Putin não pode mais contar com a China? Rússia enfrenta limites em sua rota de fuga das sanções; saiba quais
Embora os chineses sejam contrários às medidas punitivas impostas por EUA e Europa, Pequim não tem muita margem de manobra para ajudar Moscou. Mas algo sempre pode ser feito — saiba o que

Existe a crença de que uma amizade verdadeira não tem limites, mas, na prática, não é bem assim. Prova disso é a relação entre Rússia e China: Pequim rejeitou as sanções econômicas impostas aos russos, emergindo como uma “rota de fuga” para Vladimir Putin escapar das pesadas punições do Ocidente.
No mês passado, os EUA anunciaram uma proibição completa das importações russas de petróleo, gás e carvão, na sequência do apelo da Ucrânia para que as sanções fossem ampliadas.
Em seguida, o Reino Unido decidiu acabar gradualmente com as importações de petróleo russo até o fim deste ano, enquanto a União Europeia (UE) traça planos para reduzir suas compras em dois terços.
Como saída ao boicote ocidental, a Rússia começou a enviar lotes não só de petróleo como também de carvão para a China — uma medida adotada pelos dois países para manter o fluxo no comércio de energia e mitigar a pressão internacional devido à guerra na Ucrânia.
Só que, agora, esse apoio prestado pelos chineses começa a encontrar algumas barreiras.
Leia Também
Quanto petróleo a Rússia exporta?
Para dimensionar o efeito das sanções sobre o setor de energia russo, primeiro temos que entender o papel do país no setor.
A Rússia é o terceiro maior produtor de petróleo do mundo, atrás apenas dos EUA e da Arábia Saudita. Listamos abaixo dos dez maiores exportadores da commodity no mundo, em barris produzidos por dia:

Dos cerca de cinco milhões de barris de petróleo bruto que a Rússia exporta por dia, mais da metade vai para a Europa.
Os EUA são menos dependentes, com cerca de 3% das importações vindas de lá. No Reino Unido, a situação é um pouco mais delicada, mas nem tanto: 8% do petróleo importado vem dos russos
No caso da China, no ano passado, 16% das importações da commodity vieram da Rússia. Isso torna a Rússia o segundo maior fornecedor para os chineses, depois da Arábia Saudita. Cerca de 5% do gás natural da China também veio da Rússia no ano passado.
“A China importou no ano passado cerca de 1,6 milhão de barris por dia de petróleo russo e pode absorver outros 2 milhões de barris por dia ou até mais para ajudar na manutenção do fluxo da energia vendida pela Rússia”, disse Francisco Blanch, chefe global de pesquisa de commodities e derivativos do Bank of America (BofA).
China, uma rota de fuga com limites
Uma análise mais detalhada das exportações de energia da Rússia revela que a China é uma rota de fuga para as proibições do Ocidente — mas há limites.
As exportações de energia russas para o leste, por exemplo, enfrentam grandes restrições de recursos e gargalos logísticos.
- MUDANÇAS NO IR 2022: baixe o guia gratuito sobre o Imposto de Renda deste ano e evite problemas com a Receita Federal; basta clicar aqui
A principal rota de exportação da Rússia para a China é o oleoduto da Sibéria Oriental (ESPO), que embarcou cerca de 700 mil barris de petróleo por dia em 2021. Outros 900 mil barris de petróleo por dia foram enviados por petroleiros.
Segundo especialistas, há pouco espaço para expansão imediata dessa ou de outras rotas, dadas as restrições na capacidade de dutos e terminais marítimos. Além disso, o envio de petróleo por navio-tanque esbarra em outro obstáculo: os preços.
“A demanda na Ásia segue aquecida, mas mandar o gás para lá não é tarefa fácil. Os petroleiros são alternativas, mas o aumento do uso desse tipo de transporte vai gerar, em breve, uma disputa que pode encarecer custos e elevar preços”, afirma Blanch.
Uma pequena fonte adicional poderia ser a Ilha Sakhalin. Na cúpula da amizade sem limites, de 4 de fevereiro, Putin e o presidente chinês, Xi Jinping, anunciaram uma extensão do oleoduto Sakhalin-Vladivostok.
No caso do gás, uma opção seria o gasoduto Power of Siberia 1 que, dada a capacidade não utilizada existente, permitiria que a gigante do gás russo Gazprom aumentasse as entregas para o nordeste da China nos próximos anos.
Mas o problema está na fonte: os recursos de gás da Sibéria Oriental são modestos em comparação com a Sibéria Ocidental.
Somando todas as opções, a Gazprom poderia fornecer mais 28 bilhões de metros cúbicos de gás à China até 2025; ainda assim, seria apenas uma fração dos 155 bilhões de metros cúbicos que a Rússia forneceu à Europa em 2021.
“É fato que a Europa tem uma grande dependência do gás russo, já que importa de Moscou 40% do que é consumido, mas a verdade é que o gás russo também não tem muitas opções de curto prazo que não sejam os países europeus”, afirmou Christopher Kunplent, chefe de pesquisa de energia do Bank of America para a Europa, Oriente Médio e África.
Tanto Blanch como Kunplent, ambos analistas do BofA, lembram que a China está passando por um lockdown severo para conter a disseminação da covid-19, o que deve impactar na demanda por energia, podendo atrapalhar os planos de exportação da Rússia no curto prazo.
Confira detalhes dos efeitos das sanções sobre a Rússia:
Ainda tem o carvão da Rússia…
Além de petróleo e gás, a Rússia também é uma grande exportadora de carvão, que também está na mira das sanções dos EUA e seus aliados.
