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Enquanto o ministro pede que as tabelas de preços sejam atualizadas apenas em 2023, após as eleições, Bolsonaro diz que empresários devem ter o menor lucro possível com a cesta básica

A luta do governo Bolsonaro contra a inflação em ano eleitoral continua. Na quinta-feira (09), o ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu aos supermercados “uma trégua” no aumento dos preços.
A sugestão foi feita no 2° Fórum da Cadeia Nacional de Abastecimento, evento da Abras (Associação Brasileira de Supermercados) que também contou com a participação do presidente Jair Bolsonaro.
Na ocasião, Guedes disse a empresários do setor alimentício que atualizassem as tabelas de preços só no ano que vem.
“Nós estamos em uma hora decisiva para o Brasil", justificou Guedes.
Bolsonaro, por sua vez, pediu aos presentes “o menor lucro possível” com a cesta básica.
O contexto das sugestões é um cenário de alta inflação que ocorre justamente quatro meses antes das eleições presidenciais de 2022.
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Embora tenha havido uma desaceleração, os dados do IPCA de maio mostraram uma variação de 11,73% no acumulado em 12 meses — um número ainda alto.
Para Guedes, a inflação é consequência da pandemia de covid-19 e da guerra na Ucrânia e não do atual governo.
“Agora é hora de dar um freio nessa alta de preços. É voluntário, é para o bem do Brasil. Da mesma forma que os governadores têm que colocar a mão no bolso e ajudar o Brasil, o empresariado brasileiro tem que entender o seguinte: devagar agora um pouco porque a gente tem que quebrar essa cadeia inflacionária”, disse.
Os brasileiros já viram o filme do congelamento de preços antes. Em 1986, o então presidente José Sarney tabelou os preços para estancar a inflação da época, que passava dos 240% ao ano.
E o resultado foi a falta de produtos no supermercado. O aquecimento do consumo provocou escassez especialmente de carne bovina.
Na ocasião, os pecuaristas alegaram preços defasados e seguraram o boi no pasto. Então, o governo anunciou uma série de medidas, como a importação de carne e até a mobilização da Polícia Federal para confiscar o gado.
O desabastecimento é um dos efeitos colaterais do congelamento de preços, afinal, os produtores podem optar por não vender os produtos caso não haja vantagem comercial.
A inflação represada também pode gerar dores futuras. Ou seja, congela-se agora (geralmente em momentos eleitorais) e aumenta-se muito mais no futuro, de forma mais impactante para o bolso dos consumidores.
Ao ser comparado com Sarney, porém, Guedes explicou ao G1 que o congelamento era apenas uma sugestão.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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