicondutores, e o Sul da Ásia, pelo retorno do turismo.

Sintetizando, o seu portfólio ideal precisará estar exposto aos mais diferentes mercados, desde países desenvolvidos aos emergentes, para que você aproveite ao máximo das oportunidades existentes.

A mensagem final que deixo hoje é: não deixe as fronteiras geográficas ditarem onde você deve (ou não) investir o seu dinheiro – muito pelo contrário.

Podemos até ter um “cavalo da vez”, que lhe proporcionará retornos interessantes no curto prazo, mas isso não será eterno.

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Você pode apostar uma quantia dispensável nele, que não irá te incomodar caso a sua tese não se concretize, mas você deve lembrar de estruturar a sua carteira pensando no longo prazo, com a devida diversificação geográfica, representando a maior parte do seu patrimônio.

Afinal, oportunidades não estão faltando. Você irá me agradecer lá na frente.

Grande abraço e até a próxima,

Rafaela Ribas

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