Uma das maiores histórias de sucesso do investimento em tecnologia está prestes a se tornar um caso para os amantes de dividendos
Google nunca pagou dividendos até hoje, mas a distribuição de proventos num futuro relativamente próximo parece ser o caminho natural da big tech

Olá, seja bem-vindo à Estrada do Futuro, onde conversamos semanalmente sobre a intersecção entre investimentos e tecnologia.
Nas últimas semanas, fiz uma análise para os leitores do Seu Dinheiro sobre o perfil de retornos que se pode esperar de cada uma das big techs. Falei sobre:
- Microsoft, que considero cara aos preços atuais;
- Apple, que considero num preço interessante; e
- Amazon que, em minha opinião, é a mais atrativa entre todas elas para ganhos de capital.
Hoje, encerro essa série com uma análise das ações do Google que, na minha opinião, passará em breve por uma mudança importante na sua base de acionistas, com uma presença cada vez mais dos investidores em busca de dividendos.
Entendendo o gigante das buscas
Sem margem para outras interpretações, o Google é uma empresa de advertisement.
As linhas de negócios "Search" (as receitas oriundas do mecanismo de busca e suas várias camadas de monetização), o YouTube e a linha "Google Network" (que compila, entre outros, as receitas da AdMob, AdSense e do Google Ad Manager) representam 80% do faturamento.
No gráfico abaixo, eu compilo a participação de cada uma dessas linhas na receita total do Google.
Leia Também
Ao fim de 2021, o Google Cloud, que é a operação de infraestrutura em nuvem, similar à AWS da Amazon e à Azure da Microsoft, representou aproximadamente 12% das receitas.
Em "outros" estão categorizadas as receitas do Android (Play Store), da venda de hardwares (como os dispositivos da FitBit) e as receitas de assinatura do YouTube (basicamente o YouTube Premium, o queridinho dos pais e das mães).
A tão badalada linha de "outras apostas" soma menos de US$ 1 bilhão em receitas anuais e, pelo menos até este momento, ainda não deu à luz nenhum produto revolucionário.
Os céticos adoram afirmar que, apesar de bilhões de dólares investidos em pesquisa e desenvolvimento, o Google não fez mais nos últimos 20 anos do que criar novas maneiras de converter cliques em receitas.
- ESTÁ GOSTANDO DESTE CONTEÚDO? Tenha acesso a ideias de investimento para sair do lugar comum, multiplicar e proteger o patrimônio.
Árvores crescem até o céu?
Segmentar as receitas do Google deixa claro de onde veio o retorno dos seus acionistas nos últimos 10 anos: a empresa surfou uma onda ininterrupta, com os gastos de marketing no mundo todo migrando dos canais analógicos para o digital.
Quando essa tendência ameaçava perder força, a pandemia lhe fez um enorme favor.
No gráfico abaixo, compilo a receita incremental, em bilhões de dólares, que cada unidade de negócio trouxe ao Google nos últimos anos, e quais são as expectativas do mercado para os próximos.
Apenas em 2021, as receitas do Google Search cresceram US$ 44,8 bilhões; esse número é maior que o crescimento somado dos anos de 2018, 2019 e 2020. Simplesmente impressionante.
Hoje, duas perguntas orbitam a mente dos investidores, que buscam entender se o Google será capaz de entregar esse crescimento; ou melhor, se será capaz de crescer ainda mais do que se espera dele atualmente.
Duas perguntas sobre o Google cuja resposta vale centenas de bilhões de dólares
- (i) o Google será capaz de crescer a quantidade de impressões (pontos de contato para publicidade) no mesmo ritmo dos últimos 5 anos?
- (ii) As receitas dessas novas impressões são, na margem, tão valiosas como as anteriores?
Nos últimos 5 anos, o Google foi capaz aumentar em 30% a quantidade de impressões em seus domínios (um bom exemplo é a enorme quantidade de anúncios no YouTube).
O preço médio desses anúncios cresceu ainda mais: cerca de 41% no período.
Ambos estão ilustrados no gráfico abaixo, em base 100.
Perceba como, entre 2018 e 2020 o custo médio por impressão vinha cedendo, num reflexo exatamente do receio que cito acima: já existem tantos anúncios nas propriedades do Google, que os retornos incrementais tendem a ser decrescentes para novos slots.
A pandemia, ao obrigar uma migração massiva de budgets de marketing para internet, fez explodir o custo médio das impressões (como todo produtor de conteúdo sabe bem).
O custo médio por impressão, historicamente, tende a ser bastante resiliente, porém, respondendo à pergunta (ii), é natural esperarmos que ele desacelere nos próximos trimestres, especialmente se caminharmos para um cenário de inflação persistente e queda no consumo.
Quanto à pergunta (i), referente ao crescimento na quantidade de impressões, acreditamos que essa variável está vinculada à capacidade impressionante do Google de converter novos segmentos em grandes mercados para busca.
Por exemplo, o Google Maps é um espaço crescente de publicidade; em pouco mais de 3 anos, o Google Flights começou a canibalizar os resultados da TripAdvisor (o maior agregador de buscas sobre viagens até então).
A estratégia bem sucedida do Google Flights vem sendo aplicada a novos mercados: por exemplo, através do Maps é possível contatar e solicitar propostas de prestadores de serviços (encanadores, pintores e afins).
