Copia, mas não faz igual: Como Bolsonaro se inspira em Trump na reta final das eleições
Das acusações de fraude eleitoral à postura nos debates, Bolsonaro adota métodos de campanha eleitoral bem semelhantes às do ex-presidente dos EUA

Desde 2018, muito tem se falado das semelhanças entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente norte-americano Donald Trump. Agora, na reta final das eleições deste ano, essas similaridades se tornaram ainda mais evidentes.
Apesar de adotar um discurso liberal — diferente do programa econômico de Trump — Bolsonaro utiliza métodos de campanha similares aos de 2016 nas eleições norte-americanas.
Os dois, por exemplo, exploram o uso das redes sociais e dos instrumentos de comunicação digital para falar diretamente com os apoiadores, ao mesmo tempo em que procuram desacreditar a cobertura da mídia tradicional.
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Além disso, a campanha de Bolsonaro se aproximou de conselheiros do ex-presidente dos EUA. Em agosto deste ano, o filho de Bolsonaro, Eduardo, foi aos EUA se encontrar com Steve Banon — marqueteiro que ajudou Trump e atuou como estrategista para candidatos de extrema direita no mundo.
Banon, que recentemente foi condenado a quatro meses de prisão por desacato ao Congresso dos EUA, chegou a ser anunciado por Eduardo como um consultor eventual da campanha de Bolsonaro.
Voto pelo correio x urna eletrônica
A afinidade política entre Trump e Bolsonaro é mais do que conhecida. Talvez o caso mais emblemático da semelhança nas estratégias dos dois seja a acusação de fraudes nas eleições.
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Assim como fez Trump nos EUA, Bolsonaro questiona reiteradamente a confiança no sistema eleitoral brasileiro, mesmo sem provas de fraude ou falhas.
Trump e Bolsonaro recorrem a este tipo de prática mesmo quando aparecem com alguma vantagem eleitoral.
Em 2016, quando Trump venceu as eleições nos EUA, aliados mantiveram o movimento “Stop the Steal” (Parem o Roubo, em português), que tentava comprovar que uma fraude garantiria a vitória de Hillary Clinton, explica um relatório do centro de estudos Southern Poverty Law Center (SPLC).
Um dos pilares era acusar o sistema eleitoral nos EUA de fragilidades que permitiriam, supostamente, a manipulação do resultado.
Segundo a campanha de Trump, os votos pelo correio — permitidos em alguns estados norte-americanos — eram violáveis e deveriam ser descartados.
Trump também chegou a acusar governadores de registrar imigrantes ilegais como eleitores e de permitir que pessoas se passassem por outras para votar mais de uma vez.
Em 2018, nas eleições em que foi derrotado por Joe Biden, essas acusações foram novamente trazidas à tona por Trump. Além de não reconhecer a derrota, o ex-presidente dos Estados Unidos ainda foi acusado de incitar manifestantes a invadirem o Capitólio no dia da posse do rival.
No Brasil, Bolsonaro afirma que as urnas eletrônicas não são seguras porque não imprimem comprovante de voto e não seriam auditáveis — embora sejam, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e nunca tenha havido fraude eleitoral desde a adoção desse sistema.
Assim como Trump, Bolsonaro também atacou o processo eleitoral mesmo quando venceu, em 2018 — sempre sem apresentar provas.
Em busca do voto dos indecisos, o presidente moderou o discurso nas últimas semanas. Mas voltou a subir o tom contra o TSE nesta semana, depois que uma denúncia da campanha sobre as inserções da propaganda eleitoral no rádio foi arquivada.
Bolsonaro usa estratégia de Trump em debate
No primeiro debate do segundo turno das eleições presidenciais, Bolsonaro reproduziu uma estratégia usada por Trump contra Hillary Clinton em 2016, quando ambos disputavam a presidência dos EUA.
Na ocasião, Trump se manteve próximo da candidata no segundo debate entre os presidenciáveis. Em um livro de memórias, Hillary relatou que pode sentir a respiração do republicano em seu pescoço tamanha a proximidade.
No debate de 16 de outubro realizado pela Band, Bolsonaro chegou a tocar no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), colocando-se bem ao lado do rival em vários momentos.
“Fica aqui, Lula. Fica aqui”, disse Bolsonaro colocando a mão no ombro do petista.
Integrantes do núcleo duro da campanha do PT acreditam que essas atitudes fizeram Lula perder a concentração em vários momentos do debate — o que teria resultado em um desempenho ruim do ex-presidente no terceiro bloco.
Na sexta-feira (27), Bolsonaro e Lula voltam a se enfrentar no último debate antes do segundo turno marcado para domingo (30) — é assistir para ver quais estratégias de Trump o atual chefe do Planalto vai usar para neutralizar o rival dessa vez.
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