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Ricardo Gozzi

É jornalista e escritor. Passou quase 20 anos na editoria internacional da Agência Estado antes de se aventurar por outras paragens. Escreveu junto com Sócrates o livro 'Democracia Corintiana: a utopia em jogo'. Também é coautor da biografia de Kid Vinil.

LIBERTADORES TODO ANO?

O que se sabe até agora sobre o acordo para a venda do Bahia para os donos do Manchester City

Plano do Grupo City para a SAF do Bahia é ambicioso e inclui a reinserção do Esquadrão de Aço entre as maiores potências do futebol brasileiro

Ricardo Gozzi
23 de setembro de 2022
7:01 - atualizado às 8:01
Esporte Clube Bahia x Tombense - Brasileiro B 2022
Grupo que controla o Manchester City apresenta hoje proposta pela SAF do Bahia. - Imagem: Felipe Oliveira/EC Bahia

O Esporte Clube Bahia já viveu dias de glória. Em 1959, conquistou a Taça Brasil de forma épica derrotando o Santos de Pelé em uma melhor de três confrontos. Em 1988, sob a batuta de Bobô, faturou o Campeonato Brasileiro em cima do Internacional de Porto Alegre.

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E, no que depender do Grupo City, os dias de glória do “Bahêa” estão prestes a voltar. Os proprietários do Manchester City estão com tudo pronto para comprar a Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do Bahia.

A informação foi divulgada em primeira mão pelo jornalista argentino César Luis Merlo, da TyC Sports.

A única pendência para que o que já está no papel seja colocado em prática é a cisão do departamento de futebol do restante do clube e sua conversão em SAF.

A proposta do Grupo City será apresentada ao conselho deliberativo do tricolor baiano na noite desta sexta-feira, a partir das 19h, conforme convocação formalizada pela direção do clube no fim da tarde da última terça-feira.

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A conversão do Bahia em SAF

Como aconteceu com Cruzeiro, Botafogo-RJ e Vasco da Gama, a discussão desperta argumentos apaixonados. A favor e contra.

A expectativa, entretanto, é de que o fato de já existir um comprador com aporte engatilhado pese em favor da aprovação da conversão do Bahia na quarta SAF a receber um investidor no Brasil.

Os rumores sobre o acordo com o Grupo City, controlado por um fundo de investimentos de propriedade de membros da família real de Abu Dhabi, circulam há meses.

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Mas a revelação de que o acerto está prestes a ser colocado em prática ocorre em um momento decisivo para o Bahia em 2022.

A oito rodadas do fim da Série B do Campeonato Brasileiro, o tricolor baiano encontra-se no G-4 da competição, tem seis pontos a mais que o quinto colocado e grandes chances de retornar à Série A em 2023.

E se o Bahia não subir?

De acordo com veículos especializados no universo esportivo, o acordo será mantido mesmo que o Bahia não consiga o acesso.

O único risco à formalização do pacto neste momento seria uma eventual rejeição da conversão em SAF pelos conselheiros do clube.

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Ainda não se sabe ao certo quando o tema será levado a votação pelo conselho. Mas a formalização da proposta do Grupo City é um passo fundamental para que os conselheiros se mobilizem.

Plano do Grupo City para o Bahia é ambicioso

O Grupo City tem argumentos sólidos em favor da aceitação do acordo pelo conselho deliberativo.

Segundo o site City Xtra, que acompanha as movimentações do conglomerado ao redor do mundo, os planos para o Bahia são para lá de ambiciosos.

Para começar, o Bahia teria um status privilegiado dentro do grupo, que busca um clube de massa para seu portfólio.

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A edição de 2022 da pesquisa Sport Track posiciona o Esporte Clube Bahia como o time de maior torcida da região Nordeste - e a 12ª maior do Brasil -, mobilizando seguramente mais de 3 milhões de torcedores.

Libertadores todo ano?

De acordo com pessoas inteiradas sobre os planos, a ideia é fazer do Bahia a segunda maior influência do Grupo City, atrás apenas do Manchester City.

Para tanto, o projeto consiste em inserir o Bahia no seleto grupo dos seis melhores times de futebol do Brasil. Tal transição duraria algo entre três e cinco anos.

Quem acompanha o universo esportivo sabe que nem sempre uma ideia ambiciosa é suficiente para que um clube obtenha resultados em campo.

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Depende não apenas da execução propriamente dita, mas também dos adversários. E, naturalmente, os rivais não vão ficar em estado contemplativo, admirando o Bahia e seus reforços.

De qualquer modo, se o projeto tiver sucesso, isso significaria ver o Bahia na disputa constante por títulos nacionais, classificado para a Libertadores ano após ano.

Quanto o Grupo City pretende pagar pelo Bahia?

Os detalhes do acordo são mantidos em sigilo.

Acredita-se, porém, que o Grupo City ficará com 90% das ações da SAF, máximo permitido pela legislação brasileira. Os 10% restantes seguirão pertencendo ao Bahia.

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Os valores, a duração e outros detalhes da proposta devem vir à tona na noite desta sexta-feira.

O Bahia vai mudar de nome?

Outra curiosidade de quem observa a movimentação refere-se ao nome do clube. Os times agraciados pelos investimentos do conglomerado costumam incorporar o City ao nome.

Nesse aspecto, os torcedores do Esquadrão de Aço podem ficar tranquilos. O tricolor não vai virar Salvador City nem nada do gênero. Vai continuar sendo Bahia.

A reportagem do Seu Dinheiro buscou contato com o Bahia em busca de informações adicionais, mas não obteve retorno.

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O que a torcida do Esquadrão de Aço pode esperar do acordo

A julgar pelos resultados das parcerias do Grupo City ao redor do mundo, a torcida do Bahia tem motivos de sobra para criar expectativas elevadas.

A joia da coroa, obviamente, é o Manchester City.

Dos oito títulos do Campeonato Inglês ostentados pelo clube, seis foram conquistados depois da aquisição pelo Grupo City, sendo quatro deles nos últimos cinco anos.

Nos Estados Unidos, o jovem New York City FC conquistou a MLS Cup no ano passado.

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Na Austrália, o Melbourne City é o atual campeão da A-League, o campeonato australiano de futebol.

Na Índia, o Mumbai City ganhou quase tudo o que viu pela frente na temporada 2020-21.

No Japão, o Yokohama F. Marinos voltou a disputar títulos depois da parceria com o Grupo City, mas sua participação no clube é minoritária.

No Uruguai, o novato Montevideo City Torque colecionou títulos de divisões de acesso até chegar à primeira divisão do campeonato nacional em 2020.

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Por aqui, se o plano se concretizar, um eventual retorno do Bahia à Série A talvez marque apenas o começo de um novo período de glórias na história do clube.

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