Ou seja, juntando (i) e (ii), a longa história do Google nos parece sugerir que o futuro, ao menos nos próximos, guarda um mix de crescimento em (i), porém de pressão para baixo em (ii).
Esse equilíbrio é capaz de gerar retornos excepcionais aos acionistas?
Provavelmente não… o que nos leva a uma terceira pergunta: há outros vetores nesta equação, capazes de incrementar esses retornos potenciais?
Convido todos a pensar em "dividendos".
Faço esse convite pois trata-se apenas de uma ideia, afinal, o Google nunca pagou dividendos.
Na última década, o Google focou apenas em acumular uma montanha crescente de centenas de bilhões de dólares parados em caixa.
Nos últimos anos, como exemplificado no gráfico abaixo, a empresa tem direcionado boa parte do seu fluxo de caixa para a recomprar ações, numa drástica mudança na sua política de alocação de capital.
Tornar-se uma empresa pagadora de dividendos é um caminho natural para o Google e imagino que isso acontecerá em algum momento nos próximos anos.
Sob tais premissas, em que a quantidade de ações é brutalmente reduzida graças à geração de caixa e o Google passa a remunerar seus acionistas com gordos dividendos, mesmo num cenário de grande "de-rating", consigo visualizar uma taxa interna de retorno de duplos dígitos baixos, em dólares, aos preços atuais.
Uma das maiores histórias de sucesso de investimento em tecnologia parece prestes a se tornar uma presença carimbada no portfólio dos investidores que procuram renda.
CARRO-CHEFE ENCALHADO
Mega-Sena encalha de novo e pode pagar o maior prêmio individual da história das loterias no Brasil; 3 apostas simples dividem a Lotofácil 3815
28 de outubro de 2026 - 5:51LIDERANÇA TEM UM PREÇO
Citi passa a recomendar compra de Mercado Livre, mas vê risco em investimentos para manter liderança
27 de outubro de 2026 - 14:22MEGA SENA TODO DIA
Lotofácil 3814 faz 2 novos milionários; Mega-Sena acumula e prêmio sobe para R$ 305 milhões
27 de outubro de 2026 - 5:58DANÇA DAS CADEIRAS
Fiscal na mira do mercado: BTG avalia cenário político e possíveis nomes para a Fazenda no Lula 4; confira
26 de outubro de 2026 - 19:43EXIGÊNCIAS MAIS RIGOROSAS
Banco Central aprova novas regras para ofertas de crédito e cria proteção contra o endividamento excessivo
24 de outubro de 2026 - 8:59CENÁRIO ELEITORAL
“Se o Lula vencer, o cenário tende a favorecer mais o rentismo”, diz CEO da EQI; veja as apostas da corretora
23 de outubro de 2026 - 15:56VANTAGEM EM XEQUE
Esta cidade fora de SP virou hub de galpões logísticos. Agora, a Reforma Tributária pode mudar o jogo
23 de outubro de 2026 - 11:15A SERVIÇO DE SUA MAJESTADE
Quem será o próximo James Bond? Quatro nomes estão na disputa final para interpretar o agente 007
23 de outubro de 2026 - 11:09ELEIÇÕES NO MERCADO IMOBILIÁRIO
Minha Casa Minha Vida ou Casa Verde Amarela? Os planos de Lula e Flávio Bolsonaro para o mercado imobiliário e a compra da casa própria
23 de outubro de 2026 - 7:09CARRO-CHEFE ENCALHADO
Mega-Sena acumula novamente e prêmio alcança R$ 230 milhões; 3 bolões com dezenas de pessoas dividem a Lotofácil
23 de outubro de 2026 - 5:47DISPUTA DE REGULADORES
Afinal, quem falhou no caso Banco Master? Ex-presidente da CVM aponta para o Banco Central
22 de outubro de 2026 - 18:45LUZES ACESAS
Volta ao presencial e ‘cheque gordo’ do Itaú (ITUB4) dão nova vida a escritórios de SP — mas nem todos os bairros ganham
22 de outubro de 2026 - 10:09Conteúdo Empiricus
Mercado de opções cresce 79% na B3 em 2026; confira como você também pode aproveitar oportunidades com esse tipo de operação na bolsa
22 de outubro de 2026 - 10:00PRECISA DE CONSERTO
Lotofácil, Quina e outras loterias acumulam e atenção se volta para prêmio de R$ 200 milhões em jogo na Mega-Sena
22 de outubro de 2026 - 5:53MAIS DINHEIRO NA MESA
Governo libera mais R$ 6,49 bilhões para empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA e por conflitos internacionais; veja quem pode acessar o crédito
21 de outubro de 2026 - 10:03NEM POR DECRETO
Mega-Sena acumula de novo e prêmio vai a R$ 200 milhões; Dia de Sorte aproveita para brilhar sozinha
21 de outubro de 2026 - 5:42FINANÇAS
Investimentos liberam mais limite nos cartões de crédito do BTG Pactual. Conheça os requisitos e benefícios das versões Gold, Platinum e Black
20 de outubro de 2026 - 16:00PRÉVIA DO RESULTADO
Receitas em alta e ações de lado: balanço da SpaceX (SPCX) finalmente decolou? Saiba o que esperar
20 de outubro de 2026 - 15:03DESTAQUE NA IMPRENSA
Repórteres do Seu Dinheiro são vencedoras do prêmio +Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças
20 de outubro de 2026 - 14:58O MISTÉRIO CONTINUA