Sinal de alerta: Itaú BBA corta preço-alvo do Nubank (NU; NUBR33) e reitera recomendação de venda do papel
Analistas encontraram inconsistências no balanço e apontam que o Nubank (NU; NUBR33) subestimou o risco na concessão de crédito pessoal

Apesar do balanço trimestral com fortes resultados operacionais, o Itaú BBA divulgou relatório em que reitera recomendação de venda para os papéis do Nubank (NU; NUBR33). Além disso, os analistas também cortaram o preço-alvo de US$ 4,50 para US$ 3,50 para 2023 — baixa de 22,2%.
Houve revisão também nas projeções de lucro líquido do banco digital, que passaram de R$ 3,1 bilhões para R$ 2,6 bilhões até o ano que vem.
Um dos pontos de maior atenção dos analistas é a questão da qualidade do crédito e dos índices de inadimplência. Estes vêm se deteriorando e estão muito acima dos indicadores equivalentes dos grandes bancos, o que tem sido um ponto de preocupação para o mercado.
Recentemente, o Nubank alterou sua metodologia e revisou o índice de inadimplência (NPL, na sigla em inglês) do primeiro trimestre para 3,5%, subindo para 4,1% no segundo trimestre.
No período, o Nubank reportou uma inadimplência acima de 90 dias de 4,1%, avanço de 0,6 ponto percentual em relação ao índice de 3,5% do trimestre anterior.
Porém, esses números são fonte de uma mudança na metodologia de cálculo. Sem a alteração, a inadimplência acima de 90 dias teria sido de 5,4% no segundo trimestre, 1,2 ponto percentual acima do índice de 4,2% do trimestre anterior, uma alta superior às estimativas do mercado.
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O Nubank também reduziu o prazo de baixa dos empréstimos pessoais em atraso de 360 para 120 dias, enquanto a baixa dos cartões de crédito permaneceu em 360 dias.
Assim, os analistas do Itaú BBA acreditam que o Nubank subestimou o risco de concessão de crédito pessoal e não tem sido seletivo ao conceder esse tipo de produto.
Acrescentam, também, que essas mudanças podem ser um sinal de maior risco assumido ou erros de cálculo.
Na avaliação da equipe, as previsões de crescimento da área de empréstimos pessoais precisam ser reduzidas, uma vez que a inadimplência cresce acima do esperado e o ambiente macroeconômico também é mais desafiador.
"Esperamos que a carteira de empréstimos pessoais cresça modestos 28% em 2022 e 7% em 2023. Nosso valor de R$ 19 bilhões em 2025 está provavelmente ~50% abaixo do que analistas mais otimistas apontam", diz o relatório.
Os analistas do banco reduziram as estimativas de crescimento da carteira de empréstimos de longo prazo para 10%, o que também afeta as projeções de lucro do Nubank.
Inconsistências nos números do Nubank (NU; NUBR33)
O relatório traz, ainda, um alerta para inconsistências encontradas no balanço do Nubank: segundo os analistas, eles se arrependem por ter elogiado as despesas operacionais estáveis do banco digital no segundo trimestre de 2022. A equipe constatou que, na realidade, esses números haviam sido apenas movidos para a parte de despesas de capitais, alterando o balanço.
Esse tipo de prática ajuda os lucros reportados no curto prazo, mas afeta o balanço no prazo mais longo.
"As despesas operacionais do Nubank teriam aumentado ~8% no trimestre e não apenas 1%, como elogiamos no início. Esta parece ser uma nova prática para o Nubank, embora não seja incomum em empresas de tecnologia", traz o relatório.
Cartão de crédito
Outro fator de risco enxergado pelo Itaú BBA está na expansão do cartão de crédito do Nubank neste contexto de inadimplência, com projeções de que o saldo total da área comece a desacelerar em breve, assim como a oferta de cartões.
O banco reduziu as previsões de crescimento do saldo de cartões de crédito para 63% neste ano e 15% para 2023.
Há pouco, os BDRs (recibos de ações) do Nubank negociados na B3 operavam em queda de 2%.

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