A esperança da indústria de carvão russa é transferir seu principal mercado de exportação para a região do Pacífico, principalmente para a China.
A China já é o maior comprador de carvão russo, recebendo mais de 50 milhões de toneladas no ano passado por via ferroviária e marítima do Extremo Oriente.
A Rússia, por sua vez, respondeu por cerca de 15% das importações totais da China e foi seu segundo maior fornecedor, atrás da Indonésia.
Mas a principal restrição, novamente, é o transporte. O carvão é responsável por metade de todo o tráfego de carga no sistema ferroviário russo, mas o tráfego aponta para o oeste, não para o leste.
A Rússia tentou expandir suas duas principais artérias ferroviárias para o Pacífico (a BAM e a Transiberiana), mas o esforço subfinanciado está avançando lentamente.
“A substituição de pelo menos um terço da energia exportada pela Rússia para a Europa não será algo fácil de alcançar em um ano ou no curto prazo”, afirmou Kunplent.
As primeiras entregas em yuan estão chegando…
Apesar de todas as dificuldades, o comércio de energia entre Rússia e China segue avançando. Neste mês, os primeiros carregamentos de carvão comprados em março por várias empresas chinesas em yuan chegarão ao país, segundo a Bloomberg.
Já os primeiros barris de petróleo pagos na moeda local serão entregues às refinarias chinesas em maio, de acordo com fontes ouvidas pela agência.
Estas são as primeiras importações de commodities pagas em yuan desde que as sanções do Ocidente cortaram vários bancos russos do sistema financeiro internacional devido à guerra na Ucrânia.
O movimento é significativo já que o uso do dólar no comércio global incomoda a China, que acelerou os esforços para tentar reverter esse quadro após as sanções.
*Com informações da Reuters e da Fortune
NINGUÉM PAGA SOZINHO
Quem vai pagar a conta da Braskem (BRKM5)? Petrobras (PETR4) recusa aporte isolado, enquanto credores pressionam por bilhões
24 de setembro de 2026 - 19:30EQUILIBRANDO PRATOS
Palmeiras, ciclope e doping: as metáforas de Galípolo para falar de juros, crédito e driblar perguntas espinhosas
24 de setembro de 2026 - 17:30EDUCAÇÃO NOS HOLOFOTES
Cogna (COGN3) ainda pode subir 35%, mas Bradesco BBI faz um alerta para quem está de olho na ação
24 de setembro de 2026 - 16:45FIN4SHE 2026
Onde as mulheres investem? Presença feminina na B3 cresce 83%, mas ativo favorito ainda é outro
24 de setembro de 2026 - 15:49VISÃO DO GESTOR
O que Luis Stuhlberger espera de um governo Lula 4 e de um governo Flávio Bolsonaro
24 de setembro de 2026 - 13:39CAFEÍNA NA VEIA
Preço do café cai, consumo aumenta: brasileiros voltam a encher a xícara em 2026
24 de setembro de 2026 - 10:57ENGENHARIA FINANCEIRA
Banco Genial na mira: Operação Crédito Oculto investiga suposto esquema para esconder donos de distribuidora de combustíveis
24 de setembro de 2026 - 9:51NA TRAAAAAVE!
368 apostadores ficam no quase na Lotofácil 3787; Lotomania e +Milionária pagam mais de R$ 100 mil por bolas na trave
24 de setembro de 2026 - 6:53É HOJE
INSS e BPC/LOAS são pagos hoje; confira datas de setembro de 2026 e regras dos benefício
24 de setembro de 2026 - 5:05IRPF 2026
Receita Federal abre consulta a lote de restituição do Imposto de Renda para quem caiu na malha fina
23 de setembro de 2026 - 8:50ATENÇÕES DIVIDIDAS
Lotofácil 3786 e Dia de Sorte 1304 pagam prêmio principal; Mega-Sena 3061 acumula e agora promete R$ 38 milhões
23 de setembro de 2026 - 6:41BARGANHA GEOPOLÍTICA
Xi Jinping tem arma contra Trump que pode beneficiar uma empresa no Brasil, defende BTG
22 de setembro de 2026 - 16:35MUITO CUIDADO
Suzano (SUZB3) ou Klabin (KLBN11)? Bradesco BBI analisa setor de papel e celulose e apresenta sua “top pick”
22 de setembro de 2026 - 15:55ATÉ ONDE A SELIC VAI?
Copom vê a economia esfriar, mas não dá ao mercado a resposta que ele mais quer sobre os juros
22 de setembro de 2026 - 11:28ASSEMBLEIA VIRTUAL
Greve na Caixa: funcionários votam proposta do banco para o fim da paralisação; conheça a decisão
22 de setembro de 2026 - 7:10DEZENAS DE GANHADORES
Lotofácil 3785 premia aposta simples e bolão com 35 participantes; Mega-Sena promete R$ 32 milhões
22 de setembro de 2026 - 6:38ESTÁ NO PREÇO
O Brasil vai quebrar? Entenda por que o risco fiscal mexe com a renda fixa, as ações e até o dólar
22 de setembro de 2026 - 6:03DEPOIS DO ALERTA
Nvidia e outras empresas de IA enfrentam o “vale das sombras” após alerta da Anthropic; o que fazer com as ações?
21 de setembro de 2026 - 19:30MAIS SELETIVO
Safra pisa no freio e corta preço-alvo de 5 ações do setor imobiliário — e uma destoa ainda mais das outras
21 de setembro de 2026 - 16:30A ORDEM IMPORTA