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REPRECUSSÕES DA OPERAÇÃO

Do petróleo ao bitcoin (BTC): como o ataque dos EUA à Venezuela mexe com os mercados

O conflito pode elevar a percepção de risco de toda a América Latina, inclusive do Brasil, segundo analista da RB Investimentos

Petróleo, petroleiras, ações, brent. recv3
Imagem: iStock

O ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que levou à captura do presidente Nicolás Maduro, não vai passar despercebido pelos investidores e pode pressionar as bolsas ao redor do mundo na segunda-feira, 5. Porém, enquanto os mercados seguem fechados, é o bitcoin (BTC) quem vem sinalizando como a operação norte-americana está sendo digerida.

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Nesta manhã, 3, dados do TradingView mostraram que o preço da criptomoeda registrava queda após atingir máximas próximas de US$ 90.940, chegando a ficar abaixo do patamar dos US$ 90 mil.

“Estamos vendo alguma pressão vendedora de curto prazo devido à ação em andamento dos EUA contra a Venezuela, mas sigo otimista no curto prazo”, analisou o investidor @Wealthmanager, em publicação no X.

Porém, nesta tarde, o bitcoin retornou aos US$ 90 mil. Por volta das 18h30, a criptomoeda registrava alta de 0,52%, a US$ 90.415,99.

Apesar disso, o analista cripto Lennaert Snyder avaliou que "há muita tensão geopolítica e, na próxima semana, os grandes players retornam. Então, provavelmente veremos mais volatilidade no bitcoin após o fim de semana”, disse aos seguidores no X.

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EUA de olho no petróleo da Venezuela: os impactos na commodity

Após o ataque, Trump falou sobre os interesses do governo norte-americano no petróleo venezuelano, deixando para trás as justificativas de combate ao narcotráfico.

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Em coletiva realiza nesta tarde, ele disse que vai garantir que o fluxo de petróleo na Venezuela "volte ao normal" e enviará grandes empresas petrolíferas para o país. Além disso, afirmou que vai "reconstruir a indústria petrolífera" da região.

Para Gustavo Cruz, estrategista‑chefe da RB Investimentos, a operação norte-americana pode levar a um aumento no preço do petróleo no curto prazo, com uma possível redução da oferta da commodity no mercado.

"Mesmo com as sanções econômicas, ainda tinha navio venezuelano saindo para outros países, ou seja, a oferta de petróleo existia até em preços mais baixos", disse Cruz ao Seu Dinheiro.

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Porém, no longo prazo, o analista avalia que o efeito tende a ser justamente o contrário e vê os preços entrando em queda.

Segundo Cruz, o retorno de empresas petrolíferas norte-americanas à Venezuela, sem nenhum tipo de restrição, aumentaria expressivamente a oferta de petróleo no mercado, causando, assim, uma queda nos preços internacionais.

No último fechamento, na sexta-feira, 2, os contratos mais líquidos do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para março, fecharam com recuo de 0,16%, a US$ 60,75 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.

Já os contratos do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para fevereiro registraram queda de 0,17%, a US$ 57,32 o barril na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA.

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O peso da Venezuela nas bolsas da América Latina

Além do petróleo, os mercados na América Latina também podem lidar com volatilidade após o ataque dos EUA à Venezuela.

Segundo Cruz, uma resposta agressiva do governo venezuelano poderia escalar o conflito, o que elevaria a percepção de risco de toda a América Latina, inclusive o mercado financeiro do Brasil. "Gestores globais muitas vezes não distinguem claramente os riscos individuais de cada país da região", afirmou ao Seu Dinheiro.

Na avaliação de Cruz, esse movimento pode resultar em um aumento do Credit Default Swap (CDS) — indicador de risco contra calote — em janeiro. Vale lembrar que o Brasil fechou o ano de 2025 com risco de 138 pontos, o menor patamar desde 2023.

Porém, para os brasileiros, o analista ainda vê um risco bônus: o aumento da imigração. A Venezuela faz fronteira com a região Norte do Brasil, que, historicamente, é impactada por conflitos no país vizinho, registrando aumento do fluxo de venezuelanos.

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Cruz avalia que esse movimento pode gerar pressão sobre serviços públicos e do governo federal em 2026. Nesta manhã, o presidente Lula convocou uma reunião de emergência com ministros para monitorar a situação. Confira os detalhes do encontro aqui.

*Com informações do CoinTelegraph, do Investing.com e do Money Times.

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