Em crise, Invepar entrega controle da Linha Amarela no RJ ao fundo Mubadala para quitar dívidas e estende trégua com credores
Negócio marca mais um capítulo da reestruturação da Invepar, que busca aliviar dívidas bilionárias e manter acordos com credores enquanto o Mubadala assume o controle da Linha Amarela, no Rio de Janeiro

A Invepar deu mais um passo em sua reestruturação financeira. A companhia anunciou, nesta segunda-feira (20), a transferência de 60,3% do capital social da Lamsa, concessionária que administra a Linha Amarela no Rio de Janeiro (RJ), ao Mubadala Capital, fundo soberano de Abu Dhabi.
O movimento faz parte de uma dação em pagamento, ou seja, uma operação em que a empresa quita dívidas entregando ativos. Com o negócio, a Invepar encerra um passivo de R$ 349,7 milhões referente às 3ª e 5ª emissões de debêntures junto ao Mubadala. Após a transação, a companhia brasileira permanecerá com 39,7% das ações da Lamsa.
A conclusão da operação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Prefeitura do Rio de Janeiro, já que envolve uma concessão pública.
A Invepar e a Lamsa também informaram nesta manhã a prorrogação do acordo de standstill extrajudicial com os principais credores até 29 de dezembro de 2025, mantendo a suspensão temporária da cobrança de dívidas enquanto seguem negociando a reorganização financeira do grupo.
Um acordo de standstill é, em essência, uma trégua entre a empresa e seus credores. Ele suspende temporariamente a exigência de pagamento das dívidas. Esse tipo de acordo dá fôlego financeiro à companhia, permitindo que ela negocie uma reestruturação de sua dívida sem sofrer novas pressões enquanto tenta se reorganizar.
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Os problemas da Invepar
A Invepar acumulou dívidas bilionárias após anos de investimentos pesados em infraestrutura: rodovias, metrôs e aeroportos.
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A principal dificuldade foi gerar fluxo de caixa suficiente para honrar os compromissos financeiros, especialmente depois da pandemia de 2020, quando o tráfego em rodovias e o uso do metrô caíram drasticamente.
Com a queda na receita, a empresa entrou em negociações com credores e passou a firmar acordos de standstill para evitar a execução das dívidas enquanto busca reestruturar o passivo.
A crise da Invepar piorou por causa da disputa judicial com a Prefeitura do Rio de Janeiro sobre a concessão da Linha Amarela (Lamsa). Em 2019, a prefeitura chegou a tentar retomar a concessão à força, alegando cobranças abusivas de tarifas.
Esse impasse gerou incerteza jurídica e financeira, afetando a avaliação do ativo e afastando potenciais investidores.
Agora, ao transferir o controle da Lamsa para o fundo Mubadala, a Invepar usa o ativo como forma de pagar parte das dívidas e tenta aliviar a pressão sobre o balanço.
Seu ativo mais relevante é a participação na GRU Airport, concessionária que administra o aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos, o maior e mais movimentado do país. Em 2024, também vendeu sua participação no VLT Carioca para a CCR.
Com a saída desse ativo e a perda de controle da Lamsa, o grupo encolheu significativamente, restando operações menores, como a MetrôRio.
A empresa vem tentando negociar uma reestruturação global da dívida, com credores nacionais e internacionais, sem recorrer à recuperação judicial.
Esse processo é lento e envolve diversos fundos e bancos credores, além de fiscalizações do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) devido à participação de fundos de pensão (Previ, Petros e Funcef) entre os acionistas.
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