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O ex-juiz deixará de concorrer ao cargo para filiar-se ao União Brasil e segue o mesmo caminho do deputado Arthur do Val, que também deixou o Podemos após o vazamento de áudios de teor sexista sobre mulheres na Ucrânia
O dia não está fácil para a chamada terceira via. Os eleitores que buscam uma opção além da polarização entre direita e esquerda tomaram um susto logo cedo com a — já desmentida — notícia da possível retirada da pré-candidatura à presidência de João Doria. Agora, terão de lidar com a saída de Sergio Moro da disputa pelo cargo.
No caso de Moro, a desistência já é oficial e foi confirmada pelo ex-ministro da Justiça, em nota em suas redes sociais nesta quinta-feira (31).
O ex-juiz deixará de concorrer ao cargo para filiar-se ao União Brasil e segue o mesmo caminho do deputado Arthur do Val, que também deixou o Podemos após o vazamento de áudios de teor sexista sobre mulheres na Ucrânia.
“Aceitei o convite do presidente nacional do União Brasil, Luciano Bivar, para me filiar ao partido e, assim, facilitar as negociações das forças políticas de centro democrático em busca de uma candidatura presidencial única”.
A chapa única ao Planalto, no entanto, não deve ter o nome de Moro. Segundo informações d’O Globo, o ex-juiz será candidato a deputado federal em São Paulo.
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O jornal diz ter confirmado a informação com a equipe de comunicação de Moro, mas, após a publicação, a mesma assessoria declarou que o novo destino político do ex-ministro ainda não foi definido.
Na nota oficial, Moro limitou-se a reforçar que será “um soldado da democracia” na nova legenda. “Para ingressar no partido, abro mão, nesse momento, da pré-candidatura presidencial e serei um soldado da democracia para recuperar o sonho de um Brasil melhor”.
Baixas na terceira via à parte, analistas e economistas consultados pelo Seu Dinheiro indicam que o mercado está mesmo atento aos movimentos dos dois principais candidatos à presidência: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o atual chefe do Planalto, Jair Bolsonaro.
Ou seja: os ruídos em torno da corrida para ser o candidato alternativo não tiveram forças para mexer com a cabeça da Faria Lima.
Para Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos, os olhos dos investidores ainda não se voltaram para o cenário de eleições e o pleito ainda não foi precificado pelos ativos. “O mercado local está com olhar voltado para a oportunidade de negócios que o conflito no leste europeu trouxe para as nossas ações e câmbio”.
O dia também foi marcado por dados inflacionários nos Estados Unidos e a preocupação com o rumo da política monetária global diante da continuidade da guerra na Ucrânia.
Não foram apenas Sergio Moro e João Doria que dominaram as manchetes hoje. Com a potencial desistência de dois candidatos fortemente cotados para uma potencial terceira via, o ex-governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, ganhou mais fôlego entre o mercado e renovou a expectativa de que uma alternativa forte possa nascer.
Em novembro do ano passado, Doria derrotou Leite nas prévias que decidiram o candidato à presidência pelo PSDB. A disputa foi marcada por tensão e disputas internas dentro do partido.
Para Marcel Andrade, head de renda variável da Vitreo, o nome de Leite surge como uma alternativa que agrada o mercado e que poderia repercutir bem nos ativos domésticos. "Ele pegaria todos os votos do Moro, do Doria e até mesmo dos dois principais candidatos. Passaria facilmente o Ciro e poderia deixar o Bolsonaro fora do segundo turno".
Outro gestor lembra, no entanto, que para o mercado, as eleições para o Congresso podem ser ainda mais importantes do que a corrida para o Planalto. “Independente de quem ganhar, é o Centrão que vai governar e o presidente vai precisar do apoio desse bloco. Tem muita água para rolar, mas vai ser favorito quem tiver o melhor manejo e articulação”.
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