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Renan Sousa

Renan Sousa

É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney.

MUDANÇA DE PLANOS

Ficou para depois: Eletrobras (ELET3) adia para 2023 processo de migração para Novo Mercado; entenda

Empresa justifica que decidiu adiar o processo em razão das condições do mercado, mas pode encontrar problemas para levar a migração adiante em 2023

Renan Sousa
Renan Sousa
29 de novembro de 2022
9:53 - atualizado às 10:36
eletrobras elet6 elet3
Eletrobras - Imagem: Reprodução

A Eletrobras (ELET3;ELET6) anunciou a suspensão temporária do processo de migração para o Novo Mercado — segmento com práticas mais rigorosas de governança corporativa da bolsa brasileira, a B3. A empresa justifica que as condições do mercado e a situação macroeconômica fizeram o conselho de administração optar por adiar essa mudança até 2023.

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A migração para o Novo Mercado é um dos passos estabelecidos no chamado “Plano de Transformação” da companhia após a privatização.

Para se adequar às regras do segmento especial de listagem da B3, a Eletrobras precisa fazer uma série de mudanças, incluindo a conversão de todas as ações em ordinárias (ON), que dão direito a voto nas assembleias de acionistas.

A migração para o Novo Mercado teria como efeito a aglutinação desses papéis. Dessa forma, apenas as ações ordinárias ELET3 da Eletrobras permaneceriam em negociação.

Por que essa aglutinação é importante?

Essa prática é vista com bons olhos pelo mercado porque coloca todos os investidores em pé de igualdade. Evidentemente, as condições do mercado influenciam na tomada dessa decisão para que a empresa não saia no prejuízo durante essa fusão. 

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Em 12 meses, os papéis da Eletrobras têm o seguinte desempenho:

Leia Também

TickerPreçoVAR(%) 12 meses
ELET3R$ 45,72 41,61%
ELET6R$ 48,4752,20%
Fonte: Trademap

A empresa afirma que os demais detalhes sobre esse movimento ainda estão sob análise do conselho. 

O outro lado da moeda da Eletrobras

Apesar do forte desempenho dos papéis — em boa parte motivado pela privatização da empresa —, existe um ponto importante a ser levado em conta no processo de migração para o Novo Mercado da B3: o governo ainda detém aproximadamente 40% das ações ON e 13% das PNB da Eletrobras.

Entretanto, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva sempre se posicionou contra a privatização — e chegou a cogitar a reestatização da companhia durante a campanha.

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Como a migração para o Novo Mercado reduziria ainda mais o poder de decisão do Estado na empresa, é possível que o novo governo se posicione contra o processo. 

Eletrobras (ELET3) enxugando a máquina

Apesar do revés na migração para o Novo Mercado, a administração da Eletrobras tomou dois passos importantes na melhora da governança da companhia.

A primeira foi a aprovação do resgate da totalidade das ações preferenciais de classe A da companhia — aquelas com o ticker ELET5, que têm menor liquidez.

Assim, a Eletrobras pretende incorporar essas ações e manter apenas os papéis ordinários (ELET3) e preferenciais tipo B (ELET6).

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O conselho da ex-estatal também aprovou a incorporação de ações de várias empresas controladas, como a Chesf, CGT Eletrosul, Furnas e Eletronorte.

Por fim, a Eletrobras informou que o cronograma e as condições das operações, incluindo o preço de resgate das ações PNA e a relação de troca na incorporação das ações das controladas, ainda serão definidos.

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