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É possível prever o futuro dos investimentos? Saiba como escolher o melhor prêmio de risco para lucrar no longo prazo

O futuro não existe ainda. Depende da maré das circunstâncias e da evolução até lá. Onde você está vendo um retorno esperado alto, normalmente existe um prêmio de risco

imagem conceitual mostra homem com medo de atravessar lago rumo a cifrão, investidor, investimento, cautela, medo
Imagem: Shutterstock

Há umas duas semanas, conversei com o CIO de um dos maiores multi family offices do Brasil. Por razões diferentes e caminhos aleatórios, mas de algum modo coincidentes, nos apoiamos num referencial teórico semelhante. A essência da conversa me pareceu útil a qualquer investidor, de tal modo que resolvi dividi-la aqui.

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A rigor, sua real compreensão é em grande medida transformadora. Ela é menos heroica e atraente, mas certamente bastante efetiva. É assim que se administram as fortunas de algumas das famílias mais ricas do Brasil.

Vamos lá…

Os bons argumentos

Se você me dissesse que a inédita vitória da esquerda na Colômbia é um indicador do que pode vir a acontecer no Brasil, de tal modo que deveríamos nos preparar para a eleição de Lula, eu falaria que você tem um bom ponto.

Se, por outro lado, você desqualificasse essa relação, vendo situações bastante distintas, e identificasse um provável crescimento do presidente Jair Bolsonaro até as eleições, dada a posição privilegiada de quem ocupa a cadeira e uma possível maior rejeição a Lula até o pleito, eu também falaria que seus argumentos são bons.

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Recessão, inflação e economia 

Se o assunto fosse outro e você cravasse uma iminente recessão nos EUA, com consequências importantes para os preços dos ativos, eu possivelmente concordaria, citando a História em seu favor.

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Já se você identificasse nuances no processo, com um mercado de trabalho muito forte por lá e uma inflação cedendo bastante a partir da normalização da oferta agregada, eu também concordaria que desta vez pode ser diferente.

Investimentos em bolsa dos EUA 

Se o papo migrasse para bolsa norte-americana e meu interlocutor sugerisse a compra de boas empresas a preços já atraentes por lá, citando o espetacular histórico de longo prazo do S&P 500, seria razoável partilhar visão semelhante.

Ao mesmo tempo, se houvesse um alerta, como o feito hoje por Seth Klarman, de que precisaríamos de quedas adicionais para a Bolsa dos EUA ficar de fato barata num cenário de recessão e juros subindo, eu respeitaria fortemente.

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Investimentos em bolsa brasileira 

Por fim, se tivéssemos uma defesa enfática de compra de bolsa brasileira, em valuations muito atrativos, mais baratos inclusive do que na crise de 2014/15 (a maior recessão da nossa história), e representativa de ativos reais (ou seja, protegidos da inflação por serem pedaços de empresas), certamente seria difícil discordar.

Mas também se fosse falado sobre a necessidade de se ter mais cautela, diante da probabilidade elevada de recessão nos EUA e de um fluxo perverso de saques na indústria de fundos de ações, que implica vendas compulsórias adicionais num ambiente de pouco comprador marginal, seria inegável haver pontos bons aí.

É difícil antever o que vai acontecer

Seja em qual for o mercado ou o ativo financeiro, a questão central é que é sempre muito difícil antever o que vai acontecer. A realidade é não-ergódica, ela não cabe numa planilha de Excel ou num modelo econométrico, por mais sofisticado que ele seja. 

Mesmo o sujeito mais analítico e diligente não poderia acessar o futuro e trazê-lo ao presente. Ele insiste em ficar lá, no futuro. É um elemento ontológico: o futuro não existe ainda. Depende da maré das circunstâncias e da evolução até lá.

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Um prêmio de risco 

Como o mercado é muito eficiente, há argumentos bons de todo lado. E onde você está vendo um retorno esperado alto ou uma possível arbitragem, normalmente existe um prêmio de risco. 

Aquele ativo só pode se multiplicar por X vezes (como, em várias situações, de fato pode) porque o risco associado é enorme. 

A decisão de comprá-lo ou vendê-lo não é certa nem errada, ela apenas reflete uma escolha, em que você se apropria de determinadas características (alto retorno potencial, por exemplo) e abre mão de outras (como a segurança).

A visão de mercado

Em determinado momento de nossa conversa, como não poderia deixar de ser, perguntei a visão dele sobre mercado. Tive algo assim como resposta, como também não poderia deixar de ser:

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“Felipe, até estamos mais construtivos com o Brasil, mas a verdade é que sempre evitamos avaliações muito contundentes sobre o mercado. Isso importa muito pouco. E as pessoas costumam errar mais do que gostam de admitir. A gente espalha os investimentos por vários fatores de risco, em várias geografias e vetores. É isso que faz a riqueza ao longo do tempo, sem muita flutuação, ajustado por risco, acumulando patrimônio em moeda forte. E quando essa turma dos endowments grandes, tipo Stanford, Harvard, Yale, descobre que, sei lá, temos 10% ou 15% das famílias alocados no Brasil, eles acham uma loucura. Nada contra o Brasil, aliás. Mas eles perguntam o que a gente está vendo de tão atraente no Brasil para ter tanto peso assim no nosso país.”

Investimentos e os vários prêmios de risco

Constatei o óbvio:

“Um grande modelo multifatorial, para se apropriar, na média, dos vários prêmios de risco espalhados pelo mundo ao longo do tempo.”

“Sim, é isso.”

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De fato, não é muito sexy. Não rende história para contar para o cunhado, nem permite promoções perante o grupo na macarronada de domingo. Mas é bastante efetivo. 

Enquanto procuramos heróis para nos dar a dica esperta, as famílias mais ricas do mundo escolhem investimentos sabendo que não há dica alguma. 

Existem prêmios de risco e cabe ao investidor se aproveitar deles de uma maneira disciplinada, serena, diversificada e com olhar de longo prazo. Parece pouca coisa, mas é o melhor a se fazer.

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