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Jerônimo Rodrigues (PT) tenta a virada contra ACM Neto (União Brasil) na corrida ao governo da Bahia
Com 96,65% das urnas apuradas, Jerônimo Rodrigues (PT) foi matematicamente eleito governador do Estado da Bahia neste domingo (30). Ele obteve 52,79% dos votos válidos e impôs uma derrota amarga a Antônio Carlos Magalhães Neto (União Brasil), que obteve 47,21%.
Aos 72 anos, Jerônimo Rodrigues disputou sua primeira eleição sob a bênção do também petista Rui Costa, atual governador do Estado.
Engenheiro agrônomo, Rodrigues atuou como secretário de Desenvolvimento Rural da Bahia entre 2015 e 2019, quando assumiu a secretaria de Educação do estado.
A chegada de Rodrigues ao Palácio de Ondina, sede do governo baiano, contou com uma campanha marcada por polêmicas e controvérsia.
Da parte de ACM, a notícia de que ele havia registrado a candidatura como um homem branco e depois mudado para pardo viralizou.
A oposição alegou que o motivo da troca era uma resolução de 2021 que determina que os partidos destinem recursos do Fundo Eleitoral de forma proporcional para os candidatos autodeclarados negros (pretos e pardos).
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Porém, ACM Neto já havia se declarado pardo nas eleições de 2016, quando se reelegeu prefeito de Salvador.
Em meio à polêmica, ACM apareceu num vídeo com a pele mais escura do que o seu normal, o que gerou acusações de que ele teria feito bronzeamento artificial para justificar a autodeclaração parda.
Do lado do Partido dos Trabalhadores (PT), a decisão de lançar Jerônimo Rodrigues ao pleito foi recebida com desconfiança pela própria militância.
Alguns segmentos do braço baiano do PT pediam um nome mais conhecido para disputar o cargo com ACM Neto, cuja trajetória política e tradição de família representavam uma ameaça.
Parte desses receios encontrou eco conforme saíam as pesquisas de intenção de voto no primeiro turno, que davam ampla vantagem de ACM em relação a Rodrigues.
A pesquisa Datafolha divulgada na véspera do primeiro turno, inclusive, mostrava o ex-prefeito de Salvador com chances de levar o pleito com 51% dos votos válidos, contra 38% do petista.
Mas o resultado das urnas foi praticamente o inverso: 49,33% para Rodrigues e 40,88% para ACM Neto.
Críticas às pesquisas eleitorais à parte, fato é que o resultado fez muita gente que apoiava ACM Neto virar a casaca. É o caso de Joceval Rodrigues (Cidadania), que foi líder do governo de ACM Neto, quando ele era prefeito, na Câmara Municipal de Salvador e decidiu apoiar o adversário deste no segundo turno.
O movimento fez surgir, inclusive, eleitores que defendiam um voto casado em Rodrigues no Estado e em Jair Bolsonaro (PL) na Presidência da República.
O Partido Social Cristão (PSC), por exemplo, rompeu com ACM após fazer algumas avaliações internas e passou a apoiar o petista. Porém, na campanha à presidência, o PSC seguiu com Bolsonaro.